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Nas 4 linhas com Dedé

Simplesmente Messi

Simplesmente Messi

João Pedro é filho de um amigo de infindáveis resenhas, Luis Carlos Máximo.

E João parece ter herdado do pai o apreço pelos craques.





Li muita bobagem sobre Messi nessa copa. E muita coisa legal também, de bons jornalistas inclusive.

Mas foi desse moleque (pela idade acho q posso chamá-lo assim) que li o melhor texto sobre o maior que eu vi jogar.

Fala João:

“Dormi pouco e mal de ontem pra hoje, não só pelas noites a fio típicas de fim de período, mas sobretudo pela a ansiedade e a expectativa para o que seria essa Argentina pós-classificação improvável, como se portaria diante o primeiro confronto contra uma campeã do mundo e se haveria maior organização tática para que a esquadra de Sampaoli provasse ser outra equipe e se colocasse de fato como candidata ao título. Passou longe disso. Com tantos problemas internos, não houve como.

Brincadeiras e zoações a parte, o meu fascínio por Lionel Messi e a admiração que passei a ter nessa Copa pela Argentina vai muito além da concepção usual que se tem sobre Copa do Mundo e seleções, que me obrigaria, como brasileiro, a ter que torcer sempre pela seleção canarinho, a qual a cheguei até a montar torcida na copa passada. Fato que hoje é levado como vergonha moral por amigos. Me é indiferente as pressões coercitivas pela “deserção patriota”. Como se eu ligasse pra moral.

Mas de lá pra cá uma pulga, a qual já tinha uma certa preferência, me fez mudar. Messi não é só coisa de outro mundo, é minuciosamente genial, é precisamente o jogador com maior técnica, fundamento e inteligência sobre um jogo esportivo que eu já vi na minha vida. É meticulosamente extraordinária, a sua condução de bola nas passadas e tempo corretos, entre o intervalo do leve toque para o movimento da bola até o toque seguinte, na intensidade exata. Ao mesmo tempo, o seu drible na condução da bola nas cortadas rápidas e desconcertantes, igualmente precisas. Os fundamentos de finalização: cobertura, seco, no alto forte ou colocado, rasteiro, etc. As faltas, uma especialidade. A visão de jogo, as matadas de bola, o oportunismo de se livrar da marcação no andar calmo e lento, que como quem não quer nada some e aparece na posição certeira pra receber a gorduchinha.

A sua era barcelonista com Guardiola, Puyol, Rafa Marquez, Eto’o, Ronaldinho, Deco, Giuly, Henry, Abidal, Yaya Touré, David Villa, Pedro, Fábregas, Ter Stegen, Mascherano, Luís Enrique, Dani Alves, Victor Valdés, Piqué, Jordi Alba, Xavi, Rakitic, Busquets, Luís Suárez, Neymar e Iniesta marcou a atual geração, a minha geração. Ganhou inúmeros títulos, artilharias, fez mais de 500 gols, 5 bolas de ouro, melhor jogador das diversas competições e etc. Tudo que todos já sabem.

A grande questão para Messi sempre foi e continua sendo a seleção argentina. Nascido em Rosário, Messi jogou apenas em clubes do solo sagrado nas categorias de base. Inicialmente na categoria baby do time de bairro comandado por seu pai, o Grandolli, até chegar no Newell’s, batendo recordes de gol desde os sub’s hermanos. Impossibilitado de receber o medicamento de sua crise hormonal, pelo fim da produção do remédio dada a crise econômica argentina do final do século passado, foi recusado pelo River que não quis arcar com os custos do tratamento. Até ser apresentado ao Barcelona. Messi é o maior artilheiro da história da seleção argentina. O terceiro que mais vestiu a albiceleste. Disputou quatro finais, uma no início de sua geração na seleção, a Copa América de 2007 perdida contra o Brasil e as três finais seguidas, da Copa de 2014, a Copa América no Chile e a Copa América Centenário nos EUA. Ganhou ouro em Pequim 2008.

Lío sustentou sozinho durante todo esse tempo o peso de anos de fila, a comparação com o maior ídolo do país dado às conquistas, os números e seu futebol individual e tecnicamente magistral como do comparado (pra mim, acima), apesar das personalidades discrepantes. As perseguições e mentiras da imprensa futebolística de Buenos Aires, a acusação de ser catalão, a expectativa dos hinchas de que resolvesse sozinho, tudo que se espera que um grande craque carregue. A impressão que se tem é que falhou. Entretanto suportou tudo, de seu modo particular em diversos episódios em que as críticas voltavam a tona. Aprendeu a ouvir calado e resolver, como em vários momentos em 2014 e nas eliminatórias. A correr atrás, sim, e driblar tudo e todos. Messi é mais cobrado pelo seu comportamento tímido do que pelo desempenho propriamente observado, com tanta dificuldade técnica ao lado em vários anos pela pátria peronista, pegou neste último ato uma seleção que não se compara com a que Maradona teve em 86, de Valdano, Burruchaga, Brown, Ruggeri e grande elenco. Mas não se trata de desculpas. Se a avaliação é que falhou, que tenha falhado.

Apesar da crítica sobre o fracasso de Leo, o fato que não tenha conquistado um troféu por chegar em 4 finais, Messi sai para mim, com toda as barreiras, a emoção das classificações e a bravura do “vai como pode” (acha espaço como pode, toca como pode, finaliza como pode, defenda como pode, busque como pode, lance como pode, faça tudo como pode!), mais ídolo do que entrou.

