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Flupress / Gustavo Albuquerque

Quando basta uma imagem

Quando basta uma imagem

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Desde que a Terra é redonda que o ser humano precisa de uma imagem para condensar conceitos e impressões. Algumas são acachapantes. Fotografias, cenas de filmes, não importa. Eventualmente a imagem é tão forte que é capaz de definir melhor um acontecimento, ou mesmo um sentimento, que qualquer texto. E eu poderia e deveria encerrar minha coluna por aqui com a imagem que escolhi. Não precisa de mais nada. A foto desse camarada jogando com a camisa do Fluminense está para o tricolor como aquela do chinês parando tanques de guerra na praça da Paz Celestial está para a humanidade.

Dito isso, prossigo apenas e tão somente para desaguar minha raiva em palavras estéreis, que não serão absorvidas nem por nosso treinador bipolar, tampouco por nossa caricatura de presidente. Perdoem-me.





O jogo que o Fluminense fez ontem em Curitiba foi capaz de me tirar completamente do sério. Não apenas porque o time não jogou rigorosamente nada. Nem porque foi preguiçoso e frio.  Afinal, com isso a gente vem se acostumando há alguns anos. Me irritou porque esse Fluminense tinha a obrigação de surfar na boa onda que ele mesmo criou, surpreendendo a todos com uma proposta de jogo interessante e envolvente e que vários tricolores, inclusive eu, neste espaço, aplaudimos e reconhecemos efusivamente mesmo após uma amarga derrota contra o Botafogo, num jogo no qual o time simplesmente arrebentou.

Fizemos dois bons jogos logo após. Os vencemos. E então Abel fez questão de transformar a carruagem em abóbora de novo. Questão. E não venha com historinhas pra boi dormir de que a fisiologia disse isso, que o campeonato é aquilo, que a oscilação é normal e outras platitudes estúpidas de nossos treinadores.

Se é verdade que tivemos baixas num elenco sofrível, montado de qualquer jeito por nosso arremedo de presidente que sequer consegue montar um time administrativo, que dirá uma equipe forte no futebol, não é menos verdade que as opções tomadas por nosso treinador foram patéticas.

Desculpem, amigos, mas a única coisa que quem escreve sobre o Fluminense com a esperança de ser lido por alguém pode fazer é dizer o que sente sem melindres e meias palavras.

O Abel é um ótimo gestor de elenco, acerta e erra como qualquer outro treinador, mas tem dois defeitos que são difíceis da gente digerir: 1) É capaz como nenhum outro de destruir as coisas que ele mesmo cria. Isso é uma espécie de patologia. É recorrente. Acerta e parece que faz questão de recomeçar com outra proposta depois; 2) tem uma leitura catastrófica sobre as necessidades do jogo enquanto ele está acontecendo. A pior leitura de jogo que já vi.

Qualquer criança que sabe dizer B com B bebê não colocaria o preguiçoso do Robinho para jogar ao lado desse guindaste aí da foto. Se o Paraná colocasse duas cadeiras de praia no lugar da dupla de zaga o Robinho sentaria em uma e esse João Carlos ficaria preso na marcação da outra.

Que tricolor que não acertaria na substituição? Quando botou jovens de velocidade o time pelo menos pressionou o adversário na base do abafa. 15 minutos que poderiam ser 90 se nosso treinador não fosse tão ruim de ler o jogo.

Que tricolor escalaria esse elevador pantográfico no ataque tendo esses mesmos jovens querendo correr? Olhem, eu tenho 44. Já vi todo tipo de pereba com a 9 do Flu. Vi Toninho El Bíblico, vi Télvio, irmão do Túlio, vi PC-Beija-flor, filho do neguinho, Vi Hélio, vi Barata… Mas, francamente… igual a essa Scania eu nunca tinha visto.

Será que é só burrice ou o fato desse camarada ser agenciado pelo filho tem mesmo peso como todos dizem? Aliás, vamos combinar, só no Fluminense da Flusócio e sua cultura de boquinhas uma coisa dessas acontece.

E poupar o único lateral viável do time? Poupar no jogo fácil para botar no jogo contra o líder, num estádio apinhado de rubro-negros porque nosso presidente teve que pagar uma partida para o Roni em Brasília? Será que o jogo contra o Flamengo vale 10 pontos e o de ontem não valia nada? Esses erros definem partida. A de ontem, inclusive, num pênalti idiota feito por um jogador que entrou sem ritmo de jogo.

E que tricolor tiraria o Jadson, que bem ou mal é o cara que dá alguma lucidez ao meio de campo, deixando em campo três zagueiros como os nossos, sendo um, o pior,  encostado na lateral direita?

Que trem fantasma foi aquele Fluminense que terminou o jogo de ontem? Aquilo é treinado? Foi pra treinar essas variações que Peter entubou aquele CT no torcedor que só serviu para perpetuar essa gente chinfrim no comando do clube?

