Eurico invade coletiva do Vasco e constrange Zé RicardoUma das características mais peculiares – ou irritantes, como queiram – do Eurico Miranda é a pretensão de personificar o Vasco,  como um Rei-Sol fora do tempo. O Dotô tem a mania de considerar os ataques pessoais que sofre como insultos a instituição Club de Regatas Vasco da Gama. Até aí, ok, cada louco com sua mania e concorda com esse tipo de birutice quem quer.

Mas há dois problemas decorrentes dessa atitude. Um, é quando ele justifica punições, vetos, proibições e até ações judiciais contra atletas, jornalistas e etc, alegando “desrespeito ao Vasco” quando há críticas aos seus atos pessoais. O outro é que, aparentemente, Eurico não pensa que, sendo o “Vasco personificado”, não pode ficar pagando mico por aí. Afinal de contas, se ele se considera o próprio clube, quando queima o próprio filme está queimando também o filme da instituição.

Como aconteceu ontem. Certamente sem contar com uma atuação horrenda do Vasco na partida antes do pleito, o Dotô achou por bem limpar a barra do time. E fez daquele jeitinho tão particular seu: invadindo a área de imprensa e interrompendo a coletiva com o treinador apenas para “prometer” a vaga na Libertadores. Como se ele pudesse de alguma maneira garantir uma coisa dessas apenas com palavras.

Se o Eurico acha que essa promessa será o bastante para apagar a péssima impressão que o time deixou no empate com o Vitória, lamento, mas só serviu para tornar tudo ainda mais constrangedor. Quem não vota no Eurico, não votaria mesmo que o Vasco goleasse o Vitória. E para sorte do candidato à reeleição, seu eleitorado não se deixa levar por anos de gestões ruins, falta de patrocinadores decentes, escassez de títulos e elencos fracos. Então não será por uma atuação – realmente horrorosa – da equipe de futebol que Eurico perderá votos. O que torna sua intervenção na coletiva de ontem não apenas constrangedora, mas também desnecessária.

Ou seja, foi apenas mais um mico entre tantos do presidente que se considera o Vasco. E sendo assim, fez o próprio clube pagar mico junto.

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Com um pai flamenguista e uma mãe botafoguense, Julio Cesar "JC" Barbosa é a prova viva que ser vascaíno é predestinação, não imposição. Torcedor de estádio, tanto na Colina quanto no antigo Maraca (hoje Arena), escreve sobre o Gigante na internet desde 2007.