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Dedé Moreira / Flupress

Não é normal

Não é normal

O Fluminense jogou 6 jogos fora de casa até aqui no campeonato.

Eu contei o Fla-Flu, por causa da venda do mando pra pagar a dívida com o Roni, contraída pelo Peter sempre com aval de quem hoje, infelizmente, nos preside.





O Fluminense disputou 18 pontos. Fez 4. Aproveitamento horroroso de 22,2% dos pontos disputados.

Como a gente vem falando por aqui semanalmente, time que não entra pra ganhar, dificilmente ganha.

O Fluminense do Abel conseguiu a façanha de acertar 0 bolas no gol nos primeiros tempos contra Grêmio e Paraná Clube (sim, o modelo proposto não escolhe adversário, seja ele grande ou pequeno, o Fluminense joga igual).

Nesses dois jogos, conseguiu 1 ponto contra o Grêmio e quando resolveu jogar, depois de levar um gol lá no Paraná, não deu pra reagir.

Até pressionou o Paraná, no fim do jogo, podia até ter empatado, mas faltou… tempo.

O tempo que foi perdido com uma primeira etapa inteira sem agredir um adversário que sequer tinha vencido no campeonato até então.

Aí, você é treinador, tem uma Comissão Técnica, uma equipe de scout (tem? usa? funciona?), todos com acesso a esses dados e precisa tomar uma decisão pro Fla-Flu de como jogar.

Você mantém a proposta que gerou 0 finalizações nos primeiros tempos dos últimos jogos e 1 ponto em 6 disputados ou você mexe no modelo?

Sim, o Abel manteve.

Não só manteve, como piorou.

Reparem…

O que vinha funcionando bem nesse Fluminense?

A transição defesa-ataque.

Gilberto, Jadson, Sornoza e Marcos Junior…

Sem Marcos Junior, o que era o óbvio?

Qual o jogador do nosso banco capaz de exercer função parecida?

Claramente é o Pablo Dyego.

Não precisa mexer muito. Mas Abel e o óbvio vivem um eterno conflito.

Abel faz várias substituições. Não de jogadores, mas de funções.

Douglas entra no lugar de Jadson – Acaba a transição em velocidade, porque Douglas é mole, lento e só toca pro lado.

Jadson sobe pro lugar do Sornoza – Num setor mais povoado, sem a subida em velocidade cai de produção.

Sornoza sobe pra fazer o papel do atacante de mobilidade – Sornoza é organizador, é veloz no passe, mas não sabe jogar carregando essa bola pra cima da defesa. No primeiro tempo pega uma bola no mano a mano, tenta carregar e perde.

Ele muda todas as funções e, claro, o time sente, não anda, e, se não fosse um chute fraco e despretensioso do Gilberto aos 46 do primeiro tempo, o Fluminense completaria 3 primeiros tempos seguidos sem nenhuma finalização no gol do adversário.

3 tempos de jogo, 3 jogos diferentes, 1 chute no gol. São 135 minutos e mais os acréscimos.

E quando tenta jogar, normalmente está atrás do marcador, e aí tem pressão pra acelerar, o tempo (perdido) corre, o adversário se fecha e tudo fica mais complicado.

Há também outro fator. O time, que busca roubar bolas, pra sair em velocidade, rouba poucas.

A título de comparação com o Flamengo, que joga buscando o ataque, temos uma quantidade de desarmes muito inferior. O Fluminense desarma 13,6 vezes por jogo. O Flamengo, excepcionais, 20,4 vezes.

Individualmente, nesse quesito tão importante pro funcionamento do modelo do Fluminense, outra goleada.

Os top scout de desarme certo do Flu é o Gilberto, com uma média de 2,4 por jogo. O outro é Richard (que só faz isso) com 2,2. O Flamengo, que fica mais com a bola em média que o Flu, tem o Cuellar e Jonas com 4,3 de média e o Paquetá com 3,0 (esse marca e joga).

Depois do primeiro gol do Flamengo o Fluminense até teve a bola. E, quando a gente precisa organizar o ataque, achar espaços, acelerar o passe, o Abel tira o Sornoza pra manter o Jadson morto, centralizado no ataque, jogando por trás do João Carlos, algo que Jadson nunca fez na vida.

E coloca 2 corredores pelos lados pra correr em cima de uma defesa montada.

Ou seja, Abel inverte o processo. Quando não vai ter a bola, escala passadores e nenhum corredor.

