Jadson abre pra Gilberto, que faz a finta, puxa paro meio e rola para Marcos Júnior, que UUUUHHHHHHHHHH…….. Novamente Jadson, Gilberto, recebe Pedro, abre para Sornoza, que UUUUUUUUUHHHHHHHH… Triangulação, mudança de posição, carrossel, tiki-taka e UUUUUUUUHHHHHHHH!!!!!!!!

E tome UUUUUHHHHHH!!!!!

Amigos, cansei de ser enganado. O patrão ficou maluco! Eu quero é preço! Só na Ricardo! Sim, sou levado pelas propagandas enganosas/duvidosas desde que as Casas da Banha eram “muito mais você” – desculpem, gerações Millennials, X, Y ou pi, tem no Google ou no museu mais próximo.

Em cinco dias, lembrei do Fluminense campeão brasileiro de 2012 por duas vezes. Mostrou, no Everest de Potosí, o brio que transbordava naquele time. E, com uma escalação infinitamente pior, teve uma atuação superior a qualquer uma das 38 daquele elenco estrelado.

Mesmo assim, perdemos.

Eis, então, meu ponto. Quero saber hoje, 17 de maio, qual Fluminense devemos esperar para o resto da temporada. São raríssimas as derrotas que, se não nos orgulham, pois gigantes somos, ao menos nos dão a esperança de um norte. É esse nosso time? Vai dar caldo.

Eu quero acreditar. “Porém, não me iludo mais” (ave, Tim). Não serei um botafoguense fascinado com o melhor-futebol-do-país de um nono colocado. Tampouco um vascaíno este-ano-vamos-para-as-cabeças-ih-caiu. Que dirá um flamenguista rumo-a-Tóquio. Muito menos uma Chapecoense esperando aquele monte de jogador europeu que prometeu jogar o Brasileiro.

O que nos reserva este Tricolor?

Desde o mágico ano de 2012, fomos relegados ao meio (para baixo) da tabela pelas gestões Peter/Abad – sem contar um rebaixamento que só não veio por uma providencial ajuda do Flamengo. Sobrevivemos. E agora?

Disse lá em cima que cansei de ser enganado porque sou daqueles tricolores que se empolgam. De verdade. Em 2005, com o próprio Abel, vi o clube na Libertadores depois de duas décadas. Era tanto tempo que eu achava, honestamente, que o torneio era só para São Paulo, Grêmio, Cruzeiro…

Sonhei com Horcades falando em Luís Fabiano, Diego… E numa sequência final desastrosa, entendi que palavras fazem mais estrago que uma zaga pavorosa como Gabriel Santos e Igor, o primeiro Perigor.

Puxando o filme para frente, meus olhos brilharam com o Flu de Cristóvão Borges. Meu companheiro de Flupress Gustavo Albuquerque o chamava então de “bruxo”. Esquema envolvente, toques rapidíssimos, deslocamentos na velocidade da luz… E, de repente, o horror. Contra-ataques dos adversários em profusão que o Cristóvão jamais conseguiu resolver.

A sequência de Enderson, mesmo que ressabiado, me fez sonhar. E, não vou negar, apostei que Ronaldinho pudesse ser a faísca que faltava para levar um time aguerrido e jovem à Libertadores. Errei rotundamente. Não me arrependo.

No ano passado, novamente, deixei Abel me levar – Abel leva eu. A lesão do Scarpa (esse gênio de gestão de carreira) fez nosso técnico montar um 4-3-3 cheio de velocidade, habilidade e frescor. Até manjarem os pontas. Viramos uma equipe previsível.

Mas, desde seu último retorno, Abel virou o Fluminense, o Fluminense virou o Abel. E Abel parece um rabo de lagartixa – não adianta cortar, ele renasce. Eu estava menos esperançoso que um vascaíno na Libertadores com um ataque formado com Marcos Júnior e Pedro. Já previa nosso rebaixamento em agosto.

