Share This Post

Flupress / Leonardo Bagno

A saída é por onde eu entrei?

A saída é por onde eu entrei?

Tricolores,

Como é a sua experiência quando vão ao Maracanã ver os jogos do Fluminense? O que te motiva a ir aos jogos do nosso clube? Eu, particularmente, costumo ir a todos os jogos do Fluminense no Rio de Janeiro. Em outras palavras, a minha experiência não é importante para o clube como fornecedor de um serviço. O que me motiva a sair de casa para ir ao Maracanã é o mesmo fato que me faz ir à Moça Bonita: ver o Fluminense. Portanto, não sou parâmetro para medir o comportamento da nossa torcida. Contudo, as perguntas acima, dentre outras, são de suma importância para o Fluminense conhecer o comportamento da sua torcida a fim de aprimorar a experiência do seu consumidor e, com isso, tornar o evento mais atrativo, aumentando seus clientes. Basta ver que, atualmente, nossa média é de quinze mil torcedores no estádio e isto está muito aquém do tamanho que somos.

A preocupação inicial do Fluminense, como sabemos há dois anos, é cortar gastos para sanear as contas. Não tem como ser contrário a esta ideia num primeiro momento. O caos financeiro gerado pelos gestores anteriores levou o nosso clube à beira do precipício. Mais um passo à frente e o salto para o fim será dado. Daí que é importante tomar providências para que isso não ocorra. E a primeira, imediata, que se deve fazer é justamente apertar o cinto e parar de gastar com aquilo que não é essencial. Alocar a torcida do Fluminense no setor Sul inferior, por exemplo, é uma dessas providências tomadas pelo clube.





Só que não há apenas a opção de cortar gastos para sanear as contas do clube. Aumentar a receita também é uma maneira de equalizá-las. É aqui que entram as perguntas feitas no início desse texto (não só elas). O Fluminense sabe o que o seu torcedor quer? Perguntou para ele se fechar o setor superior da Sul o afastará do Maracanã? Eu conheço algumas pessoas que deixam de ir ao jogo por causa disso. Evidente que a conta a ser feita, a grosso modo, é: quantos torcedores deixam de ir ao Maracanã porque a Sul superior está fechada versus quanto economizamos com o setor fechado. O que for maior é o que se deve fazer. A grosso modo, como ressalvado, é isso.

Por outro lado, volto a insistir: o Fluminense sabe se é melhor fechar a Sul superior, baseado num estudo fundamentado, ou isso é um estudo empírico, ainda sem conclusão? O ideal seria que o setor Sul superior abrisse assim que lotasse o inferior, mas parece que isso não é possível, pois em recente jogo aconteceu justamente isso e a torcida permaneceu espremida lá embaixo.

Enfim, o que pretendo provocar aqui é: o Fluminense precisa urgentemente realizar uma pesquisa para conhecer o seu consumidor. Saber o que o afasta do estádio e o que o faz presente. Não temos tempo para viver de experimentos, até porque o preço pode ser caro demais no futuro, uma vez que fidelizar o torcedor, dentre vários outros fatores, é costume. Ou seja, se permanecermos oferecendo uma experiência para cinco mil pessoas, como foi no último jogo, daqui a pouco a nossa média passa a ser essa. E isso preocupa.

Na Leste, por exemplo, oferece-se serviço de barbeiro. Durante o jogo! E tem gente que usa o serviço (como assim?). Será ali o local mais adequado para oferecer esse tipo de serviço? Será que não seria mais interessante, de repente, ofertar uma oficina de bateria para ensinar as crianças a batucar e demonstrar para elas a sensação de estar no coração da torcida mesmo num setor distinto? Porque a criança ao ver seu pai fazendo a barba durante o jogo certamente concluirá que o que se passa dentro do campo não é tão importante assim.

E o alto-falante do estádio que anuncia de quinze em quinze minutos que a saída do torcedor é por onde ele entrou? De onde tiraram que isso é razoável e interessante? Quem é que não sabe que a saída é o caminho inverso do que fez para entrar? Entre com uma criança de um ano e meio dentro de um recinto e observe seu comportamento. Ela sairá por onde entrou. Um espanto! Ou será que, como pai, eu deveria pegar um megafone e anunciar: – CRIANÇA, A SAÍDA DOS INFANTES LOCALIZADOS NO QUARTO SUL SERÁ REALIZADA PELA PORTA QUE VOCÊS ENTRARAM! Não, não faz sentido algum. No verdadeiro Maracanã, que cabia 200 mil pessoas, nunca na sua história, de 1950 a 2010, houve um registro de uma pessoa que seja, da idade que for, que tenha se perdido lá dentro sem encontrar a saída.

