É chato ser repetitivo.

Deprimente se sentir como sendo parecido com aquela moto insuportável do desenho Carangos & Motocas …

Mas o que está acontecendo com o Fluminense, culminando ontem com este triste episódio da reunião de seu conselho deliberativo, em que o presidente do clube teve que fugir de torcedores pela cozinha, é fado cantado, por mim e muitos, há anos, muitos anos.

A Flusócio é um movimento meramente político eleitoral, composto por pessoas sem condição técnica e capacidade de trabalho para gerenciar um clube de futebol (nem sei se têm para qualquer outra coisa). E o que é pior, não se convence do contrário. Acha que tem todas estas qualificações. Os famosos burros com iniciativa. Gente mais perigosa e destrutiva do mundo.

São preparados sim para, nos piores moldes da velha e suja política, criar mentiras e desqualificar a tudo e todos no sentido de chegar ao poder, fazer associações meramente eleitoreiras e escamotear descaradamente a realidade do clube que eles mesmo produziram. Criaram um time imbatível de batedores de boca nas redes sociais, inventaram factóides como estádio, austeridade, que notoriamente não existe, gastam uma dinheirama para manter um festival de gente sem um registro de trabalho decente na vida para fazer gestão e comitês de tomada de decisão onde ninguém assume responsabilidade. Um deles, inclusive, tem 1 ano de “ócio criativo” declarado no seu currículo e logo antes de assumir no clube. Trouxeram E & Y para, como é praxe no mercado, principalmente nas empresas com sócios longe de decisões táticas, dar estofo ao que na verdade são as suas próprias decisões e objetivos. Assim podem dizer, como sempre acontece: “Foram os caras, fodões do mercado, que disseram que este era o caminho” … bullshit.

Ou seja, têm ferramentas na manga para se esquivarem dos seus próprios erros, que são sempre dos outros, e se apropriarem de todos os acertos que não foram deles, como um Campeonato Brasileiro em 2012 ganho exclusivamente pela gestão do futebol feita pelo Celso Barros e a UNIMED ou um CT que foi feito exclusivamente por um torcedor abastado, que emprestou ao clube a preço de banana e ainda praticamente tocou tudo sozinho.

Ao contrário do que pensam muitos, eles não mudaram porque chegaram ao poder. Sempre foram assim. O poder e o resultado lastimável provocado por suas gestões são apenas evidências do que sempre idealizaram como metodologia e que sempre alguns agredidos e atacados como “fakes” ou “blogueiros de oposição” indicaram como um caminho péssimo para o Fluminense.

Cansei de participar naquele blog pedindo para que parassem de fazer política eleitoreira por 30 segundos e começassem a planejar o clube, seu futebol. Que criassem grupos de projetos específicos, que procurassem gente no mercado com experiência e capacidade técnica. Ninguém se mexe, ninguém se interessa. O único objetivo alí era angariar sócios pro clube, o que é positivo, mas se e somente se houvesse uma política correta de mantê-los e não somente gerar número para vencer as próprias eleições. E um monte de bobalhões achando que basta ter poder de voto para mudar alguma coisa … não adianta ter direito a voto se não há opção de escolha e cooptação àquilo que se acredita.

Ahhh, as eleições … tudo o que realmente interessa. Tudo por ela. São experts nisso.

Reclamei, pontuei, expus, mas o contraponto gerou o meu bloqueio lá … só querem apoio para estarem permanentemente no poder, sem essa de discutir soluções e receber sugestões … todos naquele blog, que é a sua única interface, onde são os poderosos, donos da verdade, que bloqueiam aquilo que não concordam ou não querem ver exposto, são ignorados, inclusive os situacionistas de carteirinha que apoiam cegamente em troca de ficar de bem com a “cúpula”, num tesão patológico de estarem pertinho do poder, achando que de alguma forma participam dele.

Todos que se aproximam e tentam ajudar o Fluminense hoje ou são sumariamente rechaçados e desqualificados ou são sugados e jogados fora, como o Pedro Antônio e o próprio Celso Barros. Não há a mínima intenção de dividir o Fluminense com ninguém. “É MEU, GANHEI NO VOTO E FAÇO O QUE QUERO!” Pensam o Fluminense deles do tamanho deles. É um nódulo egoísta que se agregou ao organismo e suga os seus recursos sem permitir que ninguém se aproxime. Nódulo que não se incomoda de estar matando o seu hospedeiro.

O poder com a busca por privilégio pessoal, em detrimento dos benefícios gerais, é o que destrói todos os sistemas e os negócios.

O resultado não poderia ser outro. O Fluminense, seguramente, está no PIOR MOMENTO DA SUA HISTÓRIA, depois de viver um ciclo virtuoso de conquistas há poucos anos. Nem quando fomos rebaixados por 3 anos seguidos vi a instituição tão fraca e desvalorizada.

Jogadores se recusando a jogar lá, jogadores saindo falando horrores, que vemos hoje que eram verdadeiros. Absurdos administrativos gerando prejuízos enormes em todas as esferas. Ações nitidamente jogando deliberadamente dívidas para serem pagas com juros enormes judiciais para próximas gestões. Ausência total de defesa institucional. A ridícula comunicação só funciona para defesa exclusiva do grupo Flusócio, porque contra a instituição Fluminense, FODA-SE. Um programa sócio torcedor que só o engana e não entrega o que promete. Enfim, tudo que um dia funcionou, acabou. todas as mentiras vieram a tona e a casa caiu, literalmente.

Não ter mais um time de futebol que, segundo eles próprios, surpreenda os seus adversários (a vitória sempre será uma surpresa), é só uma consequência disso.

E agora, há poucos meses, ainda anunciam que fizeram e vão lançar um livro sobre sua “gloriosa” história. Quanta arrogância e foco exclusivo em si próprios usando o ainda enorme chapéu do clube. O momento é ótimo para lançar, né? É capaz de vender pra caramba … aqui nesta nossa cultura (ou ausência dela), infelizmente, notoriedade, mesmo que seja por falta de competência e ética, gera muito mais interesse do que notabilidade.

Poderia estar simplesmente “walking & shitting” para isso, mas o que está sendo feito no Fluminense mata a alegria e a paixão de milhões (será que ainda são tantos) de torcedores e eu sou um deles. Atrapalha as nossas vidas.

Mas tudo bem, vem aí Hernane Brocador e Rafael Vaz … um reserva do Bahia e o outro o segundo jogador mais odiado do concorrente direto (o primeiro era o Muralha), que estava louco pra se livrar dele … agora vai.

Hoje, poucos acreditam que o Flu consiga passar pela Caldense na Copa do Brasil … mas estarei torcendo, é mais forte que eu. Afinal, ainda sobrou uma camisa que os caras não conseguiram e não conseguirão destruir.

Antônio Ramos avatar

Ex-jogador, auxiliar técnico e instrutor de futebol, escrevendo sobre o tema há mais de 20 anos. Torcedor do Fluminense Football Club.