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Flupress / Leonardo Bagno

O Campeonato Brasileiro de 1970

O Campeonato Brasileiro de 1970

Tricolores,

Eu havia comprometido-me a escrever sobre o segundo jogo mais emocionante que presenciei quando criança, mas este ficará para o próximo sábado, sem falta. É que eu fiquei contagiado com o clima de Copa do Mundo e acabei lembrando-me de um fato que é muito pouco conhecido por nós e, infelizmente, praticamente inexplorado pelo próprio Fluminense: o campeonato brasileiro de 1970.





Não estamos nas semifinais da Copa do Mundo de 2018. Estávamos, até ontem, bem próximos de sagrar-nos hexacampeões de futebol, conquista que seria inédita na história. Em 1970, contudo, quando nos sagramos tricampeões, nenhuma seleção havia alcançado tal marco na história das Copas do Mundo. O Brasil, inclusive, ganhou definitivamente a taça Jules Rimet justamente por ter sido a primeira seleção a conquistá-la por três vezes. Coube àquela seleção, tida como o nosso esquadrão, recheada de craques, desbravar tal caminho para nós brasileiros.

Imaginem só se o Brasil de 2018 tivesse se sagrado hexacampeão mundial, com gols de Neymar, Coutinho e Thiago Silva, num três a zero – fora o baile – para cima da Inglaterra? Além dos churrascos gloriosos que teríamos, seria excelente, não é mesmo? Agora, imaginem só se, logo após o Mundial, voltássemos para a disputa do nosso campeonato nacional, popular Brasileirão, com Neymar no Santos, Coutinho no Vasco e Thiago Silva no Fluminense. Não seria o campeonato nacional mais importante do mundo? Seria. Imagina, então, ser campeão deste Brasileiro. Não seria uma glória épica? Definitivamente sim.

– Muito prazer, meu nome é Fluminense F. C. e sou o campeão brasileiro de 1970.

O Brasil foi tricampeão em 1970, na Copa do Mundo disputada no México. Disso todo mundo sabe. O que não se fala muito é que o Campeonato Brasileiro daquele mesmo ano foi o maior campeonato de todos os Brasileiros já disputados desde o início de sua disputa até os dias de hoje. E não estou falando de extensão, mas de qualidade técnica. Exagero meu? Vamos lá!

Vamos voltar com a hipótese levantada acima para ajudar a entender o tamanho do que foi o campeonato daquele ano. Brasil hexacampeão mundial. A seleção desembarca no Brasil e desfila, pelas ruas das principais capitais do país, em carros abertos, apresentando a taça recém-conquistada e de maneira definitiva – honraria que não existe mais -. Povo alvoraçado comemora efusivamente o orgulho que é ser brasileiro.

Final de semana seguinte, tudo volta ao normal e reinicia-se o Campeonato Brasileiro de 2018. Alisson assume o gol do Internacional, seguido por Fred – na volância – e Taison – no ataque -, para o jogo contra o Atlético-PR, que conta com o retorno do Fernandinho no meio de campo. Ederson, por sua vez, assume o gol do São Paulo, que ainda recebe os retornos de Miranda e Casemiro. O jogo é contra o Flamengo, do Renato Augusto. Por fim, Cássio reencontra-se com o Corínthians, que jogará completo com os retornos de Fágner, Marquinhos, Paulinho e William. O jogo será contra o Botafogo…

Retomando o raciocínio, Danilo assume a lateral-direita do América-MG e enfrentará o Cruzeiro num clássico de tirar o fôlego. Daniel Alves, cortado por conta de uma lesão no joelho, recupera-se a tempo de ajudar o Bahia no jogo contra a queridinha do momento, Chapecoense. Marcelo veste o manto tricolor com o número 6 nas costas e, como companheiro de defesa, vê o monstro Thiago Silva vestindo a 3. O nosso jogo é contra o Vasco, que recebe Philippe Coutinho no meio. Clássico para não deixar ninguém em casa. Filipe Luís e Roberto Firmino chegam à Florianópolis como reis e vestem a camisa do Figueirense para jogar, na segunda divisão, contra o Criciúma, em novo clássico que certamente parará o Estado de Santa Catarina.

Já Geromel retoma o posto de xerife no Grêmio, acompanhado de Douglas Costa, e enfrenta o Atlético-MG. Neymar, estrela máxima da seleção hexacampeã, veste a 10 mítica do Santos, enfrentando simplesmente o Palmeiras, que conta com o retorno de Gabriel Jesus, fazendo São Paulo ser pequena para mais este clássico.