E o anúncio de que o Juizado Especial Criminal está funcionando no estádio? Relevante? Por que não avisam que o estádio possui enfermarias e onde elas estão localizadas? Isso, sim, parece-me importante. Mas Juizado Especial Criminal? Quem precisar da ajuda da Lei durante o jogo procurará o policial mais próximo. E daí que tem um juiz de direito, um promotor de justiça, alguns escreventes e sei lá quantos outros servidores públicos de plantão no estádio para exercer suas funções? No quê isso incrementa a minha experiência no Maracanã?

Ah, e anunciar a plenos pulmões que foi gol do Fluminense? Talvez seja para avisar o rapaz da Leste que está fazendo a barba que foi gol. Só pode ser isso! Desde quando eu preciso saber que meu time fez gol através do alto-falante? O máximo que ele pode fazer é anunciar o autor do gol e imediatamente calar-se. Afinal, depois do gol, o momento é da torcida. Deixem a torcida cantar em paz! É o auge da partida, senhores. Pelo amor de Assis do Céu!

Enfim, estou alinhado em cortar gastos, apertar o cinto, passar aperto para poder crescer lá na frente e voltar a ser o que somos. Contudo, gostaria demais de ver o Fluminense realizando uma pesquisa séria para entender o seu torcedor e parar de tratar a sua torcida como ratos de laboratório, oferecendo serviços que não coadunam com a experiência dentro de um estádio, afastando as nossas crianças do verdadeiro sentido de torcer.

Aliás, lembrei-me de outra questão que merece citação: obrigar as nossas crianças a irem de Leste não me parece a melhor solução. Talvez seja o caso de criar cotas para os setores. Isso porque não deixar as crianças, que têm direito à gratuidade, experimentarem a sensação de estar dentro da torcida que batuca e não para de cantar não é salutar para nós mesmos. Essa experiência é o que molda o torcedor. Brincar no pula-pula, com espadas feitas de balões, com o rosto pintado e de camisa do Fluminense não faz ninguém virar tricolor. Isso as crianças fazem em qualquer festa infantil. Ora são leões, ora são dinossauros, ora estão com uma bandeirinha do Flu na bochecha. E daí?

O que difere disso tudo é justamente estar no centro de pessoas em pé, cantando e se emocionando durante uma partida de futebol, com todas as reações oriundas desse momento: xingamentos, choros, abraços, pulos, gritos e explosões coletivas após um gol. Isso sim molda um torcedor. É isso que faz o coração bater mais forte e não uma luta de espadas de balões pelos salões internos do setor Leste enquanto o pai apara a sua barba.

Saudações Tricolores,

Leonardo Bagno

ACRÉSCIMO DE TEMPO: +3

46min: Hoje tem jogo. Que o Norton não entre em campo e que o Matheus Alessandro seja banco. Temos tudo para sair do jogo com mais uma vitória, já que o adversário entrará com o time reserva. Um alento para todos nós, ávidos por alcançar a parte superior da tabela e, quem sabe, beliscar uma vaga para a Libertadores.

47min: Se bem que a nossa vaga virá pelo título da Sul-Americana. Justamente por isso que a torcida está arrecadando para realizar uma festa do tamanho que merecemos e estamos acostumados a fazer. Nada já batido pelas demais torcidas depois do nosso pioneirismo. A promessa é realizar algo tradicional, mas com inovações. Se der certo, será uma festa e tanta. Caso tenha se interessado e queira ajudar, clique aqui.

48min: Torcedor, o fechamento desta janela será realizado pelo ícone X.

Share This Post

Leonardo Bagno avatar
Eu sou Fluminense. O resto não importa.

1 Comment

  1. Renato Vianna avatar

    falou tudo que comentei com meus amigos no jogo de quinta passada.

    Lamentável,
    conseguiram afastar o sentimento da torcida que estava voltando depois dos bons jogos contra Palmeiras e Defensor.

    Quem coloca nossa torcida na sul inferior, pede pra jogarmos em campo neutro.
    Não existe.

Comments are now closed for this post.