Demissão de Mendes foge ao estilo do Eurico

Primeiramente, é bom que se diga duas coisas sobre Eurico Miranda:

1) Para o bem ou para mal, Eurico não tem por hábito se render à pressões da imprensa ou da torcida para demitir treinadores;

2) Sejam quais tenham sido suas razões para tomar a decisão de demitir Milton Mendes, Eurico ao menos resolveu a situação em um bom momento. Antes que a crise chegasse de vez ao time.

Dito isto, é preciso lembrar também que esse é um ano eleitoral. E quando o presidente de um clube precisa de votos para se reeleger, não é uma atitude muito inteligente manter um treinador cuja torcida – incluindo aí os sócios votantes – quer ver longe.

O que vimos no Brasileirão de 2015 corrobora essa afirmação. Mesmo com o time afundando na tabela, Eurico demorou séculos para consertar a besteira que fez ao contratar Celso Roth como treinador do clube.

Talvez o Eurico tenha aprendido algo com o último rebaixamento do Clube. Mas se não aprendeu, também não há problema. Se essa rápida demissão – que não parece combinar com as antigas convicções do Dotô – aconteceu por motivos eleitorais, o que importa é que acabou trazendo um benefício para o time.

O problema é se houver outras razões para a saída do Mendes. Seu relacionamento ruim com alguns jogadores e a falta de chances que uns e outros tiveram no time certamente foram um incômodo não apenas para os próprios atletas. Os empresários desses jogadores também devem ter adorado a demissão do Mendes. Afinal de contas, quem não joga não aparece. E sem aparecer, os empresários ficam com seus “ativos” desvalorizados.

Tenha essa questão influenciado ou não o destino de Milton Mendes no Vasco, não temos como saber. Zé Ricardo, próximo de ser o novo técnico do Vasco, precisa ter liberdade para montar o time que achar melhor com as peças que terá às mãos. Vejamos se a escolha de um treinador jovem na profissão foi feita por sua qualidade profissional. E não por ser mais maleável com as possíveis pressões pela escalação de jogadores.

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