Share This Post

Botafogo / Flamengo / Fluminense / Vasco

Globo confirma mudanças nos horários das transmissões de partidas a partir de 2019

Globo confirma mudanças nos horários das transmissões de partidas a partir de 2019

Nos últimos anos, o torcedor se acostumou com os jogos de quarta-feira no horário de 21h45. Em alguns casos, há pouco tempo, também houve partidas que se iniciaram às 11h e até 22h, todos horários de Brasília, o que sempre foi alvo de reclamações pelos telespectadores. No entanto, para 2019, uma transformação pontual ocorrerá. Em entrevista ao portal Lance, o diretor de direitos esportivos do grupo Globo, Fernando Manuel Pinto, confirmou que os horários dos jogos no meio de semana serão alterados para a próxima temporada.

– Para o ano que vem, já temos uma grande notícia. Os jogos de quarta à noite foram programados para às 21h30. O futebol é um produto que se encaixa dentro de uma estratégia de programação da Globo e sempre há um esforço para tentar dialogar e compreender, e isso já acontece para o ano que vem com a antecipação de 15 minutos. É importante também frisar que uma dificuldade com o horário não está ligado apenas a televisão, está também ligado à necessidade dos próprios clubes ou dependendo da cidade de suas arenas para que as pessoas possam chegar. Será também que não é uma questão de infraestrutura e transporte? Bom seria se nós pudéssemos, com o futebol, continuar incentivando que o sistema de transportes se adapte também a economia e eventos, não o contrário. É natural ver, nos Estados Unidos e Europa, eventos que começam a noite e terminam de madrugada, sem prejuízo para que as pessoas possam ir e voltar para casa. Há um esforço e compreensão do grupo, mas aquele horário noturno não é um capricho. É uma necessidade em termos de programação, que por sinal valoriza muito o futebol, porque nós temos o futebol como um produto de horário nobre, quando as famílias já estão em casa, acompanhando e repercutindo – disse ele.

Flamengo jogou 11h (horário de Brasília) contra o Ceará e teve casa cheia. (Foto: Marcelo Theobald/Agência O Globo)

Outro tema que sempre foi discutido refere-se a quantidade de jogos durante a temporada, prejudicando notoriamente todos os clubes. Sobre isso, Fernando Manuel, concorda com as reclamações sobre o calendário e também cobra por transformação. Entretanto, analisa o cenário ser preocupante para os clubes no comercial. As datas espremidas provocam a desvalorização do produto da emissora.





“O resultado final é que o Campeonato Brasileiro acaba espremido. Temos uma situação atípica no Brasil. Por ficar espremido com tantos jogos em poucos meses, você acaba provocando isso. Somos todos responsáveis por isso, por não antecipar problemas, por se apegar demais ao passado e não promover mudanças necessárias. Eu me preocupo com o necessário. Tanto para o Grupo Globo quanto para os clubes, de modo comercial, esse cenário é bem preocupante”.

CONFIRA OUTROS TÓPICOS IMPORTANTES DA ENTREVISTA AO LANCE!:

Como a Globo enxerga o cenário do futebol brasileiro atualmente? 

– Acima de tudo o grupo e o próprio movimento de aquisição de direitos nos últimos dois e três anos, renovamos contratos de Série A, Série B, Copa do Brasil e jogos da Seleção Brasileira. O grupo renovou os votos e suas apostas na força do futebol brasileiro. E está convicto disso que o futebol brasileiro permanece sendo o principal ativo esportivo para o desenvolvimento dos negócios e da relação usando o esporte com o público.

