Mais uma vez eu aqui me intrometendo na seara da Flupress … peço desculpas aos grandes amigos do grupo …

Mas como tricolor, preciso dar uma opinião rápida (nunca é, hahaha) sobre a demissão voluntária do Abel e como vejo isto no cenário de terra arrasada em que se encontra o Fluminense.





Desde o início da montagem deste festival de comitês e da própria comissão técnica, com figuras inacreditáveis, como aquele brincalhão que passou um ano em “ócio criativo” e virou CEO e do próprio Autuori, que foi tão inoperante que não se consegue encontrar um ser humano, tricolor ou não, que consiga definir seu “job description” no clube, sempre deixaram claro que era patamar básico para continuidade do trabalho, como planejamento estratégico, a manutenção dos salários em dia e a estabillidade política.

Só por aí já começa a ficar esquisito e dá nitidamente pra ver que ou nego não entende “picas” de futebol e de business ou então já estavam preparando um trampolim pra pular do barco, assim que se materializasse a cagada, cujo risco já deveriam saber ser bem alto. Afinal de contas, não faltou gente pra avisar, nestes últimos 7/8 anos.

É evidente que manter salários em dia é fundamental, mas não é premissa estratégica de absolutamente nada, em business algum, e nem deve ser cogitada a possibilidade de haver esta discussão em planejamento. Contrata-se e monta-se equipes para qualquer projeto com investimento definido e previsão com risco baixo de receitas, além de prever corretamente custos e despesas envolvidos em todas as áreas.Pagar em dia é tão somente obrigação !

Voltando à baila … o Presidente do clube, depois de milhões de insucessos e consequentes pressões externas, pra lá de previstos, manda o brincalhão do CEO embora e escrevi aqui … é o peteleco na primeira peça do dominó.

Disparado o processo de desmonte, os salários atrasados (sempre estiveram, aliás) e o caos político (que também sempre houve no clube e segue fomentado permanentemente pela própria Flusócio), causado pela debandada geral de uma parte dos apoiadores oportunistas na farsa eleitoreira, foram os motivos que faltavam para o digníssimo e inútil Autuori tirar o seu órgão da reta.

Mais exposto que umbigo de vedete, sobrou para o Abel o “gran finale”, tirando também o seu da reta sem dar tapinha nas costas e nem apagar a luz da sala. Também, não tinha ninguém pra falar. Todos sumiram e estão ocupados, procurando jogar as suas culpas em alguém.

Não critico o Abel por isso, tava na cara que iria acontecer e disse aqui também que não sabia como ele ainda aguentava. Não ia aturar (e nem deveria) o manuseio desta pemba sozinho, com o clube totalmente abandonado pela sua própria gestão.

Isso quer dizer que o Abel fez um bom trabalho? Acho que é claríssimo para todos que não. Terá sempre a justificativa de não ter time, mas a verdade é que ele nunca assumiu isso, supervalorizou jogadores e foi durante todo o tempo um avalista do presidente e de todos estes comitês ridículos que não resolveram nada. Foi bobo útil e serviu para que todos se escondessem de suas responsabilidades e competências.

Na sua parte fundamental, que era (deveria) ser treinador deste time, também um resultado pífio … no tempo quase todo que esteve no comando o que vimos foi um time mal escalado, com indicações estranhas (algumas com forte suspeitas de favorecimentos a empresários) e sem nenhum padrão tático ou variações. Não funcionou.

E aí vem a parte polêmica. Isto quer dizer que fico feliz com a sua saída? Por um lado, não, principalmente pelo aspecto humano. Abel, apesar dos pesares, era o último cara dentro desta pocilga que se tornou o Fluminense que parecia realmente a fim de tentar resolver alguma coisa, mesmo com todos os erros.

Por outro lado, ele era o último sustentáculo de um plano desastroso (ou ausência de plano) e tem horas que só chegando no fim do poço e quicando é que temos chance de ir pra cima. A hora pode ser esta.

Não há mais qualquer sustentação para a Flusócio e o presidente que ela elegeu. Acabou. Isto quer dizer que vão sair de lá? Por vontade deles e iniciativa própria, demonstrando ainda algum apreço pelo Fluminense, queridos, jamais, mas o fato é que não há mais credibilidade, apoio interno ou externo (exceto dos Esportes Olímpicos, que querem que o futebol acabe de uma vez), autoridade, nada … nada … não há plano B … nem houve plano A.

A última cartada, que dizem à boca miuda, espero que não seja verdade, é vender a divisão de base e todos os seus direitos para um clube Inglês, por um pouquinho mais do que pagaram pelo Vinícius Júnior. Uma atitude dessas acaba de uma vez com o Fluminense, embora resolva a vida de muita gente … muita gente, ou alguém acha que, repito, caso isto seja verdadeiro, comissões e outras cositas não rolarão? E parece óbvio para qualquer pessoa que tenha mais de um neurônio, que isto por si só não resolveria absolutamente nada. Ou seja, de duas uma: ou são uns loucos inconsequentes ou estão realmente de má fé.

Abel, a casa sempre será sua, independentemente dos seus erros de agora. É provável que a sua saída ajude muito ao clube neste momento e talvez você volte pra ser campeão novamente. Realmente espero que sim. No mais, sempre, por tudo e por ser um grande tricolor, meus eternos agradecimentos.

Abraços

Antônio Ramos avatar

Ex-jogador, auxiliar técnico e instrutor de futebol, escrevendo sobre o tema há mais de 20 anos. Torcedor do Fluminense Football Club.