Messi me fez torcer por uma seleção rival, a conhecê-la mais de perto, o sofrimento, a sua história, a alma de alento e ‘aguante’, de um povo marcado pelo espírito da guerra, do ‘tentar’ sempre, da resistência, dos golpes e da conquista que nunca vem fácil, decorrendo na paixão pela luta à. Aprendi isso hoje, não por processo racional e consciente mas pela emoção sentida, quando Caio Barbosa me apresentou o vídeo em que Ruggeri é defrontado de críticas e insultos pelos seus torcedores, convencidos logo em seguida, a levantar e a entricheirar-se pela sua “selección” como num campo de batalha.

É essa parcial concepção ética da batalha pulsante que faz a mística de Messi: Muito mais além do que o simples êxito, e sim o que lhe faltou por tudo o que fizera antes, por toda a sua individualidade extramundana que pra mim já o basta a cacifar como um dos cinco melhores de todos o tempos, com toda sua persistência desde infância, a batalha hormonal, moradia muito pequeno longe da família, de ter dado certo e superado, ganhado tudo, chegar ao topo até a situação atual. Se a história dos vitoriosos é essa de 7 jogos, que se faça uma historização dignificante do “derrotado” que ganhou tudo, menos os 7 jogos. Por que é disso que se trata Messi: o vitorioso de tudo derrotado pelo pouco, sob a qual insistira para reverter até o final. E como diria Nelson Rodrigues, se os fatos são esses, pior para os fatos! Se a Copa não o tem em seu hall, eu só sinto muito por ela.

Com toda certeza está no meu. E é isso que importa. Ainda que dispute mais uma Copa. É isso que importa para uma geração futebolística inteira. Estar no seu. E agora eu posso dizer, sem pestanejar, e como nunca antes, que eu tenho meu maior ídolo no futebol, o maior esporte de todos, que me faz romper com a lógica natural. E ele é Lionel Andrés Messi Cuccittini. Nada mais.”

Eu vou finalizar repetindo uma parte do texto dele: ” Messi é mais cobrado por seu temperamento tímido que pelo seu desempenho”

Como diria Renato Russo, outro gênio: ” Esse é o nosso mundo o que é demais nunca é o bastante”.

 

 

 

 

 

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Dedé Moreira avatar
Blog do torcedor do flu no Globoesporte, Futebolzinho.com. Gestão Técnica de Futebol e Análise de Desempenho pela Universidade do Futebol.

5 Comments

  1. Bruna Personal avatar

    Dedé sempre com textos fenomenais!!!

  2. Regina Carino avatar

    Eu sou de uma geração bem anterior a sua e tenho a mesma admiração. Que grande jogador!

    Grande texto, Dedé!

  3. André Fernandes avatar

    Achei o texto muito bem escrito!! Parabéns!

    Infelizmente vou discordar hahaha assim como os grandes jogadores desfrutam de muitos fãs, fama e salários…tb tem que conviver com a cobrança, é parte da vida que eles escolheram. E se você quer ser um dos maiores, vai ter que lidar com isso.

    Resumir a Copa do Mundo, o maior evento esportivo do planeta, a meros 7 jogos é desmerecer tudo que outros gigantes do futebol fizeram. De Beckenbauer a Maradona, de Mathaus a Romário, de Zidane a Ronaldo e por aí vai. Todos eles encararam os tais 7 jogos e foram vitoriosos. Buscaram aquilo que os colocaria em um degrau acima e não aceitaram voltar sem.

    É quase como dizer que o Lebron James não precisa jogar bem nos “10” jogos de playoff, já que ele arrebenta nos mais de 80 jogos da temporada regular da NBA. E no final das contas, o que importa é o playoff, é o título, é jogar bem no grande palco do esporte. Tenho certeza que o Messi trocaria bolas de ouro e títulos da Champions por uma Copa do Mundo. Como fariam outros grandes jogadores.

    Não é que ele tivesse a obrigação de ganhar, mas deveria mostrar na Argentina um pouco do que vimos no Barcelona. E a realidade é que ele jogou 4 vezes os tais “7 jogos” e sequer conseguiu fazer 1 mísero gol em jogos de mata mata. Nunca conseguiu liderar esse time e se destacar no maior palco do esporte.

    Ter a capacidade de se adaptar a diferentes esquemas, técnicos, companheiros e pressão fazem parte do que constrói um craque. Messi é craque, muito craque. Mas faltou alguma coisa. Talvez psicológico, já que técnico a gente sabe que não é.

    Se tivesse perdido sempre para seleções e craques muito superiores, talvez a cobrança fosse menor. Perder 2 títulos para a seleção chilena não ajuda. A Argentina é um país de apaixonados por futebol, um país com menos da metade dos nossos títulos em Copas e o Messi era a esperança de, ao menos, diminuir essa diferença.

    Se cobramos isso de outros craques e gênios, o justo é que cobremos dele também. Se outros conseguiram, ele deveria ter conseguido. Dizer que ele não precisa alcançar os feitos dos outros gigantes é desmerecer o trabalho dos que conseguiram. É o que eu acho.

  4. Welma Reis avatar

    Texto bacana, mas concordo com André Fernandes. Messi é um gênio, mas um gênio com rótulo: Barcelona.

  5. meruem Costa avatar

    Petista de merda

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