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Emiliano Tolivia

“La Casa de Abel”

“La Casa de Abel”

A reboque da série do momento, a torcida tenta embalar o Fluminense ao som de “Bella Ciao”. Em “La Casa de Abel”, de fato será necessário erguer a bandeira centenária para estancar a sangria do encarnado. Será um ano no qual, de Rio a Tóquio, passando por Berlim e Nairóbi, tricolores em toda a terra deverão estar atentos aos mínimos detalhes do plano do professor. Não há margem de erro.

Bem sei que o Abel desperta amores e, se não ódio, ao menos irritação em nossa arquibancada. Não condeno. A eterna busca pelo novo Gabiru que nunca chega (Maranhão, Romarinho, João Carlos…) estraga segundos tempos, entrega vagas e campeonatos.





Não perfilo entre os que acham Abelão um ultrapassado. Vejam o time atual. É fraco. É o feio, mas arrumadinho. Vence pouco nos momentos decisivos porque não tem qualidade. Também não passa vergonha. Veste camisa de bali, Nauru e calça bag. Tem um jeitão meio anos 90. Se pedir com jeitinho, até dança um Stevie B. Vende caro cada revés porque… Abel.

Conseguiria aceitar a ideia de tentar o novo. Zé Ricardo. Roger Machado. E não com aventuras tais como Ricardo Drubscky (nunca esquecer, nunca esquecer…). Gostaria de ver um Fluminense equilibrado e forte fora de campo para tentar, aí sim, novos caminhos.

Mas não dá para trocar um clínico geral por um podólogo porque a unha encravou. Sua mãe nunca aprovaria, ouça ela.

Queria eu que um técnico do Fluminense hoje, qualquer técnico, não precisasse ser presidente, gerente de futebol, psicólogo, nutricionista, olheiro, assessor de imprensa, pai, buscador de bola na Cidade de Deus e tocador de piano. Abel faz um pouco de tudo isso, a maioria pela metade, mas faz, quando deveria apenas treinar e tocar piano. Com um vinho para relaxar.

Alguém, deixando de lado a pinimba, consegue apontar um único ser humano capaz de preencher tal cargo/fardo nas Laranjeiras? Abel tem muitas culpas, mas essa não é uma delas. O ano de 2018 caminha para que se enxergue nele, Abel Carlos da Silva Braga, com a devida distância histórica, um papel tão importante quanto o de Parreira na reconstrução do clube, nos infelizes idos de 1999.

O Fluminense se mantém hoje com notável dignidade em campo. No entanto, um elenco limitado e curto como este cobra seu preço em campeonatos longos. Por mais que nosso técnico preencha as mil lacunas de poder no clube, ele não é mágico nem astronauta.

É o presidente Pedro Abad se omitindo de respostas; é Flusócio se esfacelando e criando grupos de novos nomes tal qual partido político envergonhado; é oposição que vira situação que vira oposição e segue na situação para ver se a manga madura cai no colo; é discurso mofado do Paulo Autuori; é CEO, CFO, UFC, CCAA; são os vigias que só aparecem no fim de turno; é o diabo.

E aí… “Fora, Abel”. Aí não.

De acordo com uma das milhões de notícias vazadas das reuniões do Conselho, o dinheiro do Fluminense acabará em abril ou, com “sorte”, em maio. Bom, o meu já acabou, mas eu me viro. Vamos ver em qual buraco vão colocar o clube. Já se fala em vender Ayrton Beijoca e Pedro – que, se muito, tiveram um brilhareco no Carioca, mas é o que temos para hoje.

Porém, ganhar dinheiro não é a especialidade dessa turma – aos menos para os cofres tricolores. Abriram mão de milhões pelo Diego Souza, perderam de graça o melhor jogador do time, pagaram pela saída do melhor zagueiro e do melhor goleiro, Marquinho… É uma lista sem fim.

