Share This Post

Emiliano Tolivia / Flupress

Cheio de huevos, um comovente Flu empata no Sul

Cheio de huevos, um comovente Flu empata no Sul

Sou metade argentino. E, pelas bandas do Rio da Prata, sempre ouvi que, no futebol, se puenen huevos. Pois não houve paralisação de caminhoneiros que fizesse faltar huevos ontem. Que alegria ver o jovem Fluminense não se intimidar por essa pretensa valentia gaúcha e arrancar um ótimo empate na Arena do Grêmio contra o campeão da Libertadores.

E, também como bom portenho, sou dado a ver futebol comendo churrasco. Foi o caso ontem, quando me reuni com outros tricolores não muito adeptos do veganismo para acompanhar este brilhantemente esforçado Fluminense (Abel deve estar maravilhado).





Ao sabor de picanhas e IPAs, tem sido um programa imperdível viver a improvável jornada do Tricolor neste Campeonato Brasileiro.

FOTOS DE MAILSON SANTANA/FLUMINENSE FC

Começando pelo fim… Quão ridícula foi a reclamação gremista após cinco, mais um!, minutos de acréscimos? Dominaram, mas passaram bem pouco perto de vencer a partida.

Luan deve estar chateado de ficar fora da Copa do Mundo. Deve ser isso.

À beira do gramado, estavam Abel Braga e Renato Gaúcho. Eu sei o que o Renato representa para eles, mas… ficou difícil para a turma do Peninha. Diria ser impossível um resultado ruim para o Flu com essa dupla à beira do campo.

Abelão, claramente imbuído na missão de ser o técnico mais legal do Brasil, vestiu-se de azul, em vez de vermelho. Se provocador fosse, iria de grená. Mas nosso Shrek é um lorde.

O Fluminense começou o duelo como aquele amigo que nunca soube jogar Fifa no Play Station (ok, é um post para jovens ou quase jovens). Tocarápido  e dá logo para o centroavante – e ele que se vire. Como não se vira, perde a bola.

Falando de coisa séria… Dôdi, Dódi, Dolly, sei lá. Este meia não existiu, e era previsível. Foi mais um Maranhão ou um Romarinho do Abel. E, se for seguida a lógica do nosso treinador, ele nem no banco ficará nos próximos meses. Pode dar jogador? Claro. Mas a titularidade foi um erro.

Em compensação, Richard pernalonga rouba bolas como Washington (escolha o que preferir) fazia gols, e Jadson, a cada jogo, se firma como maestro da equipe. Distribui jogo e mete bolas com qualidade e, no esquema de três zagueiros, se permite subir com constância. Falta calibrar um pouco mais o arremate para ser um volante 100% moderno e decisivo.

Na frente, Pedro, com meio olho, novamente foi o cara. E não é o caso e dizer que em terra de cego quem tem queixo é rei. Don Queixote é o jogador com mais qualidade no elenco. Como diria Julinho da Van, do Choque de Cultura, falo com tranquilidade.

Mas nosso Pedrimovic não pode jogar sozinho.

A bola da vitória, para o Fluminense, esteve nos pés do Pedro. Ele jamais teria furado o lance se estivesse enxergando bem. Acontece. A preocupação agora é quanto à gravidade do problema muscular.

Por sorte, há a parada para a Copa do Mundo. Mas ir com João Carlos é preocupante.

Sem Marcos Júnior, a dupla com Sornoza não funcionou a contento. Faltou corrigir isso para dar velocidade ao contragolpe. Gilberto, que poderia ser a opção, ficou preso. No banco, sem Pablo Dyego, Matheus Alessandro poderia ter feito o papel, mas Abel preferiu não arriscar.

A partir dos 34 do segundo tempo, Abelão resolveu de vez fechar a casinha. Estacionar o caminhão na frente do gol. Fechar a estrada e paralisar a entrega de paçocas.

Entendo, mas não concordo.

Passamos então ao modo “vem, gol cagado”, tão tradicional nos times do Abel quanto as arquibancadas do Estádio Manoel Schwartz. Sabemos que, mesmo com sete zagueiros, 19 volantes e nenhum atacante – decente -, pode acontecer.

Não aconteceu. Ficou o gostinho de que podíamos ter vencido lá, mesmo com Renato Chaves e Marlon, esses excessos de bagagem que o Fluminense carrega e paga taxa. Júlio César, como de hábito, tratou de salvar quando foi preciso.

Ficou também o gostinho da picanha, reservada para os próximos difíceis e imperdíveis jogos até a Copa do Mundo: Paraná (fora), Flamengo (inacreditavelmente em Brasília), Atlético-MG (fora) e Santos (Maracanã).

Passando bem por essa complicada sequência pré-Rússia, vai dar para sonhar. Ao menos durante um mês. Quem diria.

Como é comovente este Fluminense.

***

COMO ESPERADO, “OUT”UORI

Depois de semanas prometendo, Paulo Autuori deixou o Flu. Imagino que não seja fácil trabalhar com essa rapaziada quando se olha para cima no organograma. Mas a dupla com o Abel estava azeitada, e os motivos dados pelo ex-diretor de futebol me encasquetam um pouco.

Dificuldade financeira? Em qual momento ele imaginou que seria diferente, eu não sei.

