Aproveitando o momento, já que não se fala de outra coisa que não a polêmica no Fla x Flu, que tal refletirmos sobre o futebol e tentar pensar no que gostaríamos de mudar caso tivéssemos esse poder?

A ideia não é discutir regulamentos específicos de competições (mata mata, pontos corridos, gol fora de casa como critério de desempate e etc…) e sim regras gerais do esporte.

Sabemos que dentro de campo o futebol muda a cada geração e que muitas regras também já foram adaptadas ao longo desse tempo. Mas resolvi pensar em algumas coisas que me incomodam e buscar alguma alternativa. O que mais vocês gostariam de alterar no nosso esporte preferido?

1 – Uso de tecnologia para lances capitais

Não poderia abrir com outro ponto, já que este é o motivador do texto. A tecnologia pode ser muito útil ao futebol, mas se usada de forma incorreta pode atrapalhar mais do que ajudar.

Sabemos que o chip na bola já foi utilizado algumas vezes (incluindo na Copa de 2014), então já é um passo na direção certa. É uma tecnologia que já nos permite corrigir erros em lances importantes. Então COMO e QUANDO usar o recurso de vídeo?

Na minha opinião precisamos restringir a quantidade de vezes e em que tipo de lances que um time pode utilizá-lo. E o árbitro precisa ter um limite de tempo para responder.

Optaria por incluir um membro da comissão de arbitragem em uma sala com o equipamento necessário para fazer a análise do lance e informar aos 4 árbitros (para evitar “confusões”) via ponto.

Lances permitidos:

– Gols com dúvida sobre impedimento: anulado ou não, permitiríamos a revisão do lance;

– Pênaltis: mesmo que seja aberto a interpretação, deve ser possível analisar o lance novamente;

– Lances de agressão que possam gerar expulsões: sabemos que muitas vezes o árbitro não está próximo ao lance, então caso algum dos times peça revisão seria possível corrigir uma decisão errada;

Inicialmente, se analisássemos apenas estes lances já teríamos uma melhora significativa em relação ao cenário atual.

Entendo que cada time deva ter direito a um pedido de revisão por tempo de jogo. Caso seu pedido seja indeferido, você perdeu a sua oportunidade.

A análise não deve levar mais do que 1 minuto por parte do responsável pelo vídeo. Neste tempo é possível avaliar o lance por diferentes ângulos e passar ao árbitro de campo a decisão.

Desta forma poderíamos testar a inclusão de novos recursos tentando ter o mínimo de impacto possível no que acontece dentro de campo (que é o principal para todos nós).

Não gosto da ideia de fazer como na NBA onde o árbitro de quadra tem acesso a uma TV na linha lateral e analisa o caso em frente a todos.

2 – Coletiva pós jogo com árbitros em jogos polêmicos

Atualmente já temos a coletiva com os jogadores e técnicos ao término de cada jogo. Quem sabe uma coletiva com os juízes pudesse fazer com que tivessem mais cuidado dentro de campo?

Sabendo que teriam que justificar decisões polêmicas, o árbitro teria uma tendência maior a não aceitar pressão dos jogadores e torcida e manter a sua posição inicial. Salvo casos em que seus auxiliares tiverem uma visão melhor do lance.

Hoje em dia todos estamos sob constante avaliação e não deveria ser diferente neste caso.

Claro que tudo se tornaria mais simples caso o ponto 1 fosse difundido no futebol.

3 – Limite de faltas individuais

A gente gosta de futebol bonito. Dribles, passes, gols. Sabemos que a falta é necessária e faz parte do esporte, mas porque não limitar? Em quantos jogos já não nos estressamos por causa daquele jogador adversário que entrou em campo com a única função de bater? E sabemos que nosso time já o fez também.

Hoje os juízes já punem em algumas situações jogadores que cometem faltas seguidamente, mas por que não estipular um limite? Deveríamos priorizar cada vez mais o jogo, a bola rolando e desafiar os técnicos e jogadores a serem cada vez mais inteligentes e estratégicos.

