Guardiola, Kasparov e o favoritismo do PSG

Amanhã tem Real e PSG.

Nas redes sociais, nas minhas conversas particulares, nos programas esportivos, o PSG é dado como favorito pela maioria dos participantes.

Eu considero o PSG favorito também.

E aí a gente para pra ver uma grande maioria apostando contra um time que é o bicampeão do torneio e que ganhou 3 das últimas 4 Champions.

Pra se ter uma ideia da dificuldade disso, o último bicampeão foi o Milan em 1989 e 1990.

Ganhar 3 das últimas 4 edições, aconteceu com o Bayern de Munique e com o Ajax na década de 70, quando os dois foram tri-campeões.

Não à toa, Alemanha e Holanda fizeram a final da Copa de 74.

É raro uma grande maioria considerar favorita uma equipe que joga contra a bicampeã do maior torneio de futebol do planeta e que manteve todos os seus jogadores campeões.

A pergunta martela minha cabeça há meses: Por que eu também considero o PSG favorito?

Não é pelo nível técnico, físico ou tático de um em relação ao outro.

Também não acho, como muitos, que seja pelo fato de um estar sobrando no seu campeonato nacional e o outro estar fazendo um Campeonato Espanhol muito abaixo das expectativas, uma vez que o Campeonato Francês e o Espanhol são realidades distintas e a disparidade do PSG em relação aos outros, na França, é maior, na minha visão, do que a que ocorre no espanhol.

Por que então?

E ontem lembrei dessa história, que li no primeiro livro do Guardiola, vou compartilhar agora e me deu a resposta que eu queria pra justificar esse favoritismo.

Guardiola e Kasparov estavam jantando juntos.

Pra quem não sabe, Garry Kasparov é um dos ou o maior (eu não entendo de xadrez) enxadrista de todos os tempos. Um gênio do esporte.

Naquela noite, Kasparov tecia muitos elogios a um jovem enxadrista norueguês (22 anos), afirmando que seria o próximo campeão do mundo, o que de fato ocorreu.

Kasparov chegou a treinar este enxadrista em 2009 e detalhou algumas fraquezas que o jovem teria que corrigir se quisesse dominar o mundo dos tabuleiros.

Foi então Guardiola perguntou a Garry Kasparov se ele seria capaz de vencer o emergente campeão norueguês.

A resposta surpreendeu o espanhol: ” Tenho capacidade para derrotá-lo, mas é impossível.

Guardiola retruca: ” Garry, se você tem capacidade por que não conseguiria vencê-lo?

Kasparov foi mais seco: ” É impossível”

Guardiola, teimoso, insistiu mais uma vez e  Kasparov repetiu a sentença: ” Impossvel”.

Guardiola é teimoso e jamais iria pra casa sem saber a resposta. Decide, então, esperar outra oportunidade naquela mesma noite.

Guardiola havia acabado de deixar o Barcelona depois de um período absurdamente vitorioso, por puro esgotamento e por isso aquela resposta era tão importante pra ele.

Em algum momento do jantar, as esposas presentes no encontro desvendaram o enigma: Por que um mestre lendário como Kasparov era incapaz de derrotar um rival?

Cristina, esposa de Guardiola, falou: ” Talvez seja um problema de concentração”.

Daria, a esposa de Kasparov, veio com a resposta: ” Se fosse uma só partida e durasse apenas duas horas, Garry poderia vencer. Mas não: A partida se prolongaria por 5, 6 horas e ele não conseguiria viver outra vez todo o sofrimento de passar tantas horas seguidas com o cérebro funcionando a todo vapor, calculando possibilidades sem descanso. Carlsen é jovem e não tem consciência do desgaste que isso provoca. Garry tem e não gostaria de passar por isso por dias a fio.”

Sofrimento…

Processos…

Sacrifícios…

O Real é um timaço, mas hoje ganha quando dá, e, por ser um timaço, ainda ganha muito.

Mas aquele time que foi buscar o empate contra o Atlético de Madrid, no último lance da decisão, não existe mais.

O PSG é o contrário. Ninguém investe tanto pra ganhar o Campeonato Francês.

A fome é toda do PSG. São os jovens que desconhecem limites contra quem se sacrificou muito pra chegar onde está e sabe o preço desse esforço.

O PSG é o grande favorito desse confronto e quem me deu essa resposta foi a esposa do Kasparov, há alguns anos.

Resposta ampla, que não vale somente pra esse confronto, vale pra  planejar e definir quando desmontar um elenco vencedor: Quando a paixão acaba!

Abraços

Tabelinha

  • O PSG é meu favorito pra Champions.
  • Daqui a algumas horas esse texto pode estar sendo usado contra mim, rs. Mas eu prefiro, mesmo, escrever antes, do que fazer o óbvio depois de saber o resultado.

 

 

 

Blog do torcedor do flu no Globoesporte, Futebolzinho.com. Gestão Técnica de Futebol e Análise de Desempenho pela Universidade do Futebol.

Comments

  1. Antônio Ramos

    “Resposta ampla, que não vale somente pra esse confronto, vale pra planejar e definir quando desmontar um elenco vencedor: Quando a paixão acaba!”

    Brilhante! O problema é quando eles são desmontados no auge da paixão, por acharem que a paixão não é fundamental em todos os momentos.

    Sempre em altíssimo nível, irmão !

    Grande abç!

  2. Abigail Cavazos

    Excelente Dede! Sempre bom te ver nesse espaço! Compartilho de sua visão, vejo o psg favorito por algum tempo, mas um time com Neymar tem tempo de validade. O garoto parece desmotivar depois de um tempo e quer novos ares

  3. André Fernandes

    Eu costumo concordar que elencos vencedores tem um prazo de validade.
    Aí vem a pergunta, será que tem uma maneira de prolongar esse prazo?
    Montar times campeões da trabalho e custa $ e seria interessante entender como abordar isso e esticar mais algum tempo com o time motivado.

    Excelente texto!