O samba é o gênero musical mais popular no país. (Logo ao escrever a primeira linha, assaltam-me as dúvidas: será que o samba continua tão popular? Ou o chamado Brasil profundo já colocou o sertanejo em primeiro lugar? Ou mesmo a tal “sofrência”?). Se o samba é o gênero mais popular do Brasil, é natural que o clube de maior torcida reúna o maior número de sambistas ilustres, não? É quase isso.

O Flamengo esbanja torcedores ligados ao gênero: as cantoras Elizeth Cardoso, Elza Soares, as irmãs Linda e Dircinha Baptista; os cantores Blecaute, Miltinho, Wilson Simonal; os compositores Ary Barroso, Geraldo Pereira, Ataulfo Alves, João Nogueira, e ainda João Bosco, Moacyr Luz e Paulo César Pinheiro, vivos e atuantes. Um grande time, sem dúvida.





Mas o Vasco – que tem enorme torcida nos subúrbios cariocas, onde o samba impera – não fica atrás. São vascaínos: Paulinho da Viola, Guinga, Nei Lopes, Martinho da Vila, Aldir Blanc, Nelson Sargento e, não por último, Nelson Cavaquinho. Um conjunto de qualidade.

O Botafogo não faz feio nessa disputa. Entre as mulheres, Emilinha Borba tem lugar de destaque. Roberto Silva – um dos maiores cantores do Brasil de todos os tempos, segundo a opinião de ninguém menos que João Gilberto (que é Fluminense) – encabeça a lista dos homens.

Beth Carvalho, cujo jogo inesquecível é a conquista do Brasileiro de 1995, com gol do artilheiro Túlio, gravou um samba em homenagem ao clube e a seus sofridos torcedores. Aquele que diz: “Esse é o Botafogo que eu gosto/ Esse é o Botafogo que eu conheço/ Tanto tempo esperando esse momento, meu Deus/ Deixa eu festejar que eu mereço”.

Zeca Pagodinho também é da estrela solitária. Certa vez, fui entrevistá-lo no sítio de Xerém. Tarefa difícil, pois ele não respondia a três perguntas seguidas, sempre tinha alguma coisa mais urgente para fazer, e me deixava falando sozinho. Mas consegui encaixar a pergunta: “Você torce por qual time?”. E ele, lacônico: “Botafogo”. “Por quê?”, eu insisti. A resposta veio na lata: “Porque é o time da malandragem”.

O grande Luiz Carlos da Vila, revelado nos pagodes do Cacique de Ramos, não escondia sua predileção pelo Botafogo. Assim como Walter Alfaiate, Zé Renato e Emílio Santiago, legítimos sambistas. Estes não são sambistas de fato, mas merecem a citação: Agnaldo Timóteo (antigamente presença certa nas arquibancadas do Maracanã), Chico César, Vinicius Cantuária, Ed Motta, Ronnie Von, Wanderley Cardoso, Sidney Magal.

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Hoje tem jogo contra o Atlético Mineiro, pela Copa do Brasil. Parada duríssima. Para confirmar se o Botafogo, credenciado pela boa campanha na Libertadores, virou um time copeiro ou não. Espera-se casa cheia no Niltão.

Neste momento do clube, alguns dados do programa de sócio-torcedor impressionam. O “Sou Botafogo” cresceu mais de 400% em um ano. São mais 33 mil associados, contra cerca de cinco mil em março de 2016.