Quando vai jogar contra um time em vantagem, com defesa postada, tira o passador e enche o time de jogadores velozes.

Eu tenho batido demais nesse modelo.

É muito zagueiro, nenhum com saída de bola. Os recém contratados Nathan e Luan, se não erram em profusão, também não auxiliam em nada na chegada ao ataque.

Na frente deles um Richard, que ajuda muito pouco quando o Flu tem a bola.

Fica muito pouca gente pra atacar.

O modelo se apoia em pilares frágeis:

A força física dos alas titulares – com a quantidade de jogos ela diminui seja por cansaço, seja por contusão.

A bola alta – marcada pelos adversários e que parou de funcionar

O sistema defensivo com muita gente atrás – que ainda cria dificuldade pro adversário, mas desequilibra o jogo do Fluminense quando tem a bola.

A individualidade – no caso Pedro, que vinha tendo uma média de 1 lance decisivo por jogo.

Pra piorar tudo, no fim do jogo, com o torcedor puto, o ex reserva do Criciúma solta a pérola: “Resultado normal”

O ex reserva do Criciúma, o ex reserva do Atibaia, o cara que foi devolvido pelo américa de Natal, o cara que joga no Samorin, o centroavante que não fez nenhum gol em 2017 e que é agenciado pelo filho do treinador.

Esses são alguns dos “reforços” do Fluminense.

Junto a eles, jogadores medíocres da base. Dá vergonha quando a gente vê do outro lado o Vinicius Jr e o Paquetá, esses sim, que mudam o time profissional de patamar.

Dizem que nosso elenco é fraco. E eu concordo plenamente.

Mas quantos são os times com elencos fortes no equilibrado e nivelado por baixo futebol brasileiro?

Será que Vasco e Chapecoense (que jogaram a pré libertadores esse ano) eram ano passado tão melhores que o Flu?

Será que o elenco do Sport é muito melhor que o do flu?

É gestão.

Desde a política de formação e captação de talentos, passando pelo planejamento e chegando ao campo de jogo no profissional.

Não há inovação, não há ousadia, há excesso de conformismo com a atual situação do clube, refletido na postura pós derrota.

Falando em conformismo, a gestão Abad/Flusócio vai conseguir nesses 3 anos ganhar algum Fla-Flu do time titular deles?

Tabelinha

– Abad, Flusócio, apoiadores, se vocês amassem o Fluminense já teriam voltado pra arquibancada. A torcida não aguenta mais vocês, vocês não possuem ideias, projetos, nada que possa mudar a situação atual. Vocês são a gestão “Vem gol cagado”, chega!

 

 

 

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Dedé Moreira avatar
Blog do torcedor do flu no Globoesporte, Futebolzinho.com. Gestão Técnica de Futebol e Análise de Desempenho pela Universidade do Futebol.

10 Comments

  1. Frank Cavaliere avatar

    Muito bom Dede! So’ de permitir a contratacao do Joao Carlos, ja mostra a falta de comprometimento com o plantel.

  2. Carlos Mucury avatar

    Análise irretocável.
    E faço meus os seus votos de FORA ABAD, FORA FLUSÓCIO!
    Pra ontem, antes que vocês destruam completamente o Fluminense e não haja mais nada a ser reconstruído.

  3. Erick Machado avatar

    Acho má vontade do Abel, pq é impossível ele não ter exergado essa inversão de papéis. O time é fraco mas talvez até conseguisse jogar alguma coisa com uma escalação descente e posicionamentos respeitados.Mas depois de o time praticamente ser violentado na escalação não restava muito mais a ser feito. As únicas intervenções que ele tinha obrigação de fazer era barrar Marlon, João e Robinho. E outra que maré de azar tbm que todo mundo que joga bem no nosso time se machuca! A coisa tá feia. Já pode começar a Copa?

  4. Andre L T Godinho avatar

    O q da mais raiva é q os desastres no campo sao amplamente anunciados e ninguém chega junto para evita-los.
    Noves fora a falta de conhecimento de futebol do Abad e seus papavês, é uma babacao com esse Abel q enoja.
    Confesso q a hipotese do Autuori estar orientando e evitando as merdas do Abel comeca a me convencer.
    Parabens pela análise!

  5. ALFREDO FRANCH avatar

    Excelente análise.

  6. Carlos Gaia avatar

    perder é do jogo, perder jogando na retranca não dá.
    Se é para perder, que seja atacando.

    Cair atirando sempre.

    ST

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