Heróis alvinegros 2

 

Vamos ao segundo capítulo sobre os heróis da música e da literatura que tiveram a ventura – para usar uma palavra que lembra o nosso jovem e vitorioso técnico Jair – de torcer pelo Botafogo. Façamos antes justiça: muitos dos ilustres alvinegros citados no post anterior também estão elencados no livro “Entre o céu e o inferno”, de Sérgio Augusto, uma pequena (só no tamanho) história do Botafogo – aliás, é uma das melhores obras desse tipo que se pode encontrar na praça, recomendo fortemente a leitura.

Sérgio Augusto – um maestro do jornalismo cultural e, naturalmente, um botafoguense de quatro costados – nota que, desde seus primórdios, o clube de General Severiano teve a fama de atrair intelectuais. Numa sacada genial, ele arma o “Time-Cabeça do Botafogo”, que no livro aparece, no traço do cartunista Aroeira, perfilado como nas velhas fotografias, fazendo a pose em pé e agachado: João Saldanha (treinador), Olavo Bilac, Augusto Frederico Schmidt, Vinicius de Moraes, Paulo Mendes Campos, Fernando Sabino, Clarice Lispector, Sandro Moreyra e Armando Nogueira (comissão técnica), Glauber Rocha, João Moreira Salles (mascote do time), Otto Lara Resende, Luis Fernando Verissimo, Ivan Lessa e Antonio Candido.

Quem tem coragem de encarar um escrete desses?

Entre os escalados não citados na coluna anterior, Schmidt, além de poeta e dono de supermercado, foi cartola do clube; Vinicius dispensa apresentações, assim como Glauber (outros cineastas botafoguenses: Carlos Diegues e Ruy Guerra) e Verissimo (em Porto Alegre, ele é Inter); o cronista Ivan Lessa, filho de Elsie Lessa, quando garoto bateu bola com Heleno de Freitas nas areias da Praia de Copacabana; Antonio Candido, morto recentemente, foi o maior crítico literário do país. Armando Nogueira e Sandro Moreyra representam a melhor crônica esportiva (seguindo a tradição, hoje temos Arthur Dapieve e Arnaldo Bloch, que ao pé da letra não podem ser considerados cronistas esportivos, mas que volta e meia dedicam seus espaços no “Globo” ao Botafogo).

Sérgio Augusto ainda deixou no banco de reservas um alvinegro apaixonado: o crítico musical Lúcio Rangel. É dele a frase que considero a mais importante de todas as já escritas sobre o clube e que eu gostaria de ter bolado se tivesse o mesmo talento e tirocínio: “Sabe duma coisa? Eu não gosto de futebol; gosto é do Botafogo”.

Lúcio Rangel estaria dando pulos de alegria com a volta do Jefferson. Que goleiro com estrela, meus amigos. Retornar ao time depois de tanto tempo, e tirar todas as dúvidas sobre sua categoria e importância para o elenco, com a salvação de um pênalti e um punhado de defesas sensacionais, não é para qualquer um. A cada dia Jefferson escreve seu nome na galeria dos maiores jogadores do clube, um ídolo de química perfeita com a torcida.

Pela frente, temos o clássico contra o Fluminense. O Botafogo está diagnosticado com a conhecida síndrome que abate os times que disputam, ao mesmo tempo, o Brasileiro e a Copa Libertadores. Ficar ligado 100% nesta, e ter atuações meia-bomba naquele.  É preciso corrigir isso. Pontos perdidos agora poderão fazer falta no futuro, pensando na melhor ou na pior das hipóteses.

(Na próxima, destaque para os alvinegros da música. Só gente da pesada.)

Comments