Bloqueio criativo é o fenômeno que envolve a perda temporária da habilidade de gerar conteúdo, geralmente por falta de inspiração ou criatividade. Tanto é verdade que mesmo essa definição eu fui pegar no Wikipedia.

Talvez esse travamento seja resultado do jogo que eu vi hoje. Até a última rodada, contra o Atlético-MG, eu estava convicto de que a condição de líder do Flamengo se sustentava por um dessas inexplicáveis conjunções de fatores que simplesmente o colocam lá, na liderança. O Flamengo era pra mim o Forrest Gump do Brasileiro, aquele sujeito imbecil que, com gestos simples e lampejos de escolhas acertadas, estava sempre em destaque no que quer que fosse. Haja vista o jogo contra o River.

Até hoje.

O Flamengo, na vitória de 2 x 0 contra o Bahia, se comportou com um líder consciente de sua posição na tabela, jogando como time grande, visando a vitória desde o primeiro minuto de jogo. Espremeu o visitante em seu campo, o que o fez aos poucos desistir de qualquer subida ao ataque e por fim, bater no tatame. Não dava para tentar absolutamente nada contra quem entrou em campo decidido a ganhar, a presentear os mais de 50 mil torcedores que ali estavam.

Ah, sim. Apesar do segundo tempo, que resvalou numa pelada, daquelas velhas conhecidas nossas.

Não posso deixar de citar os destaques da partida: Renê, Diego, Lucas Paquetá (cujo gol foi daqueles de nos fazer despencar rolando na arquibancada) e Diego Alves, autor de uma sequência de defesas digna de exibição no Canal 100.

Voltando ao bloqueio criativo, prefiro resumir a receita de sucesso na linda foto que tomei emprestada do perfil @1895edits para ilustrar minha coluna da hoje: sempre que o time jogar tendo em mente o tamanho do Flamengo e o reverenciando como o gigante que é, tudo será mais fácil. Foi assim que essa atuação – se não brilhante, mas pelo menos visceral e convincente – me deixou: de cara para uma tela em branco, sem saber o que escrever.

Festa estranha com gente esquisita

E então eu acordo e fico sabendo que o Guerrero conseguiu ficar “café-com-leite” durante a Copa, para logo em seguida retomar o cumprimento de sua pena. Recapitulando; o jogador do Flamengo é cedido à seleção peruana e, a serviço desta, acaba ingerindo uma substância considerada doping. É condenado, mas consegue junto à Justiça suíça o direito de defender a seleção na Copa e seguirá proibido de jogar no Flamengo. Ingeriu chá de coca servindo ao Peru e lhe foi concedido o direito de defender o país no Mundial – e só.

É o famoso “ir em festa de jiromba fantasiado de bunda”. O Flamengo precisa escolher melhor as festinhas a que é convidado. E, claro, entrar com um processo contra Federação Peruana de Futebol. Pra ontem.

Felipe Maynard avatar

Carioca, rubro-negro, jornalista de formação, analista de sistemas por necessidade e pai de três