Nesta parada imposta pela Copa do Mundo, até o retorno do Brasileirão, nossa coluna fará um bate-bola rápido com nomes do jornalismo esportivo do Rio de Janeiro. Serão entrevistas rápidas e objetivas, inspiradas na seção “5 perguntas para” da Revista Veja.

Começamos esta iniciativa com o jornalista, historiador, escritor e pesquisador Roberto Assaf, que já passou pelas redações da ESPN Brasil, Sportv e Lance e escreveu várias enciclopédias do futebol, tais como “Almanaque do Flamengo”, “Flamengo x Vasco, o Clássico dos Milhões”, “Fla x Flu, o Jogo do Século” e “Seleção Brasileira (1914 – 2006) – O livro oficial da CBF”. Hoje, administra o site Rua Paysandu, dedicado à memória do Flamengo, à crônica cotidiana do time nos principais campeonatos e a excelentes histórias das redações.

Tivemos três acontecimentos recentes que antecederam a ascensão do time: as saídas de Rodrigo Caetano, Fred Luz e a cobrança da torcida no aeroporto. Você acha que o ponto de virada da equipe teve algo relacionado a um desses eventos ou apenas coincidência com o bom trabalho do Barbieri, ou mesmo um pouco de tudo?

Na minha visão, mesmo sem dar importância absurda a algum dos acontecimentos, a virada está ligada ao conjunto das três obras. E ao trabalho do Barbiéri, que por enquanto considero razoável, pois só poderá ser aceito como bom quando o time estiver de fato brigando pelo título brasileiro e avançando em pelo menos uma das outras duas etapas, Libertadores ou Copa do Brasil, levando-se em conta que o objeto em questão é o Flamengo, ou seja, um gigante.

Com o Abel no mercado ele pode se tornar uma possibilidade ou é mais prudente seguirmos com o Barbieri?

Sim, creio que o mês de agosto será decisivo para o Flamengo, e é claro, para o Barbiéri. Se o time não sobreviver aos nove jogos em 29 dias do mês, provavelmente sobrará para o técnico. Daí resta saber se o Abel estará à toa até lá.

Para quais posições você iria em busca de reforços nessa parada da Copa?

Posições? Depende de como estaremos ao fim da Copa. Por enquanto, dois laterais e dois atacantes, porque com Marlos Moreno e Henrique Dourado não vai dar. Ao fim da Copa poderemos ficar sem o trio Vinícius-Vizeu-Paquetá. Em 2008, vivíamos situação idêntica, e perdemos Renato Augusto, Marcinho e Souza de uma vez só. O time desabou.

A torcida adversária costuma procurar razões mais nebulosas para a liderança isolada de um clube em um campeonato. No caso do Flamengo, a tabela que supostamente o favorece. Faz algum sentido essa teoria?

Num campeonato de 38 rodadas, todos contra todos, dentro e fora da casa de cada um, o que é ótimo hoje, pode ser péssimo amanhã. Na reta final de 2009, por exemplo, o Flamengo teve que superar o Atlético em BH e o Palmeiras em SP. Se o time não estivesse ajustado ali, perderia o campeonato. As mesmas pessoas, cronistas e torcedores, que dizem agora que a tabela é favorável são as mesmas que já começam a garantir que sem Vinícius, Vizeu e Paquetá o Flamengo entrará em decadência. Nesse caso, a tabela não ajudou. O Palmeiras, que na minha opinião é o grande favorito para o título, não conseguiu vencer Chapecoense e Sport em SP, e nem o Ceará, que nessa teoria é uma moleza, em Fortaleza.

Qual seria a melhor estratégia pro Fla não perder o embalo com a parada pra Copa? Amistosos, treinamentos pesados ou descansar o elenco?

Em amistosos você corre dois riscos: desgastar os jogadores em viagens e a possibilidade de perdê-los em contusões imprevistas. Você vai enfrentar o Bambu FC em Caixa Prego e o time de lá vai dar a vida para ganhar do Flamengo. Não vai poupar as canelas dos adversários. Além disso, não creio que os jogadores do Flamengo possam mostrar maior empenho em amistosos do que em treinos. Até porque seria desnecessário fazê-lo. Creio que esse período deve ser fundamental para acertar o time sem Vinícius, Vizeu e Paquetá, se esse último for embora, é claro.

Na época do Guerrero tínhamos um esquema de bolas centradas na área, onde um centroavante ideal ali seria o Dourado. Agora temos o Dourado, quando o esquema atual é de chegada ao gol com toques de bola e sem chutão ou cruzamentos. Ideal para um bom pivô, no caso, Guerrero.  Você acha que os dois últimos centroavantes titulares chegaram em momentos errados no time?

Não. Houve o desejo de acertar com os reforços. Parece apenas que as circunstâncias não ajudaram.

Agosto será um mês de muito trabalho. Muito MESMO, com desafios pesados nas três competições (Libertadores, Brasileiro e Copa do Brasil). Dá pra pensar em poupar o time em alguma delas?

Eu odeio time reserva, ou alternativo, como chamam agora. Mas no caso de uma maratona como essa, a pior em muitos anos, eu aliviaria os jogadores na Copa do Brasil. Até porque só por milagre, ou mágica, para qualquer time, seria possível ganhar Copa do Brasil, Libertadores e Brasileiro.

Felipe Maynard avatar

Carioca, rubro-negro, jornalista de formação, analista de sistemas por necessidade e pai de três