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Emiliano Tolivia / Flupress

O caos absoluto que domina as Laranjeiras

O caos absoluto que domina as Laranjeiras

Em meio a tanta notícia ruim, cogitei postar hoje um texto bacana, que escrevi para um livro do Fluminense, a fim de deixar o dia mais leve. Acordei, olhei o clube pela janela para me certificar de que ainda não o transformaram num shopping e… Não vai rolar. Não vai ter crônica, filme, historinha bonita, viagem inesquecível.

Se for para ter dor no fígado, que seja por cerveja e churrasco – não por essa gestão absolutamente absurda que se apossou do Fluminense. Caso não desopile, é exatamente o que vai me acontecer. E já basta o que Abad, Flusócio & Cia. fazem ao nosso clube do coração.





O tricolor sequer pode dormir em paz. Deita com a notícia de que o Cícero, aquela preguiça monumental em forma de rede em Jericoacoara, tem sete milhões de reais para receber do clube, em sua última e inexplicável passagem pelas Laranjeiras. Dinheiro que será penhorado do “Caso Diego Souza”, valor que sequer recebemos ainda, por conta do inacreditável e-mail do ainda mais inacreditável Marcelo Teixeira.

Toca o despertador, o tricolor bebe água, solta o pigarro, pega o celular e pronto: Diego Cavalieri tem quatro milhões de reais a receber. Um dos maiores goleiros da história do Fluminense, demitido por Whatsapp, não quer conversa.

E onde estava o fiscalzaço Pedro Abad em todos esses contratos bizarros firmados na Era Peter? Sabemos que nosso presidente é incapaz de fiscalizar um farol apagado em uma ilha remota da Nova Zelândia, naqueles empregos perfeitos que volta e meia aparecem na internet e nunca são verdade. O que ele fazia era tão somente dar passe livre, assinar cheques em branco para seu antecessor e entusiasmado cabo eleitoral.

Como, meu São Assis de Castilho, como esse tipo de conta pode ser aprovado? Ah, claro, aprovado por um Conselho que só tem comprometimento com o projeto de poder da Flusócio, e não com o Fluminense. Um Conselho que não merece vestir as cores do pavilhão e que deveria se limitar a fazer churrascos do lado da quadra – e olhe lá.

Nem com dois dos mais promissores atacantes da nova geração brasileira, essa gestão consegue minimamente se acertar. Já foi o Richarlison, daqui a pouco vai o Pedro e o dinheiro irá para onde? Pagar as contas de mais 89 atacantes horrorosos que contrataremos, de um projeto de time na Lapônia, de um monte de cacique que nada acrescenta ao clube, de um social falido e dos Esportes Olímpicos.

Que tradição olímpica afinal?

Aliás, por que diabos o Fluminense ainda tem esse feudo chamado Esportes Olímpicos? Apenas a sede por ganhar eleições explica. Não me venham com esse papo de tradição. Além de um tiro com uma garrucha velha que alguém acertou lá em 1812 (que se não olhar no Google, ninguém lembra o nome), uma cesta do Bigu do meio da quadra contra o Flamengo, um time da Hortência, dois ou três caras do vôlei e honrosos quartos lugares no Troféu Finkel, que diabo de tradição tem, afinal, o Fluminense nos esportes olímpicos, que justifiquem tanto gasto?

O pólo aquático tricolor deu o Havelange. O vôlei, o Nuzman. A natação, Coaracy Nunes Filho. Todos encalacrados na Justiça. Só se for essa a tradição, de revelar uma rapaziada da pesada para o esporte nacional. Quero distância dessa tradição aí. Taça Olímpica, não custa lembrar, foi uma condecoração dada por modelo de gestão, em uma época bem distante da atual.

É hora de fazer como o ex-presidente David Fischel lá atrás e fechar as torneiras. A tradição do Fluminense é no futebol – e está ótimo! Não dá para ter um vôlei incentivado com patrocínio na camisa do futebol. Muito menos o vôlei gastar R$ 1,5 milhão a mais do que os R$ 4 milhões que já arrecada – e tudo sendo pago pelo futebol. E tudo isso para jogar para 100 pessoas na Hebraica e não arrumar nada na Superliga.

E ainda tem o elefante branco chamado social. A equipe de limpeza que entra em greve por falta de pagamento, paredes descascando, uma piscina que está com os azulejos soltando… Aliás, uma piscina absolutamente desconfortável para o sócio, funda e que obriga o sujeito a se equilibrar numa muretinha, sem serviço de bar. Sequer atrativa é.

