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Flupress / João Bolt

A regra não é clara e é seletiva

A regra não é clara e é seletiva

“Bola na mão”, “mão na bola”, “teve intenção”, “não teve intenção”, “o braço estava colado no corpo”, “o jogador assumiu o risco abrindo os braços”. Com este pequeno repertório de argumentos os analistas de arbitragem concluem o que bem entenderem toda vez que há um lance em que a bola bate na mão. É só escolher o argumento mais conveniente para o momento e dar a sentença. Eu certamente já vi todos eles, ao analisarem lances semelhantes ao pênalti não marcado para o Fluminense no último domingo, dizerem que foi e que não foi.

Dentro de campo os árbitros fazem exatamente a mesma coisa, ou seja, decidem o que lhes der na telha. E é aí que a coisa fica esquisita. Na mesma rodada tivemos o pênalti não marcado para o Fluminense e o gol anulado do Atlético Mineiro, contra o Corinthians. Dois lances de mão com decisões contraditórias da arbitragem. A mão na área do São Paulo não foi marcada mas a do ataque atleticano foi.





Ninguém em sã consciência pode dizer que o Arboleda ou o Ricardo Oliveira tocaram intencionalmente a mão na bola nos referidos lances. No entanto ambos tiraram vantagem do fato de estarem com os braços abertos. Existe uma determinação clara da comissão de arbitragem para esse tipo de lance? Se existe, um dos dois tem que pegar uma geladeira. Ou o Rodolpho Toski Marques, que não marcou mão, ou o Dewson de Freitas, que marcou no lance do gol do Atlético. Se não existe, eu não sei nem o que pensar. A quem interessaria essa indefinição que permite aos árbitros marcar o que bem entenderem?

Eu topo as duas interpretações. Não teve intenção, não é falta. Ou então, estava com os braços abertos, é falta. É só escolher uma delas e aplicar para todos. A segunda opção é a mais simples de se colocar em prática e foi a que eu aprendi na minha infância. Valia até nas peladas, evitando aquelas intermináveis discussões. Se o braço estiver junto ao corpo, não é falta (nem pênalti). Se estiver aberto, é. De uns anos pra cá é que surgiu esse papo de intenção. Uma aplicação da regra que requer que os árbitros sejam telepatas e saibam o que se passa na cabeça dos jogadores. Mas enfim, o que não pode é as vezes fazer uma coisa e as vezes fazer outra. Ainda mais quando essa seletividade sistemática costuma beneficiar certos times com flagrante frequência. Não vou nem falar do árbitro de vídeo extra oficial, aquele bate boca proposital pra esperar alguém do lado de fora avisar o que a TV mostrou. Isso é outro problema, igualmente grave. Mas estou falando apenas da aplicação uniforme de um critério.

O pênalti não marcado foi apenas a cereja do bolo na atuação de Rodolpho Toski Marques, tão benevolente com o tricolor paulista. O árbitro poupou o São Paulo de quatro cartões amarelos certos. Uma sola do Militão no Ayrton Lucas logo no início do jogo, um tapa do Arboleda no Marcos Júnior, uma bolada covarde do Éverton na cabeça do Léo caído no chão, e uma entrada do Petros no Sornoza que provocou a ira do equatoriano.

Abel errou ao dizer que o mesmo árbitro prejudicou o Fluminense no jogo contra o Corinthians ano passado (na verdade a triste figura apitou o Corinthians 1 x 0 Fluminense da Copa do Brasil de 2016, sendo decisivo para a eliminação tricolor). Mas acertou em cheio ao dizer que se o escalarem de novo, ele nos prejudicará de novo.

Em tempo: comentaristas de arbitragem divergiram sobre o pênalti. Sávio Spínola, da ESPN, disse que foi. Paulo César Oliveira, da Globo, disse que não. Natural, já que há argumentos que embasam as duas posições. Na dúvida fico com a opinião do Sálvio. A lembrança que tenho do PC apitando me leva a crer que ele marcaria o pênalti se fosse contra o Fluminense e não marcaria se fosse a favor. E afinal, pra que serve um árbitro comentando arbitragem se nem a um consenso eles conseguem chegar? Pra dar pitaco depois de ver o replay por vários ângulos qualquer pessoa com razoável entendimento de futebol está igualmente capacitada.

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João Claudio Boltshauser avatar
João Claudio Boltshauser (Bolt pra facilitar) curte escrever sobre o Fluminense Football Club, em especial sobre sua história. Aquela que traduz a predestinação para a glória.

3 Comments

  1. Miguel Vasconselos avatar

    Bem por aí mesmo. Criaram 2 regras validadoras e usam a mais pertinente de acordo com a vontade ou time.

  2. Alexandre Magno Barreto Berwanger avatar

    No final do jogo de hoje entre Roma e Liverpool pela final de hoje da Liga dos Campeões fiquei tocado ao ouvir os comentaristas da Globo dizendo que o pênalti a favor da Roma foi legítimo (também acho que foi) , com o braço do jogador do Liverpool quase encostado no corpo. Já na partida do Fluminense contra o São Paulo no domingo passado, o cara com o braço todo esticado…são tão justos…

  3. Caros,

    Juiz não marca intenção ou não intenção, marca falta. E interceptar a bola com a mão quando esta ia em direção ao gol e não batendo no tronco do jogador, é falta. Simples assim… Menos, é claro, para os juízes da Rede Globo, que todo tricolor já conhece de outros carnavais.

    SDs T

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