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Dedé Moreira / Flupress

Buscando a ponta

Buscando a ponta

Disse aqui na sexta-feira passada: Mantendo o nível de atuação do jogo contra o Botafogo briga em cima.

De novo, o Flu jogou muito bem e, claro, venceu, como acontece quase sempre quando se joga melhor do que seu adversário.





O bom das duas últimas atuações do Fluminense é que tanto no jogo contra o Botafogo, quanto no jogo contra o Atlético, o Flu impôs seu jogo. No primeiro jogando com a bola e atacando e no domingo passado jogando em transição.

Embora por caminhos diversos os números refletem essa imposição:

Contra o Botafogo o Fluminense acertou 389 passes e finalizou 20 vezes. Ou seja, pra cada finalização foram necessários em torno de 19 passes. Em compensação o Botafogo conseguiu 250 passes e finalizou apenas 8 vezes, precisando de mais ou menos 31 passes pra cada finalização. Ou seja o Fluminense supera o Botafogo tanto defensiva, quanto ofensivamente.

Contra o Atlético o Flu foi ainda mais direto. No primeiro tempo foram 138 passes pra 9 finalizações. Média de 15 passes pra cada finalização. O Fluminense finaliza o jogo com 237 passes e 13 finalizações, o que dá 18 por finalização, muito pela postura controlada de um segundo tempo em que tinha a vantagem de 2 a 0.

O Atlético termina o jogo com 547 passes e 16 finalizações. Mesmo sem a bola, esse número melhora em relação ao jogo contra o Botafogo. O Atlético precisa de 34 passes pra finalizar no gol tricolor.

Outro dado interessante nesse jogo contra o Atlético, pra mim, a melhor atuação do campeonato, porque juntou performance e resultado num jogo com risco próximo de zero, foram os maiores passadores do time.

Há alguns posts atrás reclamei que o jogo concentrava muito nos zagueiros, com eles estando entre os caras que mais pegavam na bola no Fluminense, o que obviamente amarrava o demais o jogo.

Pois Abel, pelo visto, corrigiu esse problema. No jogo de domingo, tivemos o primeiro jogo no campeonato brasileiro em que entre os 5 maiores passadores do time não consta nenhum zagueiro (Gilberto, Sornoza, Jadson, Richard e Marlon).

Claro que vai melhorar quando a bola passa por quem tem mais qualidade. Nesse caso o jogo passa a ser centralizado no meio campo e na ala.

Klopp, treinador do Liverpool, um time que encanta pelo futebol competitivo e de muito intensidade falou sobre seu modelo, que, por vezes, castiga times da Escola Guardiolista que Diniz tenta implementar no Atlético:

“… Se você me olhar durante um jogo, eu comemoro quando pressionamos o adversário e a bola vai para fora. (…) Se o time do Barcelona (do Guardiola) fosse o primeiro que eu vi jogar quando tive quatro anos de idade… ganhando de 5 a 0, 6 a 0… eu teria jogado tênis. Desculpe, mas isso não é o suficiente para mim. Não é o meu esporte. Eu não gosto de ganhar com 80% de posse de bola.

Treinadores vão dizer que não é importante para o time deles correr mais e preferem fazer os jogos da maneira certa. Eu quero fazer jogos somente no jeito certo e correr 10 quilômetros a mais. Se você não precisa dar tudo e ainda ganha, o que seria isso? Você não gosta desse jogo? É como se fosse assim (Klopp boceja). Não é a estatística mais importante, mas eu adoro ler que corremos mais que o adversário. Você pode obter o respeito se fizer isso e você tem mais chance de ser bem sucedido…”.

Abel parece ter incorporado a filosofia. Como corre o time do Fluminense! Como incomoda o seu adversário o time do Fluminense! E assim, o torcedor, justificadamente, respeita demais esse time.

Se a gente pegar todos os jogos do Brasileiro até aqui, mesmo nas duas derrotas, o Fluminense não foi superado em performance.

Se a gente analisar todos os times do campeonato brasileiro, exceto Grêmio, Corinthians, Palmeiras, Cruzeiro e Flamengo (sem ordem), não dá pra afirmar que há times ou elencos tão melhores que os do Flu. O nível é baixo sabemos.

Mesmo entre os 5 de melhor elenco, a diferença entre eles e nós é pequena. Portanto, pensar na ponta da tabela é obrigação. Buscar brigar em cima é a única alternativa, mesmo que os ratos que infestam as Laranjeiras tentem a todo momento baixar a expectativa do torcedor pra comemorar mais tarde um lugar no meio de tabela. Esses são pulhas que não conhecem o tamanho do Fluminense.

O Fluminense fará os 6 pontos nesses jogos em casa, exatamente como previmos e no fim desta rodada estará perto do topo, lugar onde deve brigar.

A Chapecoense tomou de 5 fora de casa do Atlético Pr, tomou de 3 do Internacional segunda feira passada e deu muita sorte quando empatou com o Palmeiras.

Alguns cuidados pro Flu:

1 – A bola alta sempre.

2 – A linha de 5 que vez em quando se desfaz no momento defensivo com o adversário entrando no espaço entre o ala e o zagueiro. o Fluminense levou 1 gol assim contra o Nacional de Potosi e teve problemas no espaço entre Frazan e o ala esquerdo naquele jogo. Contra o Botafogo, Lindoso apareceu nas costas da última linha porque Luan subiu e desfez a linha de 5 e contra o Atlético no primeiro tempo Reanto Chaves largou a linha e no seu espaço o adversário entrou em diagonal e saiu na cara do Julio.

3 – A movimentação de Arthur Caike, que vem muito bem na chape. Joga numa faixa entre os zagueiros e o volante que dificulta a marcação e se um zagueiro sair nele abre o espaço citado no item acima. Necessário uma melhor coordenação quando for virar linha de 4 caso um zagueiro saia pro bote.

De qualquer forma é a pior Chape dos últimos anos.

Será um jogo em que o Fluminense não terá a transição defesa-ataque com facilidade. Vai precisar construir. Esse é um teste difícil pra quase todos os times brasileiros, pois desprendemos a jogar com a bola. Mas se conseguir o nível de jogo que alcançou contra Botafogo e Atlético ganha com certa facilidade.

O desafio agora é manter o nível de atuação, de intensidade, de performance dos dois últimos jogos. É provar pro torcedor que esses jogos, a partir de agora, serão a regra, e não a exceção do que ocorreu em 2018 até aqui.

 

 

 

 

 

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Dedé Moreira avatar
Blog do torcedor do flu no Globoesporte, Futebolzinho.com. Gestão Técnica de Futebol e Análise de Desempenho pela Universidade do Futebol.

2 Comments

  1. Regina Carino avatar

    Que grande texto, Dedé! Mais uma aula, sento na primeira carteira…sua leitura de jogo é perfeita!

  2. Carlos Gaia avatar

    Regra e não exceção!

    Esse é o Flu que nós queremos.

    ST

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