A verdade por trás do “chororô”

Chororô, segundo o dicionário informal: “Lamento, lamuria, chôro, reclamação”. Tem como sinönimo direto, não oficial, o atualíssimo verbete “mimimi”.

Alguns poucos ainda devem se lembrar da origem da utilização do termo chororô aqui no Campeonato Carioca.

Viram o título do vídeo?

Desde então, o Botafogo ficou taxado como o time do chororô. Com direito até a musiquinha de arquibancada. Um luxo. Sem falar nas gozações diretas feitas por jogadores em campo, jogadores do Flamengo, diretamente beneficiado por estes erros. Gozações que não são o fim do mundo, mas não me parecem apropriadas.

Recorrentemente as reclamações contra “erros” de arbitragem são definidas como “choro de perdedor”. Pelos favorecidos, claro. E nas teses de defesa disso vem aquela máxima bizarra de que o erro de arbitragem é normal no futebol e, pior, que faz parte da graça do jogo, gerando discussáo nos bares, mantendo a paixão. E isso quando, na grande minoria das vezes, eles são admitidos pelos favorecidos, porque o normal é dar de ombros pra evidências e fatos e dizer, às vezes até mesmo se forçando a acreditar, que simplesmente o erro não aconteceu.

O problema é que um dia o favorecido pode ser o prejudicado. E, é claro, o discurso muda imediatamente … produzem estatísticas, evidências, propõem afastamento de árbitros, impugnação de partidas etc.. Igualzinho aos que comumente chamam de “chororô”. Dias da caça e dias do caçador.

Ruim, mas uma incoerência prá lá de humana, principalmente quando há paixão e competição envolvida, além de uma série de “gaps” culturais e educacionais a serem resolvidos.

A verdade é a seguinte e já expus isto aqui em uma coluna há algum tempo: não há interesse real em fazer do futebol um jogo justo, no que diz respeito à arbitragem. A forma como o futebol é arbitrado, num campo de 7000m2, é pra lá de ineficaz e a subjetividade da regra, que fica a cargo, de fato, de um único elemento, que tem a capacidade de decidir ou interpretar tudo do jeito que bem quiser, dá margem para cada um pensar tambem o que bem entender, seja numa  visão de ineficácia, seja numa visão de manipulação intencional.

Taxar o prejudicado por erros de arbitragem como “chororô” ou outro termo pejorativo é estar submetido a interesses que nem sempre são republicanos, usando um termo atual.  A tentativa de transformar o jogo em “fair” a fórceps, colocando comentaristas de arbitragem para defender corporativamente todo o tipo de erros e manipulações, comprova o quanto esta forçação de barra é interessante mercadologicamente e financeiramente.

Em 2013, com o mal explicado episódio envolvendo a Portuguesa, Flamengo, Fluminense e sei lá mais quem,  criou-se também um outro conceito manipulativo que não colabora em nada para que o futebol esteja mais moralizado e confiável: o do time que “ganha no campo” , mesmo que não cumpra os regulamentos … uma bizarrice sem qualquer fundamento lógico, mas que no fundo é uma metástase do mesmo cancro.

Enfim, fica para reflexão de cada um. Eu, da minha parte, continuarei “chororando” todos os erros ou manipulações de arbitragem, contra o meu e o seu time, reiterando que cada um deles atrapalha e muda o rumo da partida e, mais, mesmo que haja, nenhuma compensação o minimizará. Assim sendo, tudo deve ser feito para evitá-los.

Mas como disse antes, não parece ser, definitivamente, o que a maioria quer. Nem a maioria dos torcedores e nem, principalmente, dos que se beneficiam financeiramente do esporte, seja como for o modo que alcancem estes benefícios.

OK, mas para os torcedores em geral, pelo menos, eu digo:

Há interesses manipulativos envolvidos no erro de arbitragem, há uma máquina com um canhão enorme para executar isso e você pode se submeter a isso ou não, cada um com as suas escolhas. Mas faz um favor aqui pro seu amigo? Se você não se incomoda e até comemora quando é favorecido irregularmente, não reclame quando for prejudicado, porque foi você mesmo que retroalimentou esta máquina e todos os interesses envolvidos nisso.

Talvez evoluamos um dia e entendamos que a vitória só terá todo seu valor quando conquistada com justiça. Quem sabe …?

Abraços.

Ex-jogador, auxiliar técnico e instrutor de futebol, escrevendo sobre o tema há mais de 20 anos. Torcedor do Fluminense Football Club.

Comments

  1. Carlos Gaia

    Ninguém falou dos 2 pênaltis não “interpretados” pelo Wagner de alguma coisa do vasco contra o Botafogo…nem os botafoguenses, mas pq ganharam, caso tivessem perdido, ficariam neste “chororô”.

    Aliás, o mesmo Wagner que não viu o empurrão do Rever no Gum ano passado, que deu um gol aos framengos e por consequência o título, com direito até a torcida e vibração no gol. Fosse o contrário a mamãe grobo até suspenderia o apitador.

    ST

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