Foi por causa de uma confusão entre a própria torcida do Vasco que o clube pegou um gancho e perdeu um monte de mandos de campo, prejudicando claramente sua campanha no Brasileirão. À época, muito se falou a respeito e todos pediram uma punição exemplar, que foi implacavelmente dada pelo STJD.

Claro. Afinal de contas, é um absurdo permitirem a balbúrdia dentro ou no entorno de um estádio. Poucos discordarão disso. Essa é uma lógica que não se discute.

Assim como pouco foram discutidas as confusões no Engenhão – na semifinal da Copa do Brasil entre Botafogo e Flamengo, jogo no qual apenas a torcida alvinegra estava presente – e, mais recentemente, na Arena Maracanã, na final da mesma competição, com flamenguistas. Os lamentáveis acontecimentos foram amplamente noticiados. Uma possível punição ao Botafogo não parece que vá acontecer, depois de tanto tempo. No caso do rubro-negro, no dia seguinte aos incidentes, o procurador do STJD disse que analisaria as imagens com “parcimônia” e que “na próxima semana haverá uma definição.

Já se passaram cinco dias da confusão na final da Copa do Brasil. No caso do Vasco, foram necessários nove dias para o clube ser julgado e punido com a perda de seis mandos de campo. Com 11 dias, o Ministério Público interditou São Januário por 180 dias (a pena foi cancelada, vale lembrar).

Pode ser que o Flamengo seja punido. Pode ser que, como com o Botafogo, nada aconteça. Mas dificilmente o caso se resolverá com a velocidade com que foi definido o caso vascaíno.

A discussão sobre a gravidade de cada caso deve ser feita. Dirão que os problemas na Colina foram mais graves. Talvez. Mas aí é de se perguntar: os alvinegros e rubro-negros não sabiam que poderiam prejudicar os clubes ao arrumarem confusão? Isso não deveria servir como um agravante, já que o Vasco passou por isso há tão pouco tempo?

Os diferentes pesos e medidas do STJD. Esse é outro assunto que também pouco se discute. Não que fosse adiantar algo, claro. Bem melhor é falar sobre o espetáculo dado pela torcida vascaína no jogo contra o Grêmio. Ali, provamos que não há punição ou portões fechados que impeça nossa torcida de mostrar seu apoio ao time. Uma demonstração tão grande de dedicação de uma torcida há muito tempo não se vê. E deveria ter tido mais destaque na imprensa esportiva de um modo geral.

Mas, como todos sabemos, boas notícias não vendem bem. No caso do Vasco, menos ainda.

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Com um pai flamenguista e uma mãe botafoguense, Julio Cesar "JC" Barbosa é a prova viva que ser vascaíno é predestinação, não imposição. Torcedor de estádio, tanto na Colina quanto no antigo Maraca (hoje Arena), escreve sobre o Gigante na internet desde 2007.