Não tem mais volta!

A forma de gerir futebol, como um dia conhecemos, acabou. Serve, no máximo, para rirmos das muitas histórias engraçadas dos dirigentes folclóricos que passaram por vários clubes do país.





É inconcebível que se faça futebol hoje, sem os elementos (se não todos, vários deles) que exponho a seguir:

– Planejamento Estratégico
– Infraestrutura
– Gestão adequada dos Recursos Humanos
– Cultura que valorize a formação de talentos
– Mentalidade vencedora
– Sustentação financeira
– Melhoria contínua de processos administrativos e esportivos

Hoje eu quero falar com vocês sobre o último item.

A melhoria contínua dos processos esportivos. E como pequenas metas, objetivas, se alcançadas, podem resultar em aumento de performance e consequentemente trazer resultados que, aí sim, alcancem o objetivo ao final de uma competição.

Ser Campeão, classificar para competições importantes, todo mundo quer.

E pra isso é preciso ganhar jogos. Ganhar jogos, portanto, é um objetivo micro, que fará você conseguir atingir seu objetivo macro que é ser campeão.

É impossível controlar todas as variáveis que afetam o resultado de um jogo de futebol.

Mas é possível, com treinamento adequado e com uma equipe competente, reforçar seu jogo em alguns quesitos que te deixarão mais perto da vitória.

Nesse sentido, separei alguns quesitos, que entendo serem de suma importância na construção de um jogo bem jogado e que aproximam uma equipe da vitória caso o desempenho neles esteja satisfatório.

Vamos a eles, sem ordem de importância:

A ? Circulação da Bola

Quanto mais rápida, melhor. Já na estreia do Brasileiro tivemos um bom exemplo vindo do Atlético Paranaense. O Atlético com 66% de posse de bola trocou 605 passes certos.

A título de comparação, o Fluminense contra o Nacional teve o mesmo percentual (66%) e trocou 446 passes, quase o mesmo que o Corinthians domingo contra a gente (438) com um percentual de posse menor (58%)

Trocas rápidas de passe dificultam o posicionamento defensivo e as coberturas, abrem espaço nos sistemas defensivos.

B ? Percentual de posse de bola no terço final do campo do oponente

Quanto maior, melhor. Ainda trazendo como exemplo nosso jogo contra o Nacional (em que tivemos a bola a maior parte do tempo).

Nesse jogo o Fluminense trocou 446 passes, apenas 15% no terço final do campo. Desses passes, 53% foram atrás do meio do campo, mais da metade.

O nosso maior passador foi Renato Chaves com 62 passes. Dos 446 passes, 112 foram dados por Gum e Renato Chaves.

Não à toa, os gols saíram com bolas altas na área, 2 deles depois que o frágil adversário ficou com menos um em campo.

Um time que tem a proposta de ter a bola e ser o protagonista do jogo, precisa levar essa bola ali na frente, jogar mais no campo dos caras, agredir mais seu adversário.

C ? Percentual de posse de bola do adversário no terço final do seu campo

Quanto menor, melhor.

Se a bola está com o adversário e o time se posiciona pra defender, sem pressionar, é fundamental que essa troca seja distante da área. E dá pra fazer isso dificultando a circulação de bola adversária, diminuindo espaços e reduzindo linhas de passe.

O Fluminense foi bem nesse quesito no domingo. Apenas 17% dos passes do Corinthians forma dados no terço final do seu campo, daí as poucas chances criadas.

D ? Profundidade ofensiva

Quanto maior, melhor. Mede o percentual de finalizações de dentro da área. É buscar a chance real de gol.

No melhor jogo ofensivo do Fluminense no ano (3 a 0) contra o Botafogo, das 16 finalizações, 14 foram de dentro da área.
A bola aérea, arma importante, ajuda muito esse quesito quando bem aplicada, o que vem ocorrendo no Fluminense.

E ? Solidez Defensiva

Índice que divide a quantidade de minutos sem posse pela quantidade de finalizações sofridas.

Quanto maior esse número, maior é sua solidez.

F ? Volume Ofensivo

Índice que compara os minutos de posse de bola e a quantidade de finalizações.

Quanto maior, melhor.

Todos esses índices são passíveis, de controle, de treinamento pra adequá-los a padrões competitivos e que inclusive podem ensejar escalações diferentes à medida que o modelo de jogo varia de acordo com o adversário. E a melhoria deles trará as vitórias necessárias.

Falaremos muito de muitos deles por aqui ao longo do ano.

Não adianta um clube ter objetivos, sem metodologia, sem controle e sem avaliação.

O Campeonato Brasileiro está começando. A diferença de receita entre os times é muito grande, mas a de performance não é tão significativa.

Pequenos detalhes podem fazer uma diferença muito grande.

Muitas vezes o pequeno detalhe é resolvido com uma grande contratação. Pra isso o Fluminense não tem dinheiro.

Outras vezes o detalhe pode estar no trabalho correto, na ótima alocação dos recursos disponíveis, na capacidade de fazer melhor com menos.

Os exemplos na história do Fluminense e do futebol são inúmeros.

Bora trabalhar?

Dedé Moreira avatar

Blog do torcedor do flu no Globoesporte, Futebolzinho.com. Gestão Técnica de Futebol e Análise de Desempenho pela Universidade do Futebol.