Vazamento do exame médico do Kléber Gladiador? Ok, não existe em um clube sério. Mas o jogador já estava na área, fartamente divulgado e a ponto de ser anunciado. Nesse ponto avançado, seria necessário explicar o motivo da não contratação. O que seria dito? Mentiras?

Houve outras miudezas, como a – erradíssima – presença no vestiário de dirigentes iludidos com a conquista da Taça Rio. Honestamente, em qual futebol Autuori imagina trabalhar? Talvez tenha sido a temporada no Qatar que o acostumou mal. No Brasil, em raros lugares ele vai encontrar cenários muito diferentes.

Autuori realmente parece um sujeito bacana. Houve quem o chamasse de Rolando Lero por suas entrevistas empoladas, mas realmente nutro simpatia por ele. Incomodava-me muito mais o fato de ele não se envolver em negociações.

Ele, no entanto, parece ter feito a transição de Parreira, René Simões e tantos outros, de técnico para palestrante. Sabe muito de futebol, mas não consegue mais implementar em campo e transformar seu conhecimento em resultado.

No Atlético-PR, subiu do banco de reservas para o camarote dos dirigentes. Deixou o clube por lealdade a Eduardo Batista, em outra explicação de difícil convencimento. Já havia, em 2013, abandonado o barco do Vasco à deriva poucos meses após sua chegada.

Certa vez, no GloboEsporte.com, cometi a manchete “OUT”UORI (desculpem por isso, foi sem querer…) em uma dessas suas demissões. Ao que parece, ela é mais corriqueira e atual do que se poderia imaginar.

Para seu lugar, já que nenhum dos 712 dirigentes nas Laranjeiras pode dar tranquilidade e ser minimamente um escudo do Abelão – ou, vá lá, porteiro de vestiário -, gostaria de ver o Ricardo Gomes na função.

Ou se for para poupar dinheiro – e contratar um meia -, por que não apostar no aposentado Ricardo Berna?

Se ajudar o Fluminense a ser campeão…

– Fla-Flu em Brasília é, simplesmente, inacreditável.

– Péssima vendedora, a gestão tricolor passa o ridículo de torcer para que outros clubes vendam decentemente ex-jogadores do clube. Assim, pinga um qualquer pelo mecanismo de solidariedade (que nome adequado…) da Fifa. No momento, são eles Fabinho, Marlon, Richarlison e, com sorte, Kennedy.

– Caso Scarpa: o Flu é o principal culpado por não fazer o mínimo. Mas o jogador não é novinho nem deseducado para ter sido manipulado por empresários, sem saber o que fazia. Resultado: até aqui, todos perderam. Uma pena.

– Bola dentro do marketing 1: a campanha para chegar aos 100 mil inscritos no canal do Youtube tem dado resultado. É tricolor? Está esperando o quê? O conteúdo é ótimo.

– Bola dentro do marketing 2: FINALMENTE fizeram uma camisa para o tricolor curtir a Copa. Não será mais preciso usar a verde e amarela de goleiro como gambiarra.

– Sobre a camisa, vejo no Instagram alguns torcedores reclamando, fazendo comparações com a do Tabajara. Ora, aquela foi claramente uma zoada do finado Bussunda & Cia. no Flu. O clube então não deveria usar seu próprio formato? Nem Tostines explica. Eu hein.

– FUF (Fluminense Unido e Forte, de Cacá & Cia.) critica Flusócio, que rebate FUF, que rebate Flusócio, que… Ah, pelo amor de Assis, arrumem um quarto. Ou dividam a gangorra no parquinho do jardim de infância. Ninguém quer saber disso. Absolutamente NINGUÉM.

– Fica aqui minha homenagem a Giuseppe Amato, jornalista, tricolor e pai do meu amigo e também jornalista Gian Amato. Meinha eterno!

LEIA MAIS:
– Estávamos postos em sossego
– Cansei de ser enganado!
– Altitude e atitude
– Um balanço e mil folhas
Aquele bar ruim que você respeita
– “La Casa de Abel”

Share This Post

Emiliano Tolivia avatar
Jornalista e pitaqueiro, andou metendo o bedelho no GloboEsporte.com, LANCE! e no balcão mais próximo.

6 Comments

  1. Ídolo, só faço um parênteses no Dodi e João Carlos, por pior que possam parecer tecnicamente, eles incorporaram o espírito do time e correram muito, com o tempo talvez saia alguma coisa, o tempo e a paciência tem sido parceiros de alguns jogadores, aguardemos.

    • Emiliano Tolivia avatar

      Ah, sem dúvida. Falo em cima do jogo de ontem. Correram e tal, mas eu, pelo menos, não gostei. Mas nada como um jogo após o outro. Taí o Pedro pra mostrar isso.

      Valeu!

  2. Regina Carino avatar

    “Para seu lugar, já que nenhum dos 712 dirigentes nas Laranjeiras pode dar tranquilidade e ser minimamente um escudo do Abelão – ou, vá lá, porteiro de vestiário -, gostaria de ver o Ricardo Gomes na função.”

    Aaaaaaah…bem pensado!

    Que texto agradável de ser lido!

    Abraço, Emiliano! ST!

  3. Carlos Mucury avatar

    Acho que, dado o momento, Ricardo Berna é um excelente nome pra trazer pra dentro do Clube. Justamente por isso, tenho medo que o façam. Essa diretoria vai acabar queimando um cara que pode realmente ser um grande dirigente – seja qual for o cargo – do Flu.

Comments are now closed for this post.