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Beque Parado / Flamengo

O paradoxo de Zenão

O paradoxo de Zenão

Zenão de Eleia foi um filósofo pré-socrático que viveu em por volta de 430 a.C. Seu método filosófico consistia em enunciar paradoxos, dentre os quais destaco o que é conhecido no meio matemático como Paradoxo do Arqueiro de Zenão: “Um arqueiro está distante 2 metros do alvo. Admita que a flecha ao ser lançada percorra sempre a metade do caminho restante. A flecha alcançara o alvo?”

Aproveito, quase 2500 anos após Zenão, para adaptar este que é um de seus mais conhecidos paradoxos à realidade futebolística a que estamos desgraçadamente nos acostumando: “Um time está distante 2 metros do líder do campeonato. Admita que o time, nas rodadas mais importantes da reta final, percorra sempre a metade do caminho restante. O time chegará à liderança?”





O Flamengo é a reencarnação contemporânea da Aporia do Arqueiro de Zenão.

Desde que perdeu a liderança do campeonato, logo após a Copa do Mundo, o time se viu em situações em que bastava uma vitória para alcançar o líder – ou até mesmo passá-lo. E em quase todas as oportunidades, as perdia. Nas duas últimas rodadas, esticamos a corda que nos separa do líder em dois lances fundamentais: duas bolas inacreditavelmente perdidas por Lucas Paquetá e Vitinho, nos jogos contra Palmeiras e São Paulo, respectivamente.

Em ambos os jogos, quando o fôlego do time (que melhorou consideravelmente após a mudança de treinador) era maior do que o adversário, a desatenção, somada à autoconfiança, fez com que os pontos necessários para manter-se na briga pelo Brasileiro escorressem pelas mãos, em finalizações absolutamente desastrosas.

As sucessivas derrapadas nessa reta final, em que é pedido aquele gás a mais – como se a chance concreta de liderança no apagar das luzes do campeonato não fosse motivação suficiente – escancara a total ausência de inteligência emocional da equipe. É com total impotência que testemunhamos a incapacidade de o time de se automotivar e seguir em frente, mesmo diante das adversidades. E será essa inabilidade o fator determinante para que percamos o mais fácil campeonato brasileiro em anos. Aparentemente, Palmeiras levará a taça para casa por total desinteresse dos demais postulantes. Certos estão eles em agarrar a oportunidade com unhas e dentes.

Muitas das aporias do filósofo, ao longo dos séculos, foram uma a uma refutadas. Fica a minha torcida para que o Flamengo, ainda este ano (num rompante quase adolescente de otimismo), prove que sou um péssimo discípulo de Zenão e refute mais esta.

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Felipe Maynard avatar
Carioca, rubro-negro, jornalista de formação, analista de sistemas por necessidade e pai de três

2 Comments

  1. Regina Carino avatar

    Tem razão vc…faltou autocontrole emocional.
    Mto difícil dar conta de suas próprias emoções em situações como aquelas.
    Será que os jogadores são preparados pra isso? O descontrole emocional é responsável por mtos desastres…

    Ótimo texto!

  2. Pascoal Grisolia avatar

    Perfeita análise. Resolvendo o problema Flamengo, salvo um desastre siderúrgico do atual líder, mesmo assim, não vejo maturidade suficiente no nosso elenco.

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