E agora, José?
A festa acabou,
a luz apagou,
o povo sumiu,
a noite esfriou,
e agora, José?
E agora, você?
você que é sem nome,
que zomba dos outros,
você que faz versos,
que ama, protesta?
E agora, José?

Poema “José” – Carlos Drumond de Andrade, 1942

Olá, Leitores!

Escrever algo relativo a um jogo de Futebol após a mais uma desclassificação da Seleção Brasileira, pelo menos  para mim é algo inédito e difícil.

E não é por acreditar que o evento Copa do Mundo tem um lado, digamos mais comercial do que esportivo e por isso me mantenho um pouco alheio ao que se passa nesse torneio.

O Mundo do Futebol tem vários aspectos, porém, entra para a história os vencedores, com raras exceções, quem perde ou fica pelo caminho é lembrado, exemplo do “Carrossel Holandês” e a Seleção Brasileira de 1982 em que muitos afirmam que no futebol várias vezes não há justiça, prefiro ficar com a descrição que: “São 11 contra 11 e o menos favorito pode vencer o mais favorito”, assim também foi no “Gol do Anapolina” em um Flamengo contra o Serrano FC, time da cidade de Petrópolis no Rio de Janeiro que em 1980 acabou com o sonho do tetra campeonato Flamengo. Reza a lenda que Anapolia (falecido em 2013), chorou após ter eliminado o seu time de coração.

O futebol como esporte deixa tantos exemplos a ser seguido quanto cidadãos e não e tão somente uma frase, “fair play”, mas basicamente irmos em frente, automotivarmos porque obviamente a vida segue.

… Se você não aceita o conselho, te respeito / Resolveu seguir, ir atrás, cara e coragem / Só que você sai em desvantagem se você não tem fé / Se você não tem fé / Te mostro um trecho, uma passagem de um livro antigo / Pra te provar e mostrar que a vida é linda / Dura, sofrida, carente em qualquer continente / Mas boa de se viver em qualquer lugar, é / Volte a brilhar, volte a brilhar / Um vinho, um pão e uma reza / Uma lua e um sol, sua vida, portas abertas…” – ( Anjos, O Rappa – Marcelo Falcão, Tom Saboia )

Quanto torcedores já vimos inúmeras vitórias e outras tantas derrotas do time que escolhemos para torcer, com exceção do Flamengo, porque somos apaixonados e paixões sempre são acompanhadas de extremos. Insisto, uma derrota no “nosso” caso é inadmissível, mesmo quando nosso desempenho esportivo no Futebol Profissional é inferior aos de outros times, além de uma frase que gosto muito: “Flamengo é um gigante que se alimenta de vitórias”.

Como uma das “Maravilhas” do mundo futebolístico, Flamengo é o Colosso de Rodes e nenhum terremoto (derrotas como a citada acima), é capaz de abalar sua estrutura.

Estátua do Titã Deus do Sol, Hélios

Ainda falando um pouco mais de Flamengo, para nós é inaceitável uma derrota sem luta, time apático assim por dizer. Arrisco dizer que uma derrota jogando bem, “desce melhor”, arrisco somente, porque… São 11 contra 11.

Hora da reflexão

Dentro do aspecto esportivo (além do pessoal), sucesso e fracasso não são coisas distintas, ao contrário, são interligados e não existem vitórias sem um fracasso anterior, por mais que seja um clichê, erros fazem parte de qualquer história vitoriosa, o que não significa que erros repetidos precisam ser cometidos para um melhor aprendizado.

As frases de esportistas que mais gosto são essas:

A primeira exemplifica nosso maior aliado, o autoconhecimento. A segunda frase nossa capacidade de progresso. Sim, principalmente em um jogo coletivo como o futebol, erros e acertos individuais agregam no resultado final. Sinergia talvez seja a palavra correta.

Se levarmos as duas frases do excepcional golfista, Arnold Palmer para outras áreas como a música, por exemplo, temos um virtuose da guitarra que usa mais a mente para executar seu solo do que seu braço e por extensão de raciocínio prática seu instrumento por longo período continuamente. Ou seja, não basta apenas ter o dom, tem que praticar o dom.

Voltando ao futebol, um fracasso como o de hoje (6 de julho, Seleção Brasileira), ou o de 1980 do Flamengo, acredito que dentro do vestiário ao término do jogo, ninguém tenha pensado em desenvolver algum tipo de resiliência, ao contrário, primeiro vem o choque, depois a negação, segue com a raiva e depois a depressão. Talvez, um bom tempo depois as duas últimas fases serão a aceitação e a mudança COM ação. A mais importante.  Como quase tudo no futebol ultimamente é busisness, nesse momento que escrevo “entram em campo” os que “passam pano” – uma expressão moderna que quase coincide com uma frase de Alexander Pushkin: “Uma ilusão que nos eleva é mais querida do que verdades baixas“.

Partindo desse princípio, Querido Leitor, o quanto da sua realidade está dentro do contexto escrito acima e o quanto estamos preparados para enfrentarmos uma derrota seja no campo esportivo ou na vida profissional?

São perguntas com respostas difíceis, apesar de vasto material teórico encontrado nos sites motivacionais. E, exatamente…  Teorias, você só terá uma boa resposta se praticar, afinal, quanto mais se pratica, mais próximos da realidade estamos, seja para o bem, seja para o mal.

Meu cordial agradecimento por sua leitura, aliás, por falar nisso se ainda não leu as publicações anteriores os links são:

Desejo que Vocês Esteja Aqui / O Caráter (ou a fatra dele) no Jogo de Futebol / Imponderável Futebol Clube O Pão Nosso de Cada Dia

Até Breve!
SRN

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Carioca e Flamengo desde a geração da primeira célula.

Twitter: @pascoalgrisolia