Uma crença bastante difundida entre os tricolores sobre a contratação da dupla Assis e Washington em 1983 é a de que Assis, o maior jogador da história dos Fla-Flus, teria vindo como um mero contrapeso de Washington. Mas não foi bem assim que aconteceu. Ao menos é o que mostram as reportagens da época.

Talvez Washington estivesse em maior evidência naquele momento. No Campeonato Brasileiro de 1983, disputado no primeiro semestre, o centroavante havia marcado 13 gols pelo Atlético-PR. Dois deles no jogo de volta da semifinal da competição, contra o Flamengo, quando os paranaenses venceram por 2×0 e quase reverteram a desvantagem de 3×0 sofrida no Rio. Havia ainda o peso da idade. Washington era um jovem de 23 anos com toda uma carreira pela frente. Assis já tinha 30.





Ainda assim, dizer que Assis foi um contrapeso equivaleria a dizer que era um jogador pelo qual o Fluminense tinha pouco ou nenhum interesse. Que o contratou apenas para ter Washington. Os jornais no entanto contam uma história bem diferente, como pode se observar nas duas matérias a seguir, ambas do Jornal dos Sports, de Junho de 1983.

A primeira delas mostra uma negociação inicial onde o clube paranaense já havia aceitado vender Washington por Cr$ 100 milhões mas o Fluminense ainda queria Assis para fechar o negócio. A segunda é ainda mais contundente. Nela o supervisor do Fluminense Roberto Seabra e o histórico vice-presidente de futebol Newton Graúna deixam clara a posição do clube: ou os dois jogadores, ou nada.

Washington e Assis desembarcaram no Rio de Janeiro no dia 28 de Junho de 1983. O negócio ainda não estava fechado mas depois da festa promovida pela torcida tricolor no aeroporto, vestindo a dupla com a camisa do clube e dando-lhes o devido batismo de pó de arroz, ficou difícil voltar atrás. A transferência acabou sendo fechada nos seguintes termos: o Fluminense pagou Cr$ 130 milhões ao Atlético e cedeu por empréstimo os jogadores Cristóvão, Zezé Gomes e Cândido. Se ao final do ano o Atlético não quisesse ficar com eles o Flu teria que dar mais uma compensação financeira.

Tenho a pretensão de dizer que Assis foi meu amigo. Tomamos muitos chopps, atrapalhei ele em algumas peladas que jogamos juntos, o presenteei com DVDs com seus jogos no Fluminense. Ele me presenteou com uma linda camisa comemorativa que o Fluminense e a Adidas fizeram em sua homenagem, com um tricampeonato e com um campeonato brasileiro. Humilde, nunca se preocupou em desmentir o que falavam sobre sua contratação. Mesmo depois de se tornar um dos maiores nomes da história do clube. Eu faço isso por ele: NUNCA FOI CONTRAPESO.

 

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João Claudio Boltshauser (Bolt pra facilitar) curte escrever sobre o Fluminense Football Club, em especial sobre sua história. Aquela que traduz a predestinação para a glória.