Fluminense, Flamengo, Real, Guardiola e as convenções do futebol moderno

Guardiola terminará essa temporada sem títulos pela primeira vez desde que começou a sua carreira como treinador profissional.

Foi mal no Manchester esse ano. Mal pode ser exagero, mas a evolução esperada sobre seu comando não aconteceu. Guardiola foi rígido na suas ideias de jogo. O que cabia e encantou no Barcelona e no Bayern com grandes elencos e jogadores decisivos, não cabia neste Manchester City (com vários jogadores escolhidos por ele). Seu time não foi altamente competitivo e nem prazeroso de se assistir.

No domingo o Real enfrentava o Barcelona e empatava o jogo, com um jogador a menos, até o minuto final. E o empate praticamente selava o título espanhol para o Real Madrid.

Agora olhem essas imagens que antecedem o gol da vitória do Barcelona:

30 segundos pra acabar o jogo.

Lateral para o Barcelona quase na linha de escanteio.

O que manda o manual do futebol moderno? Marca alto. Adianta todo o time e sufoca essa saída.

E qual era o cenário? O Real tinha um jogador a menos, estava desgastado e faltavam 30 segundos para o término do jogo.

A foto 1 é logo após o lateral.

4 segundos depois já vemos 6 jogadores do Real e 6 do Barça na foto 2. Significa que temos mais à frente 4 jogadores do Barcelona (dentre eles Messi e Soares) e 3 do Real Madrid.

Perto da bola, mais inferioridade do Real. São 3 do Barça, que é especialista em se livrar dessas situações, com seus apoios e toques curtos e 2 do Real.

Resultado? O Barcelona chega com superioridade numérica no ataque e prepara a jogada de lado, com toque pra trás, pra finalização perfeita do Messi, que chega sem ninguém pra incomodar.

Fim do jogo. Cansaço, desgaste, inferioridade numérica. Vai fazer o que lá em cima?

Planta o time com uma linha de 4, outra de 5 da intermediária pra trás e o jogo acaba. Faltavam 30 segundos. Um erro de estratégia absurdo e que pode custar o título da temporada.

Futebol não tem manual. Não tem apenas um jeito de jogar. Times vencedores são os que conseguem ser híbridos e tomar as decisões corretas nos diferentes momentos que o jogo apresenta.

E o Campeão Carioca será definido dessa forma.

O Flamengo já testou os 3 volantes ontem porque não vai pra cima do Fluminense. Vai fechar os espaços, dobrar marcação no lado do campo e não deixar o time do Fluminense correr.

Vai abdicar da sua principal característica pra ser campeão.

E o Fluminense, pra ganhar do Flamengo, não poderá ser apenas um time de transição rápida.

Nos últimos jogos, o Fluminense já fez 4 gols com cruzamentos na área. O que era raro. Aumentou seu repertório.

E isso define os campeões.

Quem mais jogar certo. Quem mais tomar decisões corretas.

Passa pela formação de um grupo e um planejamento (macro), passa pelas decisões do treinador e passa por cada decisão dos jogadores dentro de campo (micro).

Futebol não tem manual. Futebol não tem fórmula. Futebol é cabeça, é pensar o tempo todo, até nos momentos em que todos pensam que é instinto.

 

Blog do torcedor do flu no Globoesporte, Futebolzinho.com. Gestão Técnica de Futebol e Análise de Desempenho pela Universidade do Futebol.

Comments

  1. Frank Cavaliere

    Muito bom Dedé! Esses campos pequenos de hoje favorecem essas linhas de defesa fechada. No campão antigo do maraca (o de verdade) ou atacava ou tomava um vareio!

    Ainda não consegui engolir esse Engenhão da Tijuca no lugar do Maracanã.

  2. Carlos Gaia

    “Futebol não tem manual. Futebol não tem fórmula. Futebol é cabeça, é pensar o tempo todo, até nos momentos em que todos pensam que é instinto.”

    E talento pra fazer acontecer.

    Muito bom como sempre .

    Abç