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Flupress / Gustavo Albuquerque

Escolha de Sofia

Escolha de Sofia

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Bato insistentemente na tecla de que o Fluminense, sempre, em qualquer circunstância, contra qualquer um e aonde for, deve jogar como Fluminense.

Domingo jogou. Mal, com uma defesa claudicante, sofrendo com as escolhas estapafúrdias do Abel, mas jogou.





Porque jogar como Fluminense não significa jogar bem ou mal. Em mais de cem anos o Fluminense já jogou muito bem e muito mal. Aliás, o Fluminense e qualquer outro gigante centenário de qualquer país do planeta.

Jogar como Fluminense significa entrar na porcaria do campo para vencer como proposta de jogo e não esperar que a vitória venha numa bola vadia.

As partidas contra o Atlético que jogamos no Independência contaram com o Fluminense em campo. Um Fluminense limitado, frágil, capenga, sem confiança, mas ele estava lá, buscando os três pontos.

A primeira delas, o primeiro tempo, foi bem legal. Finalizamos mais que o adversário, impusemos nosso ritmo, pegamos firme e fizemos dois gols que poderiam ter sido três ou quatro. Também tomamos dois lá atrás e nem podemos dizer que foram culpa de um sistema mais exposto de jogo porque nos dois lances a defesa estava bem montada.

A segunda, o tempo complementar, foi terrível. Também porque o Galo melhorou, mas principalmente porque nosso treinador extrapolou no direito de fazer cagada. Acho que todos repararam a queda vertiginosa da equipe após a entrada daquele usina de beneficiamento em movimento. O time perdeu a pegada no meio de campo, deu espaços para um time mais forte que o nosso e sucumbiu à velocidade e técnica dos atacantes adversários. Abel colocou dois centroavantes mais estáticos e, para sacanear a lógica, tirou os laterais que poderiam municiá-los com bolas que deveriam chegar da linha de fundo. A carruagem virou abóbora instantaneamente e se o jogo tivesse mais cinco minutos, tomaríamos mais dois ou três gols.

Não consigo entender o que ele fez até agora. Empurrou o motor do time para uma lateral, colocou um beque quadradão na outra, manteve dois volantes e fez com que a intermediária dos mineiros fosse completamente despovoada.

Já disse aqui e repito. O Abel tem uma capacidade baixíssima de ler o jogo enquanto ele acontece. Leva nó tático dele mesmo em quase todo jogo. Mas ontem ao menos foi corajoso (dentro do que é possível para ele). Perdemos porque ele foi horroroso nas escolhas, mas também porque, convenhamos, o Atlético é melhor que a gente e jogava em casa.

Minha pergunta é: por que diabos não jogamos assim contra Paraná (um time limitadíssimo) e Flamengo (um clássico de caráter imprevisível)? Quem joga para ganhar tem mais chances de pontuar mais num campeonato de 38 rodadas do que quem joga para não perder. Isso não lhes soa óbvio? Nem todo time é forte como o Galo. Aliás, arrisco dizer que ao menos uns quinze times do brasileirão estão abaixo dos mineiros.

Querem saber, amigos? O meu lado tetracampeão brasileiro quer ver o Abel fazendo essas cagadas no Flamengo. O meu lado torcedor acostumado à Flusócio quer vê-lo com um contrato vitalício. Não tem saída boa. É aquela história do se correr o bicho pega, se ficar o bicho come.

E numa decisão dessas, o melhor a fazer é esquecer o DNA de vencedor de campeonatos e se segurar naquela vidinha sem vergonha de não cair de divisão. É, em outras palavras, aceitar que enquanto houver Flusócio não haverá Fluminense em essência, apenas uma camisa pesada que hiberna na leniência e incompetência dessa turminha de aventureiros com talento para politicagens paroquiais e para postagens vagabundas em redes sociais.

Abel fora do Fluminense é como uma roleta russa com quatro balas no revólver. Esse grupo de jogadores frágil que temos (um elenco que sente a falta do Marcos Jr e que vê o Douglas com a faixa de capitão), com salários atrasados, episódios recentes de desrespeito a antigos jogadores e uma interlocução impossível com Abad e companhia, esse grupo vai se segurar em quem? Vai acreditar nas palavras de quem? Do vice de futebol que ninguém conhece a cara? Do Marcelo Teixeira que já voltou para seu cantinho em Xerém quando o bicho pegou pro lado dele? Do Abad que fugiu dos conselheiros pela cozinha e que, lá atrás, largou o Abel à própria sorte enfrentando torcedores enfurecidos no aeroporto?

O Assis está no céu. Renato comanda o Grêmio. Fred foi expulso do clube pelo mentiroso do Peter. Deco já se aposentou.

Marcos Junior, Sornoza, Gilberto, Nathan e companhia não vão segurar esse rojão. O próprio Gum, que é firme, não pode fazê-lo sozinho.

O elenco que essa turma proporciona ao treinador é ridículo. As condições são ainda piores. Os caras fazem cagada atrás de cagada em todos os campos de governança possíveis. E no futebol não seria diferente. Pule de dez que nossos melhores jogadores serão vendidos como cacho de bananas para algum time europeu de segunda linha após a Copa.

Não. Eu não quero que o Abel saia. E por mais paradoxal que seja eu não aguento mais ver suas burradas.

Escolha de Sofia? Dúvida alguma.

Mas eu prefiro chutar minha TV até o fim do ano do que ver meu clube desmoronar pela incapacidade de raciocínio e execução dessa turma de inaptos que ludibriou o torcedor tricolor e se apoderou do clube.

O Abel não é maior que o Fluminense. Mas é muito maior que Abad e seus asseclas.

