… Quanto tempo? Não muito, porque você colhe o que planta.” – Wake Up, Rage Against The Machine, álbum Rage Against The Machine, 1992 – Tema que encerra o filme The Matrix, 1999.

Saudações, Leitores!

Eu queria terminar o artigo postado semana passada (mistura de Shakespeare, Lenine e Tristania – leia aqui), onde uma pergunta e uma afirmação poética convidam você a uma reflexão: que “nada é bom ou mau, a não ser por força do pensamento” e o trecho musical em que o compositor pergunta “será que tempo que lhe falta pra perceber”.

“Fatos cibernéticos” (me refiro à algumas postagens lidas no twitter) na semana entre 17 e 21 de junho ainda me impedem e outros que, doravante acontecerão. Afinal… O instinto humano…

Antes de prosseguir, aviso que me manterei no “campo do futebol” e me afasto dessa dicotomia política atual que contribui em muito para as “opiniões” esportivas.

A pergunta inicial é: Como se posicionar em uma rede social que, para alguns se tornou impossível enxergar o mal que se pratica?

Sim, desta vez precisamos do “Juízo de Fato” ao observarmos que esta polarização existe, me perdoem a redundância.

Os “Pseudos Morpheus” através de suas palavras digitadas, nos oferecem sua pílula azul que simboliza a permanência no mundo irreal, superficial e ilusório de pensamentos, atitudes, forma de torcer, etc. Aliás, cor essa da pílula muitas vezes utilizada no carimbo que usam jocosa e agressivamente na testa de quem apoiou e ainda apoia a chapa vencedora nas últimas duas eleições presidenciais do Flamengo.

Atenção! Discutir os resultados esportivos do Futebol Profissional do Flamengo, nesse momento está em segundo plano e não é menos importante. Também estou (estamos) insatisfeito(s), mas o debate aqui são atitudes de alguns no twitter obviamente utilizando como pretexto esses mesmos resultados.

… I’ll give ya a dose / But it’ll never come close / To the rage built up inside of me / Fist in the air, in the land of hypocrisy…” – Wake Up, RATM.

Um simples tweet, por exemplo, do Vice-presidente de Marketing do Flamengo que opina sobre esperança e paciência em menos de duzentos e quarenta caracteres, resulta em várias respostas agressivas à sua publicação, outros imponderavelmente cobram contratações, outros também afirmam que “não vem ninguém” (sic).

Esse é apenas um dos inúmeros exemplos do imponderável que se auto justifica (ou não) pela paixão do torcedor.

Uma breve saída do “Contexto Flamengo” para outro exemplo e se me permite colorir ainda mais, subliminar ou implícito exemplo:

Aí está um exemplo de quem administra (ao paciente, patologicamente) a pílula vermelha. Administra, não! Empurra goela abaixo! Subliminarmente no trecho “Sumam com suas insignificâncias”.

Apesar do corretor – creio eu – ter trocado a palavra “puta” por “luta”, existe uma contrariedade em tanta voracidade, ou seja, “filhos da luta” também pode ser “meu par, mesma trincheira” ou para voltar aos temas musicais como esta coluna sugere, meu “Brothers in Arms”, do Dire Straits.

O contexto do que tento debater aqui é a necessidade de se criar mundos, onde um é habitado por quem está “com razão” e no outro mundo, pessoas vivem em uma realidade paralela, a Matrix do Futebol. Sejam eles apoiadores do EBM que ganham pizzas, mimos e patrocínios e que por vezes são taxados de… “Filhos da Luta”, sei que me entende.

Não estou aqui para defender um e criticar o outro, ao contrário, pergunto e mais uma vez pergunto e pela terceira vez pergunto: Há necessidade de tamanha agressividade?

Não existe uma forma de conviver com ideias e ideais contrários, ou existe mesmo uma verdade absoluta em que um pensamento contrário ao seu tem que ser absolutamente exterminado?

Penso que sim… Podemos todos convivermos cada um com suas verdades absolutas, entretanto sem deixarmos de reconhecer que o outro, obviamente, também tem a sua verdade absoluta.

Por liturgia da profissão, costumo dizer que nós seres humanos diferimos um dos outros em várias características e que o ideal (nem sempre alcançado) para um mundo melhor é sabermos conviver com essa diversidade, muito acima dos rótulos, cores, lutas e putas no nosso dia a dia.

Você deve estar se perguntando sobre o que a imagem do tubarão faz ao lado de Morpheus… Deixo isso para sua imaginação peculiar.

Se você chegou até aqui, meu profundo agradecimento por sua leitura, minhas bobagens e você me diz que sou a mosca mais brega que pousou na sua sopa, com a licença poética do Lobão em a “A Vida é Doce”.

... São novamente quatro horas, eu ouço lixo no futuro / No presente que tritura, as sirenes que se atrasam / Pra salvar atropelados que morreram, que fugiam / Que nasciam, que perderam, que viveram tão depressa / Tão depressa…” – A Vida é Doce, Lobão

Jamais poderia terminar esse texto sem outro trecho musical que exemplifica o que foi escrito antes, aliás, nem precisa ser tão longo, bastam as imagens que usei com o trecho abaixo:

… Você pode escolher entre medos fantasma / E gentilezas que podem matar / Eu escolherei um caminho que é iluminado / Eu escolherei livre arbítrio…” – Freewill, Rush, álbum Permanent Waves, 1980.

É meu amigo… A Vida é Doce e você colhe o que planta.

Até breve! SRN.

PS dedico esse artigo a todos funcionários de Pizzaria do mundo inteiro. Afinal, eles também são “Filhos da Luta”.

Pascoal Grisolia avatar

Carioca e Flamengo desde a geração da primeira célula.

Twitter: @pascoalgrisolia