Tá bom, eu sou um fanático por times que jogam com a bola.

Eu concordo também que isso pode soar vez ou outra até meio xiita.





E é claro que dá pra ganhar alguns jogos sem ter a bola.

Alguns jogos. Dificilmente um campeonato de pontos corridos.

O Fluminense entrou em campo contra o Grêmio na quarta feira pra não jogar futebol.

Dia de jogo do Fluminense é um dia especial né?

A gente trabalha mais animado, tem um joguinho quarta á noite do seu time, a galera pede uma pizza, toma até uma cervejinha quebrando aquela promessa de regime da semana.

Pra ver seu time jogar…

Começa o jogo e…  Seu time não joga. Só o outro.

Eu respeito quem tenha, mas eu não tenho nenhum prazer de ver aquilo.

Se ainda fosse contra o Barcelona, o Real Madrid, mas não, é contra o Grêmio desfalcado.

Ah, mas o Fluminense estava desfalcado também. Sim, mas os desfalques dele são dos caras fundamentais, que fazem o modelo ter sucesso. Geromel, Artur e Ramiro.

Se a gente pegar o ótimo Grêmio do Renato, 5 são os caras que fazem esse time jogar muito bem: Geromel, bom zagueiro e com saída, Maicon e Artur no meio, Ramiro como motor e Luan. O resto completa.

Pois bem: 3 não jogaram.

Os laterais do Grêmio eram Madson e Cortêz. Eu prefiro os nossos. Dos 4 em campo, o melhor é o Gilberto.

A zaga deles é horrorosa. Bressan e Kaneman não jogam nada, são lentos e fracos na saída de bola.

No meio, Cícero e Maicon. Se a gente perguntar pra boa parte dos torcedores do Flu que dupla eles preferem: Richard e Jadson ou Cícero e Maicon, a grande maioria, eu de novo serei exceção, prefere Richard e Jadson.

O André, hoje, joga menos que o Pedro.

Sobraram Luan e Everton.

Desculpe, quem admira, aplaude, mas não era pra isso. E nem o Abel acha que era, tanto que odiou o primeiro tempo.

Uma coisa é você optar por jogar em transição agredindo o adversário, outra coisa é aquele primeiro tempo com zero finalizações, algo que deve ser recorde neste campeonato.

E o modelo sobrecarrega: Todo mundo lá atrás, pega a bola e dá tiro de 40, 50 metros. O time nunca respira. Ou porque está se matando pra marcar ou porque quando tem a bola tá se matando pra fazer transição.

Já estourou Ayrton, agora Pedro, Marcos Junior precisou segurar e daqui a pouco serão Gilberto e Jadson.

O jogo do Fluminense é um sofrimento. Todo mundo tem cãibra, sofre, sai estafado. A torcida os chama de guerreiros, e eles são, mas o modelo de jogo ajuda demais nesse cenário que foi criado.

Se a gente pegar a média de posse de bola dos 2 últimos campeonatos brasileiros, temos o seguinte cenário:

2016.

Os 4 primeiros colocados do campeonato tiveram em média mais que 51% de posse.

O quinto, o Botafogo, teve menos.

Dos 10 primeiros, 7 tiveram posse acima de 51%.

Dos 10 últimos, 6 tiveram menos que 49%.

2017.

Os 6 primeiros colocados tiveram, em média, mais que 51% de posse.

Vasco e Chapecoense, sétimo e oitavo, tiveram menos.

Dos 10 primeiros, 7, mais uma vez, tiveram mais posse.

Dos 10 últimos, 6, tiveram menos, sendo que os 3, de pior média de posse de bola, foram rebaixados.

São números.

Ah mas o Leicester foi Campeão da Premier League jogando assim. Foi. E, jogando assim, voltou a ser apenas o Leicester.

O ponto em Porto Alegre é pra ser comorado.

Dava até pra ter ganho, com um pouco de capricho e uma arbitragem isenta (pênalti do Kaneman no Chaves).

Sabem por que? Porque no segundo tempo, em parte dele, é verdade, o Fluminense resolveu jogar futebol.

Se a gente dividir toda a posse de bola do Fluminense em períodos do jogo e esses sites de estatística fazem isso, a gente vê que o momento de maior posse de bola do Fluminense na partida foi nos primeiros 15 minutos do segundo tempo.

O jogo contra a Chapecoense acaba com o Fluminense com apenas 46% de posse de bola. Contra a Chapecoense!

E eu já vi gente, que até sabe analisar futebol, dizendo que Abel entrou em campo pra trazer a Chapecoense pro seu campo. Não é verdade!

De novo, se a gente fizer esse exercício de dividir o tempo de jogo, encontra um Fluminense que, de toda sua posse no jogo, teve 49% dela nos primeiros 30 minutos. Ali, fez 2 a 0, e encaminhou o resultado.

O recuo, a entrega da bola ao adversário, é que trouxe um risco absolutamente desnecessário pra esse jogo.

Voltando ao último jogo, outros dados chamam a atenção:

– O Fluminense roubou 20 bolas, número muito bom, naturalmente porque ficou sem a bola.

– Richard roubou 3 bolas e teve 6 perdas de posse. Jadson teve 5 perdas de posse. Impossível jogar assim. Do lado do Grêmio Cícero e Maicon também roubaram 3 bolas cada um, mais tiveram apenas 4 perdas de posse juntos. Isso dá volume de jogo.

Volume de jogo. A melhora nesse quesito é absolutamente fundamental pra se manter na ponta.

Porque jogando lá atrás toda vez que pega um time grande ou sai na frente do placar, dificilmente vai brigar por título.

A bola gosta demais de quem a trata bem. E normalmente pune quem não gosta dela.

 

 

 

Dedé Moreira avatar

Blog do torcedor do flu no Globoesporte, Futebolzinho.com. Gestão Técnica de Futebol e Análise de Desempenho pela Universidade do Futebol.