Ha uns quatro anos, voltando para casa após uma semana de trabalho, estava no aeroporto Santos Dumont fazendo check-in e despachando minha bagagem para Campinas. Tudo certo – ou quase certo: lhes pouparei dos detalhes, mas eu entrei no avião errado e fui parar em Santa Catarina. Resultado: fiquei à noite em Navegantes e minha bagagem tomou o rumo oposto.

Acredito que o futebol do Flamengo passou por situação parecida e pegou um voo diferente em Porto Alegre e só quem veio ao Rio de Janeiro foram os jogadores. O que se viu ontem no Maracanã foi um desastre completo, uma equipe que um desavisado poderia jurar ter se conhecido ali mesmo no estádio, no vestiário. Em nenhum momento da partida, o Flamengo ameaçou o Cruzeiro e, rapidamente, a torcida percebeu que nada de bom aconteceria naquela noite, o que refletiu na total falta de incentivo da galera da arquibancada.





Para quem curte Stranger Things, o Flamengo de ontem veio do mundo invertido do time de quarta passada.

Ficou claro que a estratégia utópica de seguir em busca de sucesso nas três frentes vem mostrou-se ineficaz. É o que os executivos chamam de “síndrome do pato”, que anda, nada e voa, mas não faz nenhum dos três direito. No meu pitaco extraordinário de fim de semana, diretamente no meu feed do Futebolzinho, eu sugeri largar de mão o Brasileiro e focar no caminho mais curto da Copa do Brasil e na grife Libertadores. Diante da tragédia de ontem, retifico: coloca o sub 13 na Libertadores e prioriza as demais competições.

Voltando à minha desventura no aeroporto: felizmente na mesma noite, fui recolocado em outro voo – desta vez, correto – e em poucas horas me juntei à minha bagagem, sã e salva. Espero que este reencontro do time com seu futebol também aconteça com a mesma rapidez que o meu.

Felipe Maynard avatar

Carioca, rubro-negro, jornalista de formação, analista de sistemas por necessidade e pai de três