Depois das minhas experiências no futebol, ao qual dediquei grande parte do meu tempo e espaço de vida, sendo um jogador esforçado e medíocre, um instrutor pentelho e exigente, um torcedor crítico e ácido, parecido com o instrutor, transformado num comentarista “pseudo paladino” da justiça, procurava há algum tempo um lugar pra parar e expôr minhas visões sobre tudo que o esporte bretão representa em todos os seus aspectos.

Como todo cara extremamente sincero e sem muitas papas na língua, tive muitos problemas em diversos aspectos pelo meu caminho. Sujeitinhos como este escriba costumam ter taxas altas de rejeição, por cismar em procurar feridas escondidas e pôr o dedo nelas. Mas tento garantir naquilo que faço, uma atitude honesta e desvinculada de interesses e sempre, em todos os momentos, sem nenhuma pretensão de ser exemplar ou algo inquestionável que deve ser seguido.

Para pessoas assim, suarentas, o raciocínio requer uma dose maior de esforço, até mesmo para superar algumas reações intensas, que sempre existem. Não sei se consigo os objetivos. Sou crítico comigo mesmo com muito mais intensidade do que com o que há a minha volta e, sendo assim, tendo a achar sempre que não estou indo bem como deveria, mas sou determinado o bastante para nunca desistir.

O final disso é que aprendi com a experiência de vida que temos sempre muito mais a aprender do que a ensinar e, mais, muito a melhorar e rever. Assim é desde o início e será até o fim desta aventura que vivemos aqui. Adoro ser convencido e curto a sensação de ter conseguido entender algo de forma diferente, sem nenhum medo de assumir que estava errado. Evidentemente, isto requer excelentes argumentos para acontecer, pois remontar valores e conceitos não é uma tarefa simples e a única coisa que temos certeza no momento de mudar qualquer coisa é que haverá resistência.

Aliás, um ponto aqui: quem já me leu sabe que adoro um contraponto. A concordância ou não com algo está longe de ser o mais importante pra mim. O que me faz crer nas pessoas e querer lê-las é a capacidade de me gerar reflexão, convencimento ou enriquecimento dos meus próprios argumentos, me ajudando a chegar às minhas próprias conclusões. Lógico, coerência é fundamental nesse processo, mas até uma incoerência devidamente justificada pode ser muito válida. Afinal de contas, sem incoerências e desafios, não há evolução.

Antes de chegar por aqui, costumava ler em mídias tricolores o meu amigo Dedé Moreira, com a qualidade diferenciada das suas análises táticas, enriquecidas com informações estatísticas e com doses equilibradas de visão de torcedor, que na maior parte das vezes se encaixava (e ainda se encaixa) com os meus entendimentos.

Então, fiquei sabendo que o Dedé estava escrevendo também num tal de Futebolzinho. Fui dar uma olhada.

Inovador, altíssimo nível de pessoas, respeito mútuo, diferente daquele festival selvagem de agressões mútuas que estamos acostumados a ler em praticamente todas as outras mídias de futebol e redes sociais. Comecei a participar devagarinho, deixando um pitaco aqui, outro alí e fui convidado pelo Frank, André e o próprio Dedé para manter uma coluna permanente. Esta aqui foi a primeira, publicada em julho de 2016 e já perto de fazer o seu segundo aniversário.

Nada era maior!

Na evolução da coisa, a relação mais próxima com estes garotos espetaculares, que nasceram para fazer sucesso e usufruirem de tudo o que ele pode trazer de bom, me fez ter a certeza de que o meu caminho era entrar neste barco para remar um pouquinho e ajudar naquilo que eu conseguisse, ou seja, viabilizarmos juntos esta idéia maravilhosa que é proposta e enriquecida diariamente por cada um de vocês que participam.

Lógico que o fato de sermos todos tricolores ajudou um pouco … mas isto não era o primordial. No andamento destes dois anos, tivemos contato com pessoas sensacionais de todas as torcidas, que trabalham e participam junto com a gente, gerando grande satisfação e certeza de estarmos no caminho certo.

Então, este papo meio off-topic hoje é um agradecimento a todos vocês que participam, questionam, divulgam, sugerem, curtem, denunciam inadequações, brincam no nosso bolão, prestigiam a Flupress, a Fuzarca, o Espaço Rubro Negro, Vira-Lata, todas as comunidades e tudo mais que tentamos oferecer.

Garanto para todos que estão e estarão aqui juntos, que não descansaremos em busca de viabilização de melhorias que façam vocês se sentirem como em suas próprias casas. Por que é isso que queremos ser: a sua casa.

Na minha primeira coluna aqui (link acima), o último parágrafo diz o seguinte:

– Espero que esta história aqui e tudo que vamos conversar daqui pra frente seja tão agradável para quem estiver lendo e comentando quanto vai ser pra mim, escrevendo, interagindo e aprendendo. Aqui pode até faltar razão, conhecimento, humor, mas não vai faltar coragem e alma. O Frank me falou uma coisa que me fez sentir em casa: “Nosso objetivo é juntar as pessoas no Futebolzinho para se sentirem felizes juntas”. Estamos precisando disso nesse nosso mundo e precisamos nos esforçar para conseguirmos.

Não mudou uma vírgula …

Muito obrigado a todos vocês. Graças a isso aqui, hoje, eu sou um cara mais feliz e realizado. E já que sempre incomodado …  quero mais … rs

Abraços

Antônio Ramos avatar

Ex-jogador, auxiliar técnico e instrutor de futebol, escrevendo sobre o tema há mais de 20 anos. Torcedor do Fluminense Football Club.