Foto: Lucas Tavares/O Globo

A Sombra e a Escuridão é um filme de 1996 baseado na história real dos incidentes em Tsavo, ocorridos em 1898. Leões
matadores de gente aterrorizaram a região, localizada no oeste do Quênia. O caso chamou atenção pela brutalidade dos ataques e pelo padrão puramente assassino – nem sempre os animais matavam para comer; matavam por matar.





Estamos em 2018. Em Vargem Grande, mais exatamente no CT do Clube de Regatas do Flamengo, conta a lenda que existe um leão com aparência assustadora mas que, com poucos minutos de confronto, mostra-se inofensivo, muito pela completa ausência de dentes, o que faz sua dieta ser restrita apenas a eventuais refeições líquidas ou pastosas.

O Flamengo de hoje é o leão sem dente de Vargem Grande.

No jogo de ontem, contra um dos piores Corinthians dos últimos anos, ficou clara a inequívoca inoperância do ataque rubro-negro. Embora o jogo tenha começado de forma empolgante – nos primeiros minutos eu tive a clara impressão de que venceríamos com certa facilidade -, logo o time mostrou o futebol que vem caracterizando suas recentes atuações: a completa ausência de poder de finalização. É inaceitável e inexplicável termos no ataque titular e reserva, respectivamente, Fernando Uribe e Henrique Dourado. Avalizar esse tipo de contratação deveria tipificar crime de lesa-nação rubro-negra, com pesada punição aos envolvidos, sem primariedades ou atenuantes.

Há os que dirão: “ah, mas o Corinthians jogou na retranca, como fazem todos os times treinados pelo Jair Ventura e vai ter que ir pra cima da gente lá no Itaquerão. Está em aberto, nada está perdido”. Vou contar uma novidade, talvez os partidários deste discurso não saibam: times grandes jogam contra retrancas 90% do tempo. Faz parte das atribuições das boas esquipes furá-las. E, sinceramente, leitora… olhando para o histórico recente, você realmente acredita nesse prognóstico que, além de ser espantosamente otimista, é absolutamente irreal, dado o contexto em que o Flamengo está inserido?

E antes que venham me falar do gramado (que realmente está uma vergonha e me espanta que nenhum jornalista até agora tenha corrido atrás de uma boa explicação para isso): foi nesse mesmo terreno de várzea que o Cruzeiro se impôs no jogo de ida da Libertadores. Não esqueçamos.

A esperança que carrego para o jogo de volta é algum protético abnegado presentear o pobre leão rubro-negro com uma linda e afiada dentadura. Caso contrário, já me preparo, resignado, para a tríplice coroa da frustração. Mais uma.

Felipe Maynard avatar

Carioca, rubro-negro, jornalista de formação, analista de sistemas por necessidade e pai de três