E o que ainda faz Robinho no Fluminense? Engraçado. A diretoria rescinde estupidamente contratos do Cavalieri (Liga Inglesa), Henrique (titular no Corinthians), atrasa os vencimentos do Scarpa a ponto de possibilitar toda a celeuma jurídica que estamos acompanhando e é incapaz de chegar nesse come e dorme indolente e meter-lhe um merecido e revigorante pé na bunda.

E o Marlon? Meu deus! Ele deve estar errando passe até agora.

Que merda, amigos. Que merda.

O elenco é fraco, cambeta, mas tinha encontrado um padrão. Por que diabos o Abel não insistiu com o futebol propositivo, com jogadores velozes e laterais se projetando? Por que jogar como o Paraná contra o Paraná?

E por que, meu Deus do céu, por que elogiar essa patamo que ficou trombando com a bola e caindo no chão como um cacho de bananas o jogo inteiro?

Abel, faz o seguinte: quer elogiar? Elogie. Mande flores, faça um risoto pra ele. Mas peça desculpas ao seu filho, diga que não vai dar pra quebrar mais essa e não escale mais essa hidrelétirca.

O Fluminense não é brincadeira e é evidente que você sabe bem disso.

Mas…

Como nada disso irá acontecer, como o time irá no salve-se quem puder contra o Flamengo e como esse porta-aviões irá trombar com o estádio todo lá em Brasília, resta confiar na mística do Fla x Flu e esperar que o 1 x 0 venha de onde menos se espera, ou seja, o famoso ele mesmo.

É pouco, ou quase nada. Mas na falta de um tricolor que entre na frente de nosso tanque de guerra, ainda com os times perfilados, igualzinho ao que fez o chinês em Pequim, a esperança vadia, a obstinação fantasiosa e a permissividade divina com os Fla x Flus serão nossas únicas bengalas.

Robinho, vá pro inferno

Abraços tricolores.

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Gustavo Albuquerque avatar
44 anos,  é advogado, autor da Ação Popular que possibilitou a volta do Pó de Arroz aos estádios e escreveu sobre Fluminense no Blog do Torcedor do Globoesporte.com entre 2012 e 2018.

12 Comments

  1. Miguel Vasconselos avatar

    “Se o Paraná colocasse duas cadeiras de praia no lugar da dupla de zaga o Robinho sentaria em uma e esse João Carlos ficaria preso na marcação da outra.” Essa frase resume o meu grau de puteza com o time ontem!

  2. Fernanda Souza avatar

    Essa sindrome de Robin-Hood que nos persegue desde o inicio dos tempos….

  3. Regina Carino avatar

    É…o caldo entornou feio!

  4. Carlos Mucury avatar

    Gustavo, você falou por todos nós nesse texto.
    Assino embaixo de cada palavra.

  5. Raimundo Santana avatar

    Perfeita análise.
    Gosto demais do Abel, mas não é possível que ele consiga fazer maluquices sozinho. Por isso, escolhi como culpado o Leomir (o auxiliar do Abelão) … hehehehe. Deve ser o Leomir quem dá todas as péssimas ideias ao Abelão … que as leva muito a sério, para o desespero da torcida…
    ST

  6. Alan Cordeiro avatar

    Isso mesmo Gustavo!

  7. Welma Reis avatar

    Sabe, eu até concordo em poupar o lateral pro jogo confra o Flamengo pq teoricamente – só teoricamente pq Abelão fez tudo ficar difícil – jogar contra o Paraná e sair com vitória é algo fácil.
    Mas pra que três zagueiros contra um time que não faz gol?? Quer dizer que Abel só treina um modelo de jogo??? Vai ser aquilo o campeonato inteiro? Então nenhum treinador dos times rivais estudam o nosso para tentar anulá-lo??
    Robinho e João Carlos não são jogadores. E como tbm não torcedores do Flu, NUNCA deveriam usar nossa camisa!

  8. Tarik Moussallem avatar

    Perfeita análise. E pensar que a compra do Robinho nos fez perder Gustavo Scarpa de Graça. É o bicho-preguiça e 40 milhões de reais! Sem duvidas, a pior das burradas da gestão Abad

  9. Carlos Gaia avatar

    Quero ler o que vc vai postar sobre o Fla x Flu.

    Já lancei minha teoria:
    O Abel sabe treinar e colocar um time pra jogar.
    Só que se ele fizer o Flu jogar bem, corre o risco de ir pra Libertadores ou até ser campeão brasileiro ou da Sula…ou dos 2.
    Então ele mostra isso pra torcida e depois faz essas cagadas que é pra não reeleger esse câncer que é a flusócios, assim no plural mesmo, pq são tantos e saem de tantos lados que arrisca nunca mais serem defenestrados do Flu.

    ST

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