Fomos presenteados nesta gelada noite de quarta-feira com um espetáculo digno de um final de semana de sol em estádio lotado. Flamengo e Grêmio entregaram um jogo de gigantes, em que o empate refletiu perfeitamente o que houve em campo: dois timaços se enfrentado como iguais numa partida de tirar o fôlego. (Me lembrou a luta entre Apolo e Rocky no primeiro filme da franquia. Ok, pode ser empolgação de quem está soltando a coluna imediatamente após o jogo. Relevem, se assim quiserem).

Foi um jogaço de futebol. Talvez um dos melhores da temporada, se não o melhor. Flamengo jogou de forma consciente e – o que é melhor – convincente. Jogar nas cordas o bem treinado time do rubro-negro Renato Gaúcho em sua casa é façanha pra poucos. Sentimos o gol deles, numa inacreditável jogada de Leo Moura para conclusão de Luan. Aqui, aproveito para uma cornetada de leve, pra não perder a viagem: espero que o Lomba tenha repensado a desnecessidade de laterais para o resto do ano.





Mas mesmo após o gol, o time soube se manter firme na postura, foi se acertando aos poucos e tomou conta da partida na segunda etapa (60% de posse de bola e 15 finalizações contra 0 deles). Foi recompensado com um gol aos 49 minutos do segundo tempo, mais um daqueles gols para abraçar o desconhecido ao lado e despencar da arquibancada com ele, como se ambos fossem dois velhos conhecidos. Um êxtase que só o futebol pode proporcionar.

Barbieri está de parabéns. Fora de casa, com um resultado adverso, conseguiu fazer a equipe jogar de igual pra igual contra um adversário de alto nível. Destaques para Everton Ribeiro, Diego e Marlos Moreno, que ainda nos dará muitas alegrias este ano. Me cobrem. Uribe não foi bem, os laterais idem. Mas a entrega do time não me permite hoje – não agora, pelo menos – apontar esse ou aquele abaixo da média.

É hora de comemorar. Não porque se deva vibrar com um empate. Mas, sim, celebrar a postura de quem quer vencer, de uma equipe que deu orgulho e prazer ver jogar. Nem sempre as grandes atuações vêm nas vitórias, e hoje o Flamengo mostrou isso.

Agosto começou muito bem.

Felipe Maynard avatar

Carioca, rubro-negro, jornalista de formação, analista de sistemas por necessidade e pai de três