O que vi da primeira rodada

Esse post não será um resumo da primeira rodada do brasileiro.

Todos os sites e programas esportivos já fizeram mil resumos sobre essa rodada, de modo que tentarei poupá-los de mais uma análise chata e óbvia.

Então separei algumas coisas interessantes pra colocar aqui pra vocês:

1 – Primeiro gol do Santos

A imagem do gol todo mundo já viu. Esse é o momento anterior a ele.

É sempre nesse momento anterior que se cria a chance de finalização.

Reparem que o Santos conseguiu colocar 3 jogadores entre as linhas de marcação do Fluminense na entrada da área.

Vitor movimenta pra dentro, Richarlison (seu marcador na maior parte do tempo) fica no seu espaço de campo sem função, sem a leitura de também acompanhar essa movimentação e preencher o meio e o bom lateral santista faz o gol.

 

Essa movimentação dos laterais para gerar superioridade numérica no setor de meio campo e chegar ao ataque é uma tendência do futebol atual. Difícil de ser marcada porque pede uma leitura quase instatânea e como todo time marca por zona esses jogadores acabam ficando livres.

Richarlison por exemplo está na sua zona. E na entrada da área do Fluminense são 3 jogadores do Santos contra 2 do Flu.

2 – A inversão Jean/ Tchê Tchê de Cuca

Pega a escalação do Palmeiras antes do jogo. Jean na lateral. Tchê Tchê no meio campo.

No meio do jogo, por vezes, os dois invertem e essa jogada sai com muita facilidade. Jean hoje é quem faz melhor essa função no país. Tem boa técnica e ótima leitura para fazer no momento certo.

O Vasco está bem compactado. Duas linhas de 4 próximas e com poucos jogadores do Palmeiras no setor ofensivo. Tchê Tchê pega essa bola na lateral. Wiiliam abre pra dar amplitude, o lateral acompanha na marcação e abre um buraco na defesa do Vasco. Jean se projeta e chuta.

No rebote Guerra, o único jogador sem marcação (ali solto entre as duas linhas) faz o gol que selou o resultado, num momento do jogo em que o Vasco jogava até melhor.

3 – Terceiro gol do Palmeiras

Outra tendência do futebol moderno. Zagueiros que viram armadores e saem pro jogo.

Independente da qualidade deles, devem ser encorajados a fazê-lo. Carregando a bola lá de trás, também geram superioriodade numérica no setor de meio campo.

Zé Ricardo no Flamengo usa muito esse expediente tanto com Rever, quanto com o Vaz.

E o Mina, melhor zagueiro em atividade no país, é excelente nesse quesito.

Vasco até mais compactado que no segundo gol. Linha de 4, um jogador à frente e todos os jogadores mais ofensivos do Palmeiras marcados.

Essa movimentação dos zagueiros é muito interessante porque como todo time marca com sobra na sua defesa esses caras ficam livres pra jogar.

Mina mete essa bola no Tchê Tchê, de novo como lateral e Borja faz de cabeça.

Claro que nesses gols do Palmeiras há o dedo do treinador. Mas é necessário jogadores com capacidade e que sejam encorajados para realizar esse tipo de função.

A função única no futebol está extinta. Quanto mais jogadores com essa multiplicidade de tarefas, mais um time é competitivo.

4 – Rapidez de raciocínio no espaço curto

A sequência de fotos mostra algumas coisas:

  • A recomposição do Flamengo foi muito boa. Time bem treinado que dificilmente toma gol. Eram 4 jogadores contra 3 do Atlético. Tinha até sobra (foto 1).
  • Até que a tomada de decisão de dois deles foi errada. Duplicar e triplicar (foto 2) a marcação sobre o Fred.

Fred cercado por três. Sem nenhum espaço pra nada. Aqui não adianta nada ser veloz, agudo e bom driblador. Visão periférica e rapidez de raciocínio pra jogar sem espaço num futebol cada vez mais pegado. Um pequeno giro e um toque de canhota no espaço vazio para a projeção do excelente Elias, que acerta o ângulo.

