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Caio Barbosa / Flupress

Flu e o jornalismo perdem Giuseppe Amato, o Meinha

Flu e o jornalismo perdem Giuseppe Amato, o Meinha

Meinha Eterno

O jornalismo carioca perdeu, neste domingo, o popular Meinha. Na certidão, Giuseppe Amato. Mas só era chamado de Meinha, devido à estatura pouco privilegiada, algo ali entre 1,10cm e 1,50cm. Eu carregava o Bambino sempre na memória, pelo seu humor incomparável, escrachado, italianão, ou italianinho, como queiram.

Ainda lembrei muito dele na semana passada, quando completaram dez anos do Gol do Washington. É minha maior lembrança do Bambino. Vou escrever as falas dele em CAIXA ALTA porque ele só falava aos berros. Com tom de escracho, deboche. Não deixava ninguém de cara amarrada.





Os tricolores sabem que aquele foi um dos maiores jogos das nossas vidas. Os secadores também. Só que eu estava trabalhando no Globoesporte.com. Internet. Tempo real. Tensão. Atenção. Meinha trabalhava no DIA e estava na Tribuna vendo o jogo como tricolor. E lá pelos 40 do segundo tempo, ele andando desesperadamente de um lado para o outro, enlouquecido, me vê e grita.

– CAIO, QUERIDO. VOU PEGAR UMA CERVEJA PRA TU.

– SEGURA AÍ, MEINHA. Tô trabalhando. Tô fazendo o tempo real aqui.

– TEMPO REAL É O CARALHO, QUERIDO. FLUMINENSE, PORRA.

– Peraí, Meinha. Na moral.

– NA MORAL É O CARALHO. Ô, QUERIDO (chamando o ambulante que vendia as cervejas), ME DÁ QUATRO AQUI, QUE O FLUMINENSE VAI GANHAR ESSA PORRA.

– Para com isso, Meinha. Que quatro, Meinha? Deixa eu ver o jogo aqui. Na moral. Tô batendo a matéria – disse, ao ver que ele havia comprado não uma, mas DUAS CERVEJAS para mim. E duas para ele. Aos 43 do segundo tempo.

Uma fração de segundo depois, ele chama o ambulante. Naquela época, eles não andavam com isopores a tiracolo. Mas com uma bandeja, presa sobre os ombros, onde cabiam umas 30 cervejas acopladas.

– Ô, QUERIDO. Ô, MEU QUERIDO. ME DÁ ESSA BANDEJA INTEIRA AQUI. EU SOU O BAMBINO. QUANTO TU QUER NESSA PORRA? TOMA AQUI – disse o Meinha, tirando uns 300 reais do bolso e botando na mão do vendedor.

Ele prosseguiu:

– AÍ, RAPAZIADA. FODA-SE, QUERIDOS. A CERVEJA É TODA POR MINHA CONTA. BEBAM À VONTADE. Ô FLUMINENSE VAI GANHAR ESSA PORRA, QUERIDOS. FODA-SE.

Eu me lembro de ter dado uma gargalhada e falado.

– PORRA, MEINHA. SOSSEGA ESSE CU. Olha o escanteio, caralho…

O Thiago Neves bateu o escanteio e o resto vocês já sabem.

Foi cerveja, bandeja, Meinha, Bambino, Querido, a Itália, o Fluminense, o São Paulo, a porra toda para o alto.

MEINHA ETERNO

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Jornalista desde o século passado. Estudou na Universidade Federal FLUMINENSE e foi setorista dos clubes cariocas, inclusive o FLUMINENSE, pelo Diário Lance!, UOL/Folha, Jornal Extra e Globoesporte.com

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