Aguirre tem pouco tempo no São Paulo.

Logo que chegou, encarou uma semifinal de paulista e um mata-mata na Copa do Brasil, contra dois adversários muito duros, o Corinthians e o Atlético Paranaense. Caiu nos dois.





Aguirre tem um desafio no São Paulo: Transformar investimento em performance.

Rogério Ceni tentou a implantação de um novo modelo e sucumbiu.

Dorival teve mais tempo, mas o São Paulo não evoluiu nada com ele.

É a vez de Aguirre pegar um elenco que conta com nomes como Rodrigo Caio, Arboleda, Anderson Martins, Militão, Reinaldo, Petros, Jucilei, a revelação Liziero, Hudson, Cueva, Nenê, Diego Souza, Valdívia, Everton (ex Fla), Tréllez, Marcos Guilherme e transformá-lo num time de futebol confiável e competitivo.

Montar um bom time, adequar as características de cada um ao que o treinador enxerga como modelo ideal, fazer com que o todo seja maior que a soma das partes é um desafio, mas no caso do São Paulo, com esse material humano, é um desafio menor do que o do Abel, por exemplo.

Aguirre, então, começa o seu trabalho priorizando o sistema defensivo.

O São Paulo ainda não foi vazado no Campeonato Brasileiro e lidera a quantidade de desarmes (44 nos 2 jogos).

Jogou fora de casa com o Ceará, com 2 laterais (Militão faz as vezes de terceiro zagueiro quando Aguirre quer mudar o sistema), 2 zagueiros, 3 meio campistas mais defensivos e de organização (Hudson, Petros e Liziero), 2 meias mais avançados ( Everton e Cueva) e apenas 1 atacante de ofício (Tréllez, rápido e móvel).

Não adiantou o time que vai entrar em campo contra o Fluminense e como as mudanças são muitas a cada jogo fica difícil prever quem vai jogar.

Mas a estratégia não deve fugir disso.

Vai fechar o time, jogar, primeiro, pra não levar gol.

Em tese, é ruim pro Fluminense encarar um time que joga com tanta gente se defendendo.

É matemática. O Fluminense ataca com pouca gente. São 3 zagueiros, Richard que não ajuda no momento ofensivo, Jadson que toca a bola, se mexe bem, mas tem pouco poder de decisão também.

Resta a jogada com os alas, principalmente Ayrton. E que o São Paulo deve marcar porque com toda certeza acompanha os jogos do Fluminense.

O Fluminense não busca o ataque posicional.

O modelo do Abel é muito conservador. Trocas de passe simples pra não errar, paciência nessa troca pra não correr riscos e uma bola aérea quase fatal.

Os 2 gols até aqui no brasileiro saíram dessa forma, assim como o gol contra o Flamengo na final da taça Rio e os 3 contra o Nacional na Sulamericana.

É a principal jogada ofensiva do time.

Dificilmente, portanto, um ataque vazará a defesa adversária com trocas de bola, triangulações, dribles e posicionamento.

O São Paulo possui melhores jogadores do meio pra frente e que sabem fazer essa transição em velocidade.

O Fluminense possui a bola alta.

Se o Fluminense conseguir negar esses espaços que o São Paulo precisa e que Everton, Tréllez, Liziero e Cueva gostam, tem tudo pra ganhar de novo e subir na tabela.

Afinal, a ponta da tabela é o lugar do Fluminense, apesar da gestão Flusócio tentar, de todas as formas possíveis, tirar também esse sonho de cada um de nós.

Saudações

Dedé Moreira avatar

Blog do torcedor do flu no Globoesporte, Futebolzinho.com. Gestão Técnica de Futebol e Análise de Desempenho pela Universidade do Futebol.