Obviamente que se trata de uma brincadeira. Primeiro porque acabamos de ser eliminados e porque, nos dias atuais, este cenário é simplesmente impossível. Não no Brasileiro de 1970, pois foi exatamente o que aconteceu! Vejam abaixo o nosso esquadrão e os respectivos times nos quais eles jogavam à época.

E não estamos falado de Fernandinho, Gabriel Jesus, Alisson e afins. Estamos falando de Pelé, Carlos Alberto Torres, Félix, Rivellino, Paulo Cézar, Jairzinho, Tostão, Dario… Todos os campeões de 1970 jogavam em times brasileiros. O Palmeiras ainda tinha Ademir da Guia que não fora convocado para a Copa.

O campeonato brasileiro de 1970 foi o maior campeonato de futebol já disputado no mundo e o único que contou com a participação dos 22 jogadores da seleção brasileira campeã mundial de 1970, considerada por muitos como a maior seleção brasileira de todos os tempos. E o único clube que poderia ser campeão deste campeonato era o Fluminense F. C., como de fato foi!

Saudações Tricolores,

Leonardo Bagno

ACRÉSCIMOS DE TEMPO: +4

46min: Perdemos para a Portuguesa-RJ. Resultado indiferente para mim. Treino é treino. Se tem um momento para que isso aconteça, esse momento é agora. O time vinha jogando com outra filosofia de jogo. Vai levar tempo para se adaptar à nova dinâmica de jogo a ser implementada pelo Marcelo Oliveira. Temos que ter paciência.

47min: Novo protesto nas Laranjeiras. Acho formidável a gente estar descontente com a nossa atual situação e demonstrar isto de maneira veemente. O Fluminense, como todos nós já sabemos, é imenso e não pode figurar em campeonatos apenas para participar deles. Nossa sina é brigar por títulos. Entretanto, quebrar nosso patrimônio é bola fora. Estamos com uma situação financeira complicadíssima. E nós, torcedores, não podemos ser motivo de prejuízo financeiro para o clube. Protestos sim! Quebra-quebra da nossa sede não. Ela não tem nada a ver com o que está acontecendo e esta prática, muito usada na década de 90, não foi nem um pouco efetiva. Só lembrar onde fomos parar. Enfim…

48min: Que bonde esse Fernandinho!

49min: A saudade está apertada e eu não vejo a hora de me reencontrar com o Fluminense!

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Leonardo Bagno avatar
Eu sou Fluminense. O resto não importa.

6 Comments

  1. Leco Matos avatar

    Você tocou no ponto certo! Parece que leu minha mente, pois tenho falado com amigos a mesma coisa… nossa seleção virou europeia, sem o samba-soccer. Carlos Alberto Torres havia cantado a pedra que antes, jogadores queriam ganhar, pois também havia o receio de voltar ao Brasil e entrar no couro quando re-encontrarem a torcida no Brasil.

    Neymar neste momento está fazendo um snapshat com vinho de $10000 e com a Marquezine no colo, enquanto crianças choram a eliminação.

    Falta convocar jogadores no Brasil e não os vitrinistas que querem dividir a comissão das transação que virá pós-copa.

    Abraço e parabéns pelo texto!

    • Leonardo Bagno avatar

      Obrigado, Leco.

      Realmente, seria interessante receber esses jogadores no Brasileirão para eles sentirem o que é realmente perder uma Copa. O compromisso seria maior certamente.

  2. Frank Cavaliere avatar

    Seria bem legal mesmo ter mais jogadores “nacionais” na seleção. Até pq os “europeus” às vezes tem mais midia mas não necessariamente são melhores.

  3. Regina Carino avatar

    Que texto é esse!!! Mto prazer em ler! Excelente!
    Concordo com os amigos Frank e Leco.
    Viver o ano de 1970 aos 18 anos é uma das grandes vantagens de estar, nos dias de hoje. completando 65 anos. Mistura de mtos sentimentos, vivendo um período de mta repressão: política, social, sexual…mas com mtos motivos pra ser feliz!

    Obrigada Leonardo!

    E essa pequena Tricolor é mto lindinha!

    • Leonardo Bagno avatar

      Muito obrigado, Regina. Sou suspeito para falar, mas também acho esse pequena tricolor muito linda!

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