Enquanto a casa vai caindo, a turma da Flusócio vai fazendo a única coisa que sabe e lhe resta: política. Os Gatos Félix vão atrás do Pedro Antônio, a quem outro dia abominavam, para tentar uma última cartada de viabilidade da gestão. E eu sei lá sobre o Pedro Antônio. Há quem me diga que é um cara que faz acontecer. Outros me garantem que é o pior que pode ocorrer ao Fluminense. Eu não confio em mais ninguém que orbitou pelo Flu nos últimos anos e ajudou a criar o caos atual. O único que sei é que o modus operandi é asqueroso.

Enquanto isso, a tropa de choque segue nas redes sociais atacando críticos, culpando a torcida, exaltando triunfos do time Sub-Feto, sumindo na sequência de derrotas e reaparecendo na primeira vitória sobre o Íbis.

A solução é a renúncia? Sem vice, com figuras absolutamente inexpressivas no Conselho, periga a caneta acabar na mão do primeiro distraído que passar pela Álvaro Chaves.

Impeachment? Possibilitaria novas eleições. O pedido já foi protocolado e nada mais se ouviu a respeito. A possibilidade de estar esquecido em alguma gaveta ou com uma bunda branca sentada em cima é enorme. E, ainda que entre em pauta, não imagino este Conselho, em sua maioria indigno, sabujo, servil, bajulador, aprovando coisa alguma.

Com um time que praticamente nada disputa, que relega o tricolor ao papel secundário de apenas secar os rivais semana após semana, resta continuar protestando. Nos jogos – enjaulado no cercadinho -, nas reuniões de Conselho, nas redes sociais. Contra quem acharem por bem, da forma que julgarem necessária. Sem trégua, pois é o tricolor o último bastião do clube.

Flusócio, Unido e Forte, Vanguarda, Ideal, Tricolor de Coração, Flubase, Pró-Flu, Flu isso, Flu aquilo, sei lá mais quantas metástases temos pelas Laranjeiras. No fim, eles saem de fininho aqui e entram ali. Mas sabem o que fizeram na gestão passado.

Quem me lê aqui, sabe que eu não gosto de escrever palavrões. Paciência.

Vão à merda!

– E como além de tudo o Abad é azarado, Pedro se machucou na hora que foi convocado. Que nosso Dom Queixote volte logo. Sai, zica!

– Sai João Carlos, entra Kayke. Não sei o que dizer.

– Ao Maraca. É o que resta.

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Emiliano Tolivia avatar
Jornalista e pitaqueiro, andou metendo o bedelho no GloboEsporte.com, LANCE! e no balcão mais próximo.

11 Comments

  1. Carlos Mucury avatar

    Esse texto é uma catarse pra todos nós.
    Pena que não será pra essa corja que se apossou do Flu.

  2. Regina Carino avatar

    Nossa torcida anda absolutamente desgastada, nem temos mto o que comentar ou esperar de 2018. Podemos sim dizer que esse é o ano do protesto. Resta esperar o dia em que nosso amado Flu seja entregue a uma nova gestão. E que essa nova gestão nos traga de volta a celebração de um Flu apaixonante!

  3. Douglas Berndt avatar

    Há quem diga que investir no futebol é um erro… Cruzeiro está ai, um TIMAÇO, vivo em todos os campeonatos e usando o próprio futebol para se reerguer.
    Mas o acéfalos da Flusócio acham que é com João Carlos e Kaykes que o Fluminense irá se reerguer. CANALHAS!

  4. Marcus Santos avatar

    Caro tricolor, me parece que, quem faz parte do Conselho Deliberativo do Fluminense Futebol Club, pelo menos a maioria, não é torcedor do Fluminense, pois vendo o caos que é a Gestão temerária do Sr. Abad, nada fazem. Não temos empreendedores nesta Gestão, temos administradores de contas.

    • Emiliano Tolivia avatar

      Até devem se dizer tricolores. Mas estão na verdade preocupados com bocadas e projetos próprios.

  5. Daniel Martins caetano pereira avatar

    Simplesmente quase perfeito, quase porque mesmo com todo o talento pra escrita do amigo é impossível hoje pra qualquer um tricolor expressar o ódio a tristeza a amargura que esses últimos e infinitos anos tem sido pra nós que amamos esse escudo e essas cores.

    • Emiliano Tolivia avatar

      Nunca vai ser perfeito escrever com raiva sobre o Fluminense, porque isso não deveria acontecer. E o pior é que ainda tinha muito mais a ser dito. Triste.

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