Share This Post

Flamengo / Nos Entre os Gols

O Caráter (ou a falta dele) e o Jogo de Futebol

O Caráter (ou a falta dele) e o Jogo de Futebol

(crédito – Fla TV)

… Bem-vindo, meu amigo / (Agora) É você e eu / Você sente o olho que vê você? / Você pode sentir seu grito silenciado? / Este é o nosso sonho próprio horrível…” – The Wretched  – Tristania, álbum Ashes, 2005.

E chegamos ao nosso segundo texto e antes que você prossiga, preciso avisá-lo que não faço nenhum juízo de fato. Sigo na contramão dessa modernidade onde se deve ter cuidado com tudo que se escreve, fala ou desenha sob a pena de estarmos politicamente incorreto.





Obviamente que essa minha forma até certo ponto egoísta de ser não me dá o direito de ser incorreto ou grosseiro com pessoas e o título deste texto e a citação inicial de uma letra musical não indica verdades absolutas.

Posto isso, convido você a mais uma reflexão relativista baseada em uma ideia exposta na obra Hamlet de Shakespeare, “nada é bom ou mau, a não ser por força do pensamento”. Ou seja, como percebemos (e experimentamos) coisas de maneiras diferentes, só há verdades relativas.

Calma! Existe sim uma verdade absoluta que é a minha paixão pelo Clube de Regatas do Flamengo e disso eu não abro mão e espero que você também não abra. Com a licença poética, neste caso (outros poucos também), me permita contradizer Shakespeare, que, se sentisse uma Paixão Flamengo, mudaria uma das suas mais famosas expressões para “Ser… Sempre ser, eis a afirmação: Uma vez Flamengo, Flamengo até (depois de) Morrer”.

David Tennant no papel de Hamlet – Royal Shakespeare Company

Calma de novo! Eu gosto de fugir do tema central do texto e não é por sofisma e sim por devaneio quando eu penso (e sinto) na palavra Flamengo. Afinal estamos aqui no Futebolzinho.com em uma comunidade que (ainda) permite esses desvios, aliás, ótimos desvios chegam mais rápido a corações e mentes. Estou tentando, por favor, tenha paciência.

Será que é tempo

Que lhe falta pra perceber?

Será que temos esse tempo

Pra perder?

E quem quer saber?

A vida é tão rara

Tão rara

 

Mesmo quando tudo pede

Um pouco mais de calma

Até quando o corpo pede

Um pouco mais de alma

Eu sei, a vida é tão rara

A vida não para não

A vida é tão rara

(Paciência – Lenine e Dudu Falcão, álbum Na Pressão, 1999)

Você já percebeu que usei as imagens do Felipe Melo e Vinicius Júnior no momento da entrada dos dois times em campo na última quarta-feira 13/06.

Me chamou atenção ao ver no Canal Fla TV esse rápido momento: O olhar de Felipe Melo para aquele que, mais tarde seria agredido fisicamente de forma violenta quem sabe senão o próprio Felipe se sua atitude foi premeditada.

Felipe Melo fez fama por “ser durão” e diversas vezes por autoafirmação o mesmo tipo de atitude ou virilidade extrema foi usada por ele em qualquer clube que tenha jogado ou que venha jogar. Felipe é assim e creio que nada o mudará. Falta ao seu corpo um pouco mais de alma.

Relativamente você deva estar pensando agora que foi uma “entrada” que acontece em todos os campos de futebol pelo mundo, seja no Santiago Bernabéu, Maracanã ou no campinho de peladas perto da sua casa.

Mas e o contexto do fato?

Realmente havia necessidade de tentar “quebrar” o tornozelo de um garoto para reafirmar a fama de mauzão (sic)?

Um garoto de dezessete anos, jogando talvez a sua última partida pelo clube que o projetou e com um futuro brilhante pela frente é escolhido para que uma bravata seja contada dentro do vestiário ao final do jogo.

Tivesse vinte, trinta e quatro ou cento e setenta anos, isso não importa!

Para muitos e principalmente para a torcida do clube que o Felipe atualmente joga, esse tipo de violência faz parte do “espetáculo”, assim como fez parte do nosso Espetáculo Flamengo as “tesouradas” de Júnior Baiano.

Alguns defendem o que é indefensável e isso independe do clube que o agredido jogue. Repito, independe.

Recorro ao Dicionário para uma das explicações da palavra caráter: “aspecto morfológico ou fisiológico utilizado para distinguir indivíduos em uma espécie ou espécies entre si”.

                Segundo Gol – Fla x Flu – 16/02/1986

Assim como Felipe premedita uma jogada violenta, outros jogadores premeditam uma jogada que ficará lembrada para sempre. Zico, por exemplo, com seus treinamentos de faltas…

Recorro mais uma vez ao título desse texto e penso que o futebol com tantos exemplos positivos: superação, trabalho de grupo, educação e que muitas vezes também chamado de “arte do povo” por pinturas como a foto ao lado, também tem diariamente exemplos negativos e Felipe Melo é apenas mais um desses exemplos, infelizmente… É tempo que lhe falta para perceber.

A vida é tão rara para Felipe assim como é para Vinicius e cada um decidirá em suas trajetórias o que será melhor para suas carreiras como atleta.

Garanto, Vinicius agora começa sua trajetória no futebol internacional e o ocorrido é apenas um lance (de um desprezível jogador) que ficará esquecido. Sua formação como atleta bem como sua base familiar indica o seu premeditado sucesso, como já dito, questão de caráter.

Até Breve, SRN.

Ps. Ainda me emociono com as lágrimas de Vinicius ao se despedir (momentaneamente) da Torcida do Flamengo no Maracanã em 10/06. Gratidão por tudo e por todos.
Um até breve para você também, Vinicius e mais uma vez muito obrigado.

 

Share This Post

Pascoal Grisolia avatar
Carioca e Flamengo desde a geração da primeira célula. Minhas elucubrações e as músicas que eu cito são extensões do que penso com meus botões modernamente chamados de teclas. Nem tudo é fina ironia ou se deve levar tão a sério. O mais importante é a provocação. Twitter: @pascoalgrisolia

3 Comments

  1. Urubu Rei avatar

    Ele volta!!! Vai estourar na Europa e volta com certeza.

  2. Tozza avatar

    Acho que volta também, mas vai demorar um pouquinho rsrs

Comments are now closed for this post.