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Beque Parado / Flamengo

Havaianas em alto-mar



Foto: RAUL PEREIRA/FOTOARENA/ESTADÃO CONTEÚDO

O Flamengo no pós-Copa reeditou o bonde sem freio dos tempos de Ronaldinho Gaúcho. Desta vez, contudo, não no sentido de atropelar todos sem tomar conhecimento, e sim de um bólido desgovernado, cujo destino fatalmente tudo indica ser um muro que resultará em (mais) um ano em que a realidade jogou um balde de água fria na expectativa. Será possível que a saída de um jogador – Vinícius Jr – tenha sido o gatilho para uma sequência de atuações desastrosas, pontuadas por ilhas de lucidez cada vez mais raras, como o jogo de ida contra o Grêmio em Porto Alegre? Por que Lucas Paquetá despencou de produção de forma tão acentuada? Quem endossou a contratação de um jogador com mais de 3 mil minutos ser marcar um gol?

Eu poderia seguir meu lamento e mau humor que, infelizmente (e a despeito dos que me chamam de pessimista), mostra-se cada vez mais coerente com o cenário que vemos quando olhamos pela janela. Mas isso não fará o Barbieri tornar-se um estrategista com pulso firme, que tem o time nas mãos, cujas preleções mexam com os brios até de gente de quem não se espera nada, como Marlos Moreno e Rodinei. Tampouco fará com que Rômulo e Henrique Dourado aprendam a jogar bola.





Esqueçamos o Brasileiro. Ali, a meta é classificar-se para a Libertadores de 2019. Se fosse estatutariamente possível, o mais sensato seria a nova gestão do futebol começar já, preparando o time para a próxima temporada, terminando o ano dignamente e conduzindo os trabalhos com um novo técnico, obviamente. A retórica do “vai colocar quem então?” não se aplica, é conformista e nos impede de pousarmos de helicóptero no CT de um clube, com uma mala cheia de dinheiro, e de lá sair trazendo pelas mãos o técnico que o Flamengo precisa.

Ainda temos a Copa do Brasil. É a nossa chance real de título este semestre. Espero que os jogadores também tenham essa noção, que tenham em mente que a Copa do Brasil é que irá salvar o ano do Fla, e é a ela que terão que se agarrar, como um náufrago agarra uma Havaianas boiando em alto-mar. Só eles (ou melhor, alguns deles) podem despertar esse élan dentro do clube porque, pelo que tenho lido, os comandantes estão mais preocupados em brigar por cor de chapa nas eleições ou com sua campanha para deputado federal.

 

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Felipe Maynard avatar
Carioca, rubro-negro, jornalista de formação, analista de sistemas por necessidade e pai de três