5 – Cruzeiro

Vi uns 4 ou 5 jogos do Cruzeiro no ano. Nenhum me empolgou em nenhum momento.

Mas é impossível não colocá-lo no rol dos favoritos a brigar em cima porque o elenco fornece muitas opções para o Mano.

Reparem na escalação do Cruzeiro na final do Mineiro contra o Atlético:

Rafael, Mayke, Leo, Caicedo e Diego Barbosa. Hudson, Henrique e Arrascaeta. Rafinha, Sóbis e Tiago Neves.

Na estreia ontem: Fábio, Lucas Romero, Leo, Dedé e Diego Barbosa. Hudosn. Henrique e Arrasaceta. Rafinha, Ábila e Alisson.

São 5 mudanças. E todos jogadores, independente de gostos pessoais, absolutamente prontos para um campeonato brasileiro.

Ainda constam no elenco nomes como Lucas Silva e Fabrício.

Num ano em que as competições espaçaram e teremos muitos jogos importantes no fim e no meio de semana, essa quantidade de opções va fazer com que o time não oscile tanto em caso de saídas de jogadores.

6 – Bahia

Estreia muito boa com um sistema que pra muitos está ultrapassado. O Bahia foi o time que mais fez gol, mesmo jogando com uma trinca de volantes com um meia central (Régis, que arrebetou) na frente e dois atacantes.

Longe de ser o esquema da moda, deu muito certo nesse primeiro jogo, mesmo levando em consideração o time reserva do Atlético Paranaense.

São as primeiras considerações de um campeonato que está apenas começando.

Se algum de vocês tiver alguma questão (técnica, tática, física, médica, psicológica) que não tenha sido debatida nesses milhões de programas esportivos traz aqui pra gente no futebolzinho.com.

Afinal, nosso site é pra isso. Gerar esse tipo de discussão.

Abraços

 

 

 

Blog do torcedor do flu no Globoesporte, Futebolzinho.com. Gestão Técnica de Futebol e Análise de Desempenho pela Universidade do Futebol.

Comments

  1. Carlos Garcia

    Dede você acha que com o futebol veloz de hoje em dia é espaços reduzidos (tanto pelas novas dimensões quanto pelo físico dos jogadores), Ainda há espaço para um antigo 4-2-4?

    Penso em 4 postados atras, indo no máximo até o meio campo, 2 distribuidores e 4 atacando e recompondo no maximo até o meio campo.

  2. Dedé Moreira Post author

    Fala Carlos,

    é e foi utilizado com o Fergunson no Manchester United

    Carrick Scolhes no meio

    na frente Nani Rooney Berbatov e Cristiano Ronaldo

    Tudo depende da capacidade de um time ocupar espaços nos diferentes momentos do jogo

  3. André Fernandes

    Falando sobre o lance do segundo gol do Santos, onde vc entende que houve a principal falha?

    Vi muita gente criticar o Cavaliere por ter espalmado para dentro da área…o que me incomodou mais foi a liberdade que teve o Lucas Lima para fazer um passe na risca do círculo do meio campo e encontrar igualmente livre o Bruno Henrique dentro da nossa área. O passe foi muito longo e não tivemos ninguém para interceptar ou, ao menos, marcar o cara que ia receber….

    1. Carlos Gaia

      Vc tem razão, foi uma coisa que reparei tb, passe de uns 30/40 metros e nenhum pé pra triscar nele.
      Mas o Cavalieri podia sim ter segurado aquela bola, em outras teve desculpa de que foi um tiro, essa não tinha essa força toda não, parece que ele tem medo de frangar.

      ST

  4. Marcio

    Apesar de concordar com os desenhos táticos, não consigo entender o porquê do Arão não ter acompanhado o Elias até o final! Sei que o campo a grande e os jogadores marcam por setor, mas foi falha clara de marcação do Arão. Concorda? Parabéns pelo post!