Torcida tricolor pode tirar o time do buraco.

Amigos, a ressaca está grande. Depois de passar anos e anos dizendo que a gestão Peter Siemsen era uma merda e destruiria o Fluminense, que o Abad era a continuação do caos, e que a volta do Marcelo destruiria a seleção contra a Bélgica, o desejo que eu tinha era estar errado este tempo todo. Mas não estava. E o pior é que, nestes casos, é péssimo estar certo. Não há orgulho algum em dizer “eu avisei”. Só há tristeza.

O que nos resta a partir de agora? Bem, eu já não tenho mais prognósticos ou diagnósticos a fazer. O caos previsto instalou-se. Resta torcer. Apoiar. Cobrar. Os dois primeiros verbos a torcida até conhece bem, ou pelo menos o que restou da torcida. O último, andou sumido nos anos Siemsen, justamente a pior gestão da nossa história, e agora pagamos o pato. Mas não adianta mais olhar para o retrovisor. É preciso olhar para a frente, para os lados, ver com quem podemos contar e encarar o desafio de mudar o Fluminense.





É fácil? Não. Acabaram com praticamente tudo. A vantagem é que já estivemos bem piores. Mas o fato de já termos ido ao inferno não traz tantos aprendizados assim. Pelo contrário. Para mim, traz o medo de que, se voltarmos, talvez não saiamos nunca mais. E a certeza de que é bom não pagarmos para ver.

Voltaremos do descanso forçado sem o Abel e com Marcelo Oliveira em seu lugar. Pioramos. Mas tentando ser otimista, acho que dentro do que poderia ter acontecido, acabou não sendo tão ruim. Teremos mudanças na equipe. Voltaremos a um 4-4-2 que nunca funcionou com Abel, mas com peças diferentes.

Teremos a volta do péssimo Digão à zaga. Inicialmente, ele havia sido testado no lado direito, com Gum na esquerda. Alguma alma caridosa teve ter alertado que, assim, a gente não ganha nem do Flamengo. Pelo visto, o treinador ouviu e deixou Gum na direita. Menos mal.

No meio, teremos a chance de ver Airton em ação. Acho uma boa. Na lateral, o seu xará com beijo no pescoço faz um ano muito melhor que o do Marcelo, por exemplo. A troca de Richard por Douglas também é válida. Vamos ver no que dá. Mais para a frente, teremos em breve o Luciano, que não tem nome jogador, mas dificilmente será pior que o Vampiro Equatoriano. Este eu espero, pelo menos, que tenha tomado muitas bolsas de sangue neste recesso, para parar de dormir em campo.

A dupla de ataque me assusta mais. Robinho será titular. Desesperador. A vantagem é que não é possível piorar. O máximo que pode acontecer é dar certo. Caso contrário, entra o Marcos Júnior e tudo bem.

Vocês viram que eu tentei ser otimista. Agora é com a gente. Respirar fundo, ir ao Maracanã apoiar, às Laranjeiras protestar, às reuniões do Conselho cobrar, o que for. A faixa de capitão está conosco. Se deixar com eles, acabam com o Fluminense.

Caio Barbosa avatar

Jornalista desde o século passado. Estudou na Universidade Federal FLUMINENSE e foi setorista dos clubes cariocas, inclusive o FLUMINENSE, pelo Diário Lance!, UOL/Folha, Jornal Extra e Globoesporte.com