Chega a ser criminosa a campanha que é feita recorrentemente contra o torcedor tricolor, dentro do próprio clube, pela sua gestão, fomentando uma justificativa bizarra para o estado lamentável em que o Fluminense se encontra.

Estado este que pode ser surpresa para muitos, mas não pra mim e pra muitos que durante tantos anos temos visto o que tem acontecido. Costumo dizer que nunca torci tanto para estar errado. Não estava.

Não, queridos, o que tem sido escancarado e vemos este ano não é diferente dos últimos. O torcedor tenta, vibra com cada vitória, passa a acreditar no inacreditável com um ou dois resultados positivos, trabalha numa sanfona gigante encolhendo e esticando treinador e jogadores, do inferno ao céu, da água barrenta pro corte bordalês.

Ao contrário do que tentam fazer crer, a torcida não desiste do clube. E é justamente isso que ainda mantém o Gigante Fluminense com possibilidade de cura.

Torcida está afastada dos estádios, da TV, do PPV, sim. Qualquer um que tenha a coragem de criticar isso está vivendo um mundo paralelo, sem qualquer noção da realidade, com inocência demente ou má fé criminosa. Falando dos inocentes dementes, por que o criminoso é criminoso e ponto final, já é definitivo, será possível que alguém consegue não compreender que ela ainda está muito menos afastada do que poderia ou, porque não dizer, se pensarmos que precisamos ter dignidade e amor próprio pra viver, deveria? Muito menos, queridos! E ela tem TODOS os motivos pra desaparecer. É um casamento em que um ama e o outro o despreza, o usa e suga seus recursos pra te trair.

Os que se afastaram, deixando de gastar o que não têm para dedicarem aos seus, uma vez que este amor clubístico paralelo não os têm dado quaisquer perspectivas de sobrevida, ainda não se desligaram do Fluminense.

Não, meus caros. Eles vêem o jogo de soslaio, lêem os cadernos esportivos escondidos com a capa da primeira página, juram não querer mais saber, mas sabem de tudo. Como eternos amantes, querem saber da saúde e do sentimento daqueles que optaram por deixá-los de lado. Procuram uma simples fagulha para se entregarem de volta à sua paixão. Só precisam que este amor seja minimamente correspondido ou reconhecido. O torcedor não quer nada do Fluminense, só que ele demonstre que quer ser vencedor, como um pai ou mãe em relação a um filho. Basta uma bunda de vagalume acender e eles todos voltarão. Como aconteceu no sábado último.

Será que em nome de objetivos pessoais, sei lá quais, não tenho provas para acusar do que desconfio, em nome de poder barato, em nome de ter um espaço ou um recurso no mundo que não tiveram competência ou talento para conseguirem por si só, vão continuar matando o Fluminense? Não conseguem ser do tamanho dele e querem que ele seja do tamanho que eles conseguem enxergar, mesmo que isto custe o seu fim. É burro e patológico. É desamor.

Ainda sobrou a camisa. Ela ainda é gigante. Nunca se precisou tanto dela. E ela hoje não é tricolor. No fundo é da cor da carne de cada torcedor desses que espera ansioso pra usá-la de novo, como um pai neófito que renuncia à sua própria imagem pela do seu filho. O motivo é simples: pro torcedor do Fluminense, o mundo continua sendo todo em tons de verde, grená e branco que, cientificamente escolhidos, ao serem combinados, simulam o cinza vibrante original, por mais que o desbotem ou, pior, o escureçam.

Só há uma saída: tragam estes caras de volta, custe o que custar. Sem isso, é fim. Espero que eu esteja errado e não seja fim o objetivo.

Abs

PS: Perdão, Flupress, pela intromissão indevida … e obrigado,Tolívia, pela maravilhosa imagem que “roubei” da sua resenha. Resigno-me a ser um “ladrão comum”, mas pensando bem, ainda acho que é melhor eu usá-la do que outros que a usaram, né?

Antônio Ramos avatar

Ex-jogador, auxiliar técnico e instrutor de futebol, escrevendo sobre o tema há mais de 20 anos. Torcedor do Fluminense Football Club.