Sobre o estágio atual do futebol brasileiro no campo dos negócios, costumo dizer que sempre que você renova as apostas e acredita, isso jamais deve te afastar de uma visão crítica do que nós devemos fazer a mais para desenvolver ou o que devemos esperar e motivar o futebol a fazer. É um cenário que nos preocupa, um agravamento de crise em alguns clubes. Creio que decorra de diversos aspectos, desde gestões passadas, mas a própria transformação do nosso país. O implemento do ProFut, impondo uma responsabilidade de custo e gestão bem maior, a própria formatação da venda dos direitos dos clubes da Série A, que impõe para o futuro de 2019 em diante, do principal contrato, que é o da Série A em termos de receitas de televisão para os clubes, uma gestão bem mais desafiadora. Você migra de um formato onde alguns clubes tinham valores fixos assegurados para um modelo onde a remuneração de um clube está ligada à participação dele na Série A. É uma soma de quatro fatores absolutamente variáveis. Pela presença na Série A, uma parcela que depende de números de jogos exibidos, uma parcela ligada ao mérito esportivo porque depende da posição final do clube no campeonato, e uma quarta parcela que depende da venda daquele clube no pay-per-view. Creio que os clubes têm um cenário desafiador, que da mesma maneira que o novo modelo trouxe mais meritocracia e projeta mais equilíbrio e divisão de recursos baseados em meritocracia esportiva e comercial, também impõe mais desafio de gestão financeira e estratégica na exploração de ativos.

A quantidade de jogos no Brasil não ajuda a piorar a qualidade dos jogos? Não seria interessante se fazer menos com mais, reduzindo datas dos estaduais (que são financiados pela televisão) e aumentando o período da competição mais importante do país (Brasileiro)?

– Quando entramos nesse debate, temos que reconhecer também os pontos fortes do Estadual. Tem tradição, de fato geram jogos emblemáticos, mas da mesma maneira que tem pontos fortes, tem que ver os desafios que a manutenção acaba impondo. Se me perguntar se sou a favor do fim dos estaduais, digo que não. Não a curto ou médio prazo por questões comerciais. Defendo um reposicionamento. Temos que proteger as competições nacionais, pois só elas colocam os clubes brasileiros o ano inteiro prestando atenção um no outro. Em que momento um torcedor do Rio ou de Minas vai prestar atenção em um clube do Ceará, de Santa Catarina ou até de São Paulo? Só em uma competição nacional. Durante 1/3 do ano, nós condenamos o torcedor a ficar prestando atenção só no seu estado. Isso é um desperdício. Só com o Brasileirão, onde todos jogam contra todos, onde prestam atenção em todos os jogos, é que você tem a atenção plena do público brasileiro com o futebol brasileiro.

Grêmio jogou praticamente o Brasileirão todo com time reserva. (Foto: Juan Mabromata/AFP)

Como é o diálogo da Globo com a CBF para modificar questões importantes do calendário do futebol brasileiro?

– É um processo dinâmico, envolve a CBF e os clubes. Sim, existem acordos vigentes. Todo debate de transformação tem que ter responsabilidade para você promover benefícios e não problemas. Isso é um debate em andamento

Como estão as negociações com os clubes que fecharam com o Esporte Interativo?

– São negociações continuadas. Esse fracionamento dos clubes deixa claro que os desafios são muito trabalhosos. O futebol brasileiro aprendeu com esse processo. A Globo já firmou 34 contratos para esse modelo 2019-2024. Dos clubes que venderam televisão fechada para terceiros, vários deles fecharam televisão aberta e pay-per-view com o Grupo Globo. Você citou Santos, Inter, Fortaleza, Ceará, Ponte Preta… Com alguns clubes, nós já compomos os acordos nas mídias que eles possuem disponibilidades. Há, sim, clubes sem contrato. Sigo engajado em mostrar as vantagens do novo modelo.

A Globo pode ficar sem transmitir alguns jogos?

– Dentro do alinhamento jurídico do Brasil, o grupo precisa ter o direito dos dois clubes. O Grupo Globo tem um volume de jogos que tem contrato e a Turner tem direito a outro pacote de jogos. Note que como isso é por mídia, há partidas que podem ter exibição em televisão fechada pela Turner e televisão aberta pela Globo. Nós nunca passamos por essa situação na Série A, mas falta um tempo e algumas variáveis. Muitos clubes foram colaboradores na formação de ideias. O que me cabe fazer é continuar expondo benefícios e avanços. É impossível ver a distribuição de direitos de clubes que são coletivos sem termos que são padrões e comuns a todos. Tenho orgulho de dizer que o termo apresentado ao clube é coerente.

Fonte: Lance!

Share This Post

Gabriel Lutterbach avatar
Jornalista em formação, 19 anos, mais carioca do que mineiro, mesmo sendo ao contrário na realidade. Setorista do Fluminense pelo Futebolzinho. Tudo que eu entendo do ser humano, devo ao futebol.