Reparem como é montado o elenco do Fluminense:

Goleiros – 4

Zagueiros – 6, com a chegada do Nathan (impressiona como o Autuori se apega a seus jogadores)

Laterais – 4

Meio campistas de funções predominantemente defensivas – 4 (Norton, Richard, Airton e Marlon Freitas)

Meio campistas de funções defensivas, mas que também participam de funções ofensivas – 4 (Jadson, Douglas, Dodi, Caio)

Meio campistas ofensivo – Sornoza, que funciona como organizador, diferente de como jogava no Del Valle e Luquinhas.

Atacantes – 7 (Pedro, Marcos Junior, Pablo Dyego, Calazans, Mateus Alessandro, João Carlos, Robinho, Dudu)

32 jogadores. Não é um elenco muito numeroso.

Entre goleiros e meio campistas com funções predominantemente defensivas temos 18 jogadores. E ainda temos 4 volantes que jogam. São 22 jogadores que defendem mais do que atacam.

Apenas 1 meia de origem. Luquinhas é brincadeira né?

Nenhum meia que rompe defesa e chega na área.

Nenhum meio campista que consegue executar todas as funções atinentes ao meio campo: Ocupar espaço, marcar, jogar, organizar e dar suporte ao ataque. O Grêmio por exemplo possui 3 desses jogadores: Ramiro, Arthur e Maicon. Alguém arrisca dizer se são meias ou volantes?

No Fluminense é tudo delimitado. O time tem 4 jogadores que praticamente só marcam (3 zagueiros e Richard), 2 alas, 2 meio campistas que organizam o jogo, mas que jogam muito longe da área e 2 jogadores apenas com funções predominantemente ofensivas.

É o desequilíbrio em campo espelhando o desequilíbrio do elenco.

As ações ofensivas ficam muito prejudicadas por esse modelo de jogo, que engessa o time e deixa o jogo muito feio.

Vamos a alguns dados que explicam por que o modelo escolhido por Abel não vai funcionar, principalmente nos pontos corridos:

Se a gente pegar o nosso primeiro tempo contra o São Paulo, os jogadores que mais deram passes foram: Richard (30), Renato Chaves (22) e Gum (17).

No São Paulo, que jogou melhor os 3 caras que mais deram passes foram: Liziero, Petros e Jucilei.

Outro ponto: No mesmo primeiro tempo, o Fluminense teve um pouco mais de posse de bola que o São Paulo (51,4% a 48,6%). Mesmo assim, o São Paulo trocou 168 passes contra 161 do Fluminense, mostrando que a circulação de bola deles foi mais rápida, porque a velocidade de processamento de meio campistas e laterais é, normalmente, maior do que a de zagueiros.

No Grêmio do Renato, por exemplo, Artur e Maicon, estão entre os 3 que mais trocaram passes nos 2 últimos jogos deles.

O Grêmio não utiliza volante de contenção e nem 3 zagueiros. Jogou 8 vezes no ano com Artur e Maicon como “volantes”. Fez 20 gols e sofreu 1. O segredo: A retenção da bola como forma de se defender. Parece básico né? E é.

No segundo tempo do jogo contra o São Paulo e obrigado a jogar pelas circunstâncias, Abel mexe no modelo, o Fluminense faz seu melhor tempo de jogo no Brasileiro, a torcida vai junto, o time empata e quase vira.

Abel tira um zagueiro e coloca o time pra frente.

E vamos a mais números que mostram o motivo da melhora.

No segundo tempo os 3 caras que mais passam a bola no Fluminense são Richard, Léo e Sornoza. Enfim, o jogo sai da zaga e volante e ganha o campo com um ala e um meia.

A posse de bola dispara pra 57,3% e a quantidade de passes sobe pra 204 com 90% de aproveitamento no passe (no primeiro tempo tinha sido 83%).

Com isso, a quantidade de finalização aumenta também (de 3 sobe pra 8, mais que dobra).

Sai o empate, duas bolas na trave, oportunidades e uma atuação que fez o torcedor aplaudir o time no fim do jogo.

No fim do jogo estava todo mundo falando em luta. Claro que teve luta. Mas acima de tudo, teve um modo de jogar agressivo, buscando o gol, sufocando o adversário.

Querem outro exemplo?

O segundo tempo do Fluminense contra o Corinthians. O Fluminense leva um gol e vai buscar o empate, quase vira o jogo e é castigado no final, justamente quando para de agredir pra segurar o que naquele momento era um bom resultado.

Ah Dedé, mas se aquele chute do Everton entra o São Paulo faria 2 a 0 e o jogo acabaria ali. De fato, ficamos expostos ao contra-ataque. É o que chamo de risco inerente ao processo.

No primeiro tempo levamos um gol de escanteio com o time todo (alto e com 3 zagueiros) dentro da área.

Você, torcedor, quando vai ao Maracanã prefere perder jogando como no segundo tempo ou como no primeiro?

Tabelinha

– Mesmo com o time mais adiantado no segundo tempo, o gol sai mais uma vez numa bola alta, jogada pra área e num lance que o Fluminense contou com um pouco de sorte. Falta repertório ofensivo, mas isso é assunto pra uma próxima oportunidade.

 

 

 

Dedé Moreira avatar

Blog do torcedor do flu no Globoesporte, Futebolzinho.com. Gestão Técnica de Futebol e Análise de Desempenho pela Universidade do Futebol.