Campello não é a mudança que o torcedor do Vasco esperava

O que falar do resultado das eleições no Vasco? Ver as ações e falas do presidente eleito, o antigo médico das gestões Miranda, é o que basta. Alexandre Campello nem precisou assumir o cargo para dar uma ideia do que podemos esperar das suas atitudes no cargo.

Ele já começou muito bem esperando a véspera da votação dos conselheiros para anunciar seu rompimento com Julio Brant, declarar que se sentiu traído e pagar com a mesma moeda: se candidatar ele mesmo à presidência. Não sem antes, obviamente, costurar uma aliança com o grupo político ao qual sempre disse se opor.

Já eleito, Campello pôde falar bastante e muitas das coisas que disse foram preocupantes:

Atacou veementemente a Sempre Vasco (grupo político do Julio Brant), falou mal da atual gestão, reforçando sua posição de sempre ter sido oposição ao grupo do Dotô para. em seguida, cair em contradição dizendo que chega para apaziguar o clube e pregar a união das correntes políticas dentro do clube.

Também falou que Brant errou ao considerar na votação dos sócios uma vitória pessoal, quando na realidade foi uma vitória da união das chapas de oposição. O que ele convenientemente não cita é que sua chapa, a Frente Vasco Livre, era a quarta colocada nas pesquisas até bem próximo do pleito, mais de 10% atrás nas intenções de voto da chapa de Julio Brant. É muito oportunismo falar que a vitória foi coletiva quando sua contribuição na vitória foi menor (talvez menor até que a ajuda do Fernando Horta, que só se uniu ao grupo no dia da eleição).

E o que me parece mais grave: Campello reproduz o discurso de “respeito aos poderes” e “ao estatuto”, tão apreciado pelo Dotô. Ao dizer “Não podemos desmerecer o estatuto do Vasco, o Conselho de Beneméritos”, Campello deixa claro que não moverá uma palha para mudar o que é necessário na lei máxima do clube. E assim, os sócios continuarão sem poder eleger o presidente que querem, mas contar com a boa vontade de um conselho formado, em grande número, por pessoas que foram escolhidas por quem já está no poder.

(parêntese: sobre isso, procurem saber quantos Beneméritos foram feitos na gestão Calçada antes do Dotô virar VP e quantos foram feitos depois dele assumir o cargo. Sabendo desses números, ficará mais fácil entender a influência dos Miranda em um dos poderes do Clube)

Campello pode falar o quanto quiser. Mas diga o que disser, ele não vai mudar os fatos: NÃO FOI NELE que a maioria dos sócios depositou sua confiança no dia 07 de novembro. E tendo um passado de aliança com Eurico e tendo vencido com seu apoio, ele NÃO REPRESENTARÁ a mudança que todos os vascaínos queriam. A imagem que o novo presidente vascaíno passa é a de um dirigente oportunista, que identificou uma chance de chegar ao poder e não mediu esforços para conseguir o que queria. Mesmo que esses esforços tenham sido abandonar a chapa que lhe deu a chance de disputar a presidência e se aliar com quem o Dotô para conseguir o voto dos seus conselheiros.

Torcer por uma gestão pelo menos correta do Campello é o dever de todo torcedor do Vasco. Mas acreditar nisso, tendo sido eleito da forma como foi, é muito mais complicado.

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