Hoje sim? Hoje não. Não em 2018.

Sejamos sinceros. O elenco é fraco, mas ele vai. E vai. E vai. Aqui e ali até foi reforçado com algumas peças mais cascudas, para não deixar estourar nas costas da molecada de Xerém, puxada do sub-12 para o profissional.

A irresponsabilidade – quase criminosa – da atual gestão na montagem do elenco para o Brasileirão está sendo compensada pelo seu único grande acerto: a contratação do Abel.

Se não for pedir muito: não atrasem salários; não aporrinhem o técnico; não vendam os moleques este ano por duas mariolas; deixem sua politicalha rasteira para o Senadinho e as provincianas reuniões dos Conselhos. E, reforçando: não atrasem salários.

Se o Fluminense fizer o mínimo fora de campo, é bem possível que, em campo, seja Fluminense – e, deste, os tricolores se orgulham.

Queremos acreditar. Deixem a gente sonhar.

PALMAS PARA QUEM?

Os dois jogos que temos pela frente são fundamentais para o pré-Copa e o ânimo para o restante da temporada. Atlético-PR, que depois de muito tempo virou um contumaz freguês, e a Chapecoense, que para nós é mais difícil que o Cosmos com Pelé e Beckenbauer.

Um jogo no domingo, outro no sábado. Boa oportunidade para a torcida chegar junto e embalar de vez. Mas não é só da torcida que é preciso pedir apoio – cobrar, a gente cobra da diretoria, não da torcida.

O GEPE bancou, mesmo com a bizarra proibição da Conmebol, a liberação de bateria e bandeiras da torcida do Flamengo contra o Emelec. Bato palmas. Era um absurdo. Só espero que haja a mesma boa vontade com a torcida do Fluminense – já que, no Brasileiro, sequer há proibição.

O Flamengo fez pressão. Pois, que o Fluminense faça o mesmo. A PM tem afundado as torcidas em burocracias mil. Elas devem correr atrás também, mas o clube tem o dever de ajudar. Se uma organizada está suspensa por brigas, jamais vou discordar da ausência. Mas ela não poder fazer sua festa por falta de cadastro ou carteirinha é absurdo. E o Flu tem, hoje, torcidas pacíficas e movimentos populares que se encaixam neste exemplo de má vontade do poder público.

Ultimamente, a torcida do Fluminense, quando muito, conta com um surdo – que além de surdo, parece mudo, de tão inaudível. É uma plateia do Jô, batendo palminhas para o Jorge Vercillo. Um horror.

Ajude sua arquibancada, Fluminense. Cobre isonomia. Apenas isso.

– Ayrton Beijoca fará mais falta que o Neymar à Seleçãona última Copa. Caio Barbosa me convenceu. O Marlon é muito fraco.

– E o Renato Chaves? Já viram os bastidores do jogo em Potosí? Enquanto o fortíssimo Pablo Dyego estava sofrendo no oxigênio, ele pedalava tranquilamente na bicicleta ergométrica. Foi o melhor jogador na altitude. Contra o Botafogo, voltou ao normal. Vai explicar…

– Marcos Júnior, me ajuda a te ajudar… Devo admitir que é hora de testar opções.

– Não é o mundo bizarro do Super-Homem nem o Upside Down de Stranger Things, é verdade: está dando gosto demais ver nosso Dom Queixote em campo.

– A Flusócio, que me bloqueia em algumas redes sociais, pegou a montagem que fiz na última coluna para ilustrar seu último post sobre altitude. Tudo bem, é só uma montagem trivial, usem à vontade. Fico lisonjeado.

– Com um jogo a menos, o Vasco pode até ser líder do Brasileirão. Mas é como a piada da vaca em cima da árvore. Ninguém sabe como foi parar lá, mas todo mundo sabe que vai cair – ao menos da árvore. É o destino.

Jornalista e pitaqueiro, andou metendo o bedelho no GloboEsporte.com, LANCE! e no balcão mais próximo.