E como os jogadores sabem disso, é preciso que ele fique comandando esse arremedo de elenco que o “clube saneado pelo Peter” deixou para o presidente atual.

Do contrário, acreditem, sempre haverá espaço para que o poço seja escavado mais e mais fundo.

Um resumo? Que merda.

Abraços tricolores

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Gustavo Albuquerque avatar
44 anos,  é advogado, autor da Ação Popular que possibilitou a volta do Pó de Arroz aos estádios e escreveu sobre Fluminense no Blog do Torcedor do Globoesporte.com entre 2012 e 2018.

14 Comments

  1. Guilherme Milone Silva avatar

    Gustavo, a melhor saída foi sugerida pelo Leandro do Netflu: Abel para Diretor Técnico e um técnico com capacidade de ler o jogo na lateral do campo. Quem sabe algum cara com identificação com o Flu (Fernando Diniz?), ou até o Zé Ricardo que está sem emprego.
    Pode ser um jeito deste próximo ano e meio de Abad e seus Flusócios passar sem muita tragédia.
    A bênção João de Deus

    • Carlos Gaia avatar

      Acho o Zé Ricardo bom técnico, mas precisa peças tb, senão vai começar a inventar a roda tb.

      ST

    • Vinicius Campos avatar

      Concordo Guilherme. Fernando Diniz com Abel de Gerente. O caminho tem de ser por aí. Um técnico com leitura de jogo.

  2. Frank Cavaliere avatar

    Essa janela vai ser determinante. Ainda creio que outros times perderao mais do que o Flu. Vamos ver e torcer…

    • Carlos Gaia avatar

      Não há motivos reais para vender ninguém.
      1º pq a reposição não será a altura.
      2º pq o dinheiro da venda não resolverá nada.

      A não ser que consigam alguma ferpela pelo Marlon, João Carlos e Robinho….aí tem que ser pra ontem a venda.

      Ou arruma alguém que pague a multa do Scarpa.

      ST

  3. Miguel Vasconselos avatar

    Enquanto algumas midias cravavam a saida do Abel em encontro com o Abad, eu escrevi na comunidade do Flu aqui na mesma noite que Abel ficaria com toda certeza. Essa urgencia de alguns “sites do flu” em dar noticias bombasticas por clicks enoja um pouco. Obrigado por ser sempre coerente Gustavo! ST!

  4. Carlos Gaia avatar

    Boa Gustavo!!!

  5. Carlos Mucury avatar

    É isso, Gustavo. Estamos fudidos. Ponto.

    A única esperança desses imbecis não venderem os poucos que se salvam nesse time é a vitória sobre o Scarpa no tribunal. Se tiverem o mínimo de inteligência (mas eles não tem) dá pra resolver as finanças do ano e ainda reforçar o elenco com uma boa venda.

  6. Douglas Berndt avatar

    Não tem como algum tricolor não concordar com esse texto.
    No ano da contratação do Ronaldinho, um jogo antes dele ser anunciado, vitória maiúscula contra o Atletico-PR, em Curitiba. Fluminense jogaria com o Vasco para possivelmente assumir a liderança, perdemos por 2×1 e dai em diante foi ladeira abaixo, tendo a pior campanha do segundo turno. Esse ano, a queda veio muito antes, estamos no meio do primeiro turno e o time já está completamente perdido. A diferença que é naquele ano tínhamos Enderson Moreia, não Abel Braga.
    Abel hoje é apagador de incêndio, por conta da total falta de capacidade da gestão. Mas o que ele vem fazendo com o time, não tem como suportar. Sobe o cara, bota no lugar do Autuori e trás alguém que pense somente no jogo, porque claramente não é o que ele está conseguindo fazer. Abel nunca foi um primor tático, com várias ideias diferenciadas e proposta de jogo exemplar, mas isso que estamos vendo é alguém que não conhece o próprio time. Tendo Pablo Dyego em campo, porque caralhas colocar o Jadson na direita, tirando a melhor qualidade dele e do time(A que ponto chegamos).
    Precisamos dos 45 pontos para ai sim, cobrar. A hora é de apoiar, vejam o exemplo da torcida do São Paulo ano passado, até o dia em que a queda não havia mais chances de acontecer, eles apoiaram, quando a permanência foi garantida, vieram as cobranças. Hoje o São Paulo está se arrumando, começando a se reerguer novamente.
    Como todos já sabemos, não vai ser essa gestão estapafúrdia que vai reerguer o Fluminense, nós tricolores que vamos fazer isso.

  7. Regina Carino avatar

    Discordar de quê? Tá certo vc, Gustavo!

    Hoje li essa frase e pensei no Abel no Fluminense:
    “Tem hora que você se sente bem assim: num lodo, enterrada até a cintura, sem ninguém por perto para puxar você pelo braço.”

    A gente ainda enxerga o Abel!

  8. Gino Bruno avatar

    Gustavo, tenho que concordar com você, diante do cenário atual, por mais que eu não consiga aceitar, seria muito pior perder o Abel com a experiência e a capacidade de enfrentar o momento que o clube atravessa.

    Mas acho, como a grande maioria, que deveria afastar o mesmo somente do comando técnico e apostar em um treinador menos renomado, como o Zé Ricardo ou talvez aproveitar o treinador da base.

    Dessa forma acho que poderíamos aproveitar melhor a garotada, já que o clube não tem cacife para contratar bons jogadores e usar a força e reputação Abel para blindar esse trabalho.

    Tenho a certeza absoluta que esse tipo de atitude teria o apoio incondicional da nossa torcida.

    Essa seria uma forma da diretoria agir diferente, com honestidade e transparência e dentro das limitações financeiras do clube.

    Saudações Tricolores!

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