Ano passado, o Fluminense já sofreu um bocado, não custa lembrar. Se, agora, fossem anunciadas as contratações de Diego Cavalieri, Lucas, Henrique, Gustavo Scarpa, Wellington Silva, Henrique Dourado e Richarlison, já estaríamos em fila esperando a CVC abrir as portas para comprar o pacote do Mundial.

O que temos, porém, são os reservas destes, e mais um ou outro refugo de Ponte Preta e afins. Diante desse cenário, é bom que o dinheiro para os salários deste aguerrido e esforçado Flu não acabe. Como, eu não sei.

Talvez invadindo a Casa da Moeda e fabricando nosso próprio dinheiro.

Aguardemos, pois, se em dezembro estaremos cantando a “Bella Ciao” ou “Abel, tchau”.

ESTREIA FRUSTRANTE

Sobre a derrota para o Corinthians na estreia do Campeonato Brasileiro, tenho pouco a acrescentar já nesta quinta-feira. Atuamos bem durante os trinta minutos iniciais do segundo tempo. Foi quase injusto, se isso existisse no futebol. Só que… Os jogadores podem se coordenar direitinho, bem como soldados de chumbo num indo e vindo infinito. Mas, sem qualidade, vamos viver de achar um gol aqui, outro ali.

Não entendi o Marcos Júnior na reserva, honestamente. Sou suspeito. Defendo o “Resolve” nas arquibancadas desde sempre. Não que ele mude a cotação do dólar ou interrompa a guerra na Síria, mas vinha sendo, vá lá, um dos melhores jogadores do Fluminense do ano. Podia, ao menos, ter entrado antes na partida. Pablo Dyego, brigador e interessante, ainda mostra características de opção de segundo tempo.

Eu também jamais teria tirado o Pedro, nosso Dom Queixote. Centroavante é para deixar lá, a menos em caso de expulsão ou necessidade de contra-ataque em virtude de placar favorável. Muito menos em troca pelo João Carlos. Aí você realmente me complica, Abelão…

CRIME CONTINUADO

Entendo a questão de reduzir custos para jogar no Maracanã. Mas a opção adotada contra o Nacional Potosí foi, a meu juízo, péssima. Torcida enfiada em um curral, muitas reclamações, público péssimo. Quanto menor – e pior – o estádio, menor a presença. Ou não teríamos cansado de jogar para mil e tantas pessoas nas Laranjeiras nos anos 90.

Aliás, o crime cometido contra o Maracanã, pelo visto, é continuado. De legado da Copa do Mundo ficaram essas taxas absurdas, que sufocam os clubes e acabam por transformar um estádio de 200 mil pessoas em Moça Bonita.

Para completar, teremos jaulas para as torcidas. Medida bizarra que o presidente Pedro Abad lamentavelmente concordou, acuado e acovardado por seu erro anterior, na cessão de ingressos para as organizadas, que resultou na prisão de dois funcionários seus (prisões estas, ressalte-se, injustificáveis).

SAIDEIRAS E A CONTA

– Remando contra quase toda a maré, até que não achava o fim dos tempos apostar no Kléber (também fui a favor do Ronaldinho…). Mas, com artrose nos dois joelhos, nem esta gestão seria capaz de fechar negócio – embora ela quisesse fazer contrato até o fim de 2019, o que não seria justificável nem se o Gladiador tivesse vencido a última “Dança dos Famosos”.

– Não conheço Luan Peres, da Ponte Preta. Conheço, porém, o Reginaldo. É, no mínimo, bem melhor que o Frazan. Espero que ao menos quem está bancando esta troca conheça ambos.

– Conca? Hummm… Entendo a irritação. Mas olho pro Sornoza, pro Luquinhas, pro… mais ninguém. Sei lá. Respondo semana que vem.

– Um prazer enorme ocupar este espaço, com tantos amigos juntos. Eu sou, e mesmo assim mais ou menos, dono apenas das minhas verdades. Cornetem à vontade e voltem sempre. Aqui é arquibancada!

 

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Jornalista e pitaqueiro, andou metendo o bedelho no GloboEsporte.com, LANCE! e no balcão mais próximo.

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