Nenê e a inversão de valores

Nenê pediu para não viajar para São Paulo, conversou com a diretoria e deve abandonar o Vasco para jogar no exterior. Ao que tudo indica, a saída do meia deve se concretizar. Em caso positivo, só nos resta agradecer pelos serviços prestados e lhe desejar boa sorte.

Lamentar a saída de um bom jogador faz parte. Mas é aquilo: qualquer jogador que não esteja satisfeito em atuar pelo Vasco da Gama deve fazer isso mesmo, procurar seu caminho. Se a proposta recebida do Catar ou da Espanha, é irrecusável, ok. Se a saída se dá por uma insatisfação com o treinador, com a posição em que vem atuando ou substituições, lamento, mas não dá pra defender o Nenê.

Por melhor que seja, ver ataque de estrelismo em um jogador com 36 anos de idade é meio constrangedor. Dificilmente há no contrato do Nenê alguma cláusula que o impeça de ficar no banco, de jogar pelas pontas ou que lhe garanta a cobrança de todas as faltas na frente da área adversária. Estar insatisfeito com a posição em que joga, com o banco ou com constantes substituições é normal. Mas há formas e formas de se lidar com essa situação. Transformá-la em motivação para mudar a opinião do treinador é uma. Pedir para sair do clube toda vez que discorda de algo – e não é a primeira vez que Nenê faz isso – não é das mais positivas. Se estivesse em um grande clube da Europa, Nenê pediria para sair por estar no banco ou se tivesse algum problema com o treinador?

Por mais importante que seja para o time, Nenê não pode fazer o clube de refém, pedindo para sair a cada insatisfação. Até porque, qual seria a solução nesse caso? Dar a cabeça do Milton Mendes numa bandeja para o meia? E se o próximo treinador também quisesse que ele fosse mais eficiente na marcação?

O empresário do atleta, Gilvan Costa, acabou esclarecendo muito bem a situação. Ao declarar que “a partir do momento que o Vasco não o prioriza, é melhor encontrar um caminho bom para ambas as partes” fica clara uma total inversão de valores. Um clube com o tamanho e a história do Vasco não deve priorizar um jogador. O contrário é que é o certo.

As partes ainda devem conversar amanhã, para definir a situação. Ou seja, pode ser que no fim das contas Nenê resolva mais uma vez ficar no clube. Se assim for, ele precisa entender que o coletivo sempre é mais importante que o individual. E que mais importante que tudo isso é o Vasco.

Comments

  1. Paulo Eduardo Costa

    Se tivéssemos alguém que pudesse substituir a altura eu não falaria nada, mas é no mínimo irresponsável no momento que temos o futebol que temos (sofrível) e deixa-lo ir embora. Ninguém pensa no seguinte , se não fosse por ele, nesse campeonato estaríamos com menos 9 pontos (3 vitórias) e chafurdando no Z4.
    O jogador, qualquer que seja ele , precisa ser prestigiado, no caso dele o nosso querido técnico, fez exatamente o contrário. Pelo menos é o que eu enxergo. Perde-se Nenê sem ninguém de qualidade para seu lugar!!! Depois vão chorar e de nada vai adiantar….

  2. Japa Brito

    Já deu a sua contribuição, concordo com o que foi dito no post, bom atleta mas não é insubstituível e a instituição Vasco da Gama estará sempre acima de qualquer atleta e principalmente os que dão ataque de estrelismo aos 40 anos. Vai na fé!!!!