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Beque Parado / Flamengo

Meu pedido de Natal

Meu pedido de Natal

“Querido Papai Noel
Desculpe-me por lhe escrever tanta antecedência. É que eu acho que, à medida que o Natal se aproxima, a quantidade de cartas que chegam ao senhor aumenta consideravelmente e não quero correr o risco de que a minha se perca entre tantas outras.
E, também, porque já decidi o que quero ganhar neste Natal.
Não sei se na Lapônia tem TV por assinatura que transmita os jogos do Flamengo. Se tem, o senhor deve ter visto a temporada do time em 2018. Deve ter visto que, desde janeiro, a equipe deve ter feito umas duas ou três muito boas atuações, em situações-chave que nos fizeram acreditar que poderíamos ir a algum lugar este ano.
Mas a dura realidade, senhor, é que este time tem uma aura derrotista que lhe é indissociável, infelizmente. Somada a ela, um comando cuja escolha se mostrou equivocada. Não dá mais para o Flamengo ser balão de ensaio de carreira de treinador. O time por que desde pequeno aprendi a torcer sempre foi formado por jogadores e treinadores que não aceitavam o fracasso de forma passiva. Já vi por lá equipes medíocres, já vi equipes razoáveis e já vi equipes muito boas. Em comum a todas elas, a vontade de vencer, a raiva no olhar por não ter atingido um objetivo.
Voltando ao meu pedido, Papai Noel, anote aí: quero de volta meu Flamengo inconformado com a derrota. Pode começar com um centroavante. Ano passado, nós vimos que não é possível pensar em conquistas com um time sem goleiro; este ano, estamos vendo que sem ataque isso também não é possível. Quero de volta o Flamengo que faça o básico que se espera de um time grande: ganhar em casa. Muito do nosso fracasso deste ano se deve a não fazermos nosso dever de casa, junto à torcida. Foi no Rio que demos adeus à Libertadores e à Copa do Brasil.
Tem um ditado que diz que não se pode esperar resultados diferentes quando se faz a mesma coisa. Então, Papai Noel, quero gente nova no comando do Flamengo. A alternância de poder é saudável em qualquer esfera de administração, seja ela clubística ou estatal. O que essa turma fez pela base e pelas finanças do clube é digna de aplausos de pé e ficará eternamente em nossos corações. Mas não dá mais para tratar o Departamento de Futebol na base do empirismo auto-suficiente. É preciso haver humildade suficiente para admitir a necessidade de gente que entenda o que significa o futebol rubro-negro e todo o peso que essa marca traz.
Sei que pedi muita coisa e o senhor tem problemas muito mais urgentes para resolver. Não é fácil. Mas já vi tanta gente falar do “milagre de Natal” que não custa tentar. Vai que, né…
Obrigado por ler minha humilde correspondência. Ficarei na torcida para que meu presentinho esteja na árvore na madrugada de 25 de dezembro. Até lá, ficarei na esperança de um restinho de temporada minimamente digno. E prometo não encher mais o seu célebre saco.
Feliz Natal”

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Felipe Maynard avatar
Carioca, rubro-negro, jornalista de formação, analista de sistemas por necessidade e pai de três

9 Comments

  1. Abigail Cavazos avatar

    Assino esse pedido natalino! Faltou casca ao comando!!

  2. Urubu Rei avatar

    Venceu o anti-jogo do time covarde do Corinthians

  3. Frank Cavaliere avatar

    Corinthians achou o segundo gol. Flamengo tinha o controle das ações, mas aquele jogo do Maracanã fez toda diferença

  4. Rafael CRF avatar

    “Foi no Rio que demos adeus à Libertadores e à Copa do Brasil.” Resumiu bem demais… agora é partir com força pra cima do Brasileirão

  5. Vicente Cullmann avatar

    Nota 10 parceiro!

  6. Reginaldo Mendes da Mota avatar

    Admiro os “torcedores” que colocam a culpa na retranca do time adversário… Isso deixa mais evidente a incompetência do perdedor.
    Parabéns Maynard pelo bom senso.

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