Quantas faltas? Não sei, é importante que se faça um estudo com muitos dados antes de se tomar a decisão. Pensando de forma superficial, não acho que 5 ou 6 faltas seja um número absurdo de se ter como meta por jogo para cada jogador. Seriam entre 2 e 3 faltas por tempo de jogo.

No futsal já existe o limite de faltas por time, o que já ajuda bastante.

4 – Substituições

Tanto no basquete quanto no vôlei, um jogador que é substituído pode retornar ao jogo quando o técnico achar necessário. E esse movimento se repete inúmeras vezes a cada partida.

Toda a estratégia do time é montada em cima disso. Na NBA cada time possui seu second unit como é chamado. É aquele time reserva que precisa de entrosamento e tempo de quadra.

Porque no futebol não podemos voltar com um jogador substituído? Quantas vezes o seu time não optaria por tirar o craque de campo por algum tempo para descansar e retornar na reta final do jogo?

Sabemos que o futebol é muito dinâmico e que dentro da mesma partida temos momentos completamente diferentes. Isso poderia desafiar os técnicos a bolarem estratégias alternativas para conter uma pressão do adversário por um tempo e retomar a formação mais ofensiva posteriormente contando com seu principal jogador.

Não mudaria a quantidade de substituições, talvez uma adicional caso o time sofra com lesões após utilizar as 3 mudanças. Não sei se teria um impacto negativo ou se veríamos times simulando lesões apenas para ganhar mais uma (sabemos que é sempre possível).

Já vi algumas pessoas sugerindo substituições no intervalo de jogo, já que não impactaria o tempo de bola rolando. Seriam substituições extras, mas não sei se gosto da ideia.

5 – Cronômetro parado nos últimos minutos

No final de jogo é onde costumamos ter a maior incidência da famosa cera. Sempre que um time está ganhando, procura enrolar o máximo possível o desenvolvimento do jogo. Enquanto a bola está rolando, não há o que ser feito. Mas e se nos 5 minutos finais de jogo o cronômetro fosse interrompido a cada saída de bola? Desta forma não haveria muita discussão com relação ao acréscimo no final do jogo decorrente de demoras em cobranças de falta, laterais, tiros de meta e atendimentos de jogadores.

Em outros esportes funciona desta forma durante todo o jogo, o que acaba aumentando o tempo da partida. Entendo que apenas nos minutos finais seria mais interessante.

 

Claro que são apenas ideias para levantarmos a discussão, mas sempre é possível melhorar algo que já é bom. O que mais vocês pensam sobre o tema?

O basquete possui 2 regras das quais eu gosto muito, mas é difícil de adaptar ao futebol.

– Shot Clock: assim que um time assume a posse de bola, tem 24 segundos para concluir a jogada (tentar a cesta). Caso não o faça, a bola volta para o time adversário e o cronômetro é reiniciado. Caso você tente uma cesta e consiga o rebote, tem mais tempo para tentar uma nova jogada. É claro que para o futebol o tempo não poderia ser o mesmo (pela dimensão do campo, número de jogadores), mas evitaria aqueles momentos chatos em que os times ficam enrolando com a bola sem tentar absolutamente nada de produtivo. Apenas toques laterais e para trás.

– Ao atravessar o meio da quadra, você não pode voltar. No futebol cansamos de ver um time começar uma jogada, ficar sem opções e começar tudo de novo com o goleiro ou zagueiro. Particularmente me incomoda, limita a criatividade e a ousadia do jogador. Ele prefere jogar pra trás a arriscar um lance mais difícil e que possa gerar uma chance de gol. Acho mais simples de adaptar do que a regra do shot clock,  mas é algo muito longe de ser possível. Isso desafia em estratégia, compactação, tempo de reação, improvisação, habilidade e personalidade. Todos pontos que podem impactar positivamente o jogo.

Qual a opinião de vocês?