Acho que ninguém tem mais dúvida de que a gestão Abad está morta. A Flusócio e quem se juntou a ela nessa eleição, sabendo o que foi a gestão Peter, não possui nenhuma condição de liderar mais nada no Fluminense. Não há nenhum projeto pro futebol do clube. Nunca houve.

Apesar disso, e eu coloquei isso nas redes sociais, acho que ninguém duvida que um bom trabalho de campo pode fazer o Fluminense ressurgir nesse brasileiro. Até porque, o que não falta no meio do futebol é gente ruim e incapaz.

E a nossa esperança é o campo galera.

Marcelo Oliveira, nas entrevistas, começou muito bem. Reconheceu o tamanho do Fluminense, desfez os 3 zagueiros (frisamos no início do ano que o sistema era insustentável pro brasileiro) e disse que a bola teria que sair mais limpa lá de trás.

Boas ideias, vamos pra execução.

Eu não gostei muito das primeiras escolhas.

Mais que isso: Acho que vai dar merda se esse time for escalado por muito tempo.

Julio, Gilberto, Gum, Digão e Ayrton Lucas. Airton, Jadson, Douglas e Sornoza. Robinho e Pedro.

Pra começar a bola não sairá limpa lá de trás com Gum e Digão. Acho que com isso todos concordam.

Passo agora a enumerar todos os problemas que encontro nessa escalação:

– Os ex alas Gilberto e Ayrton Lucas. Gilberto e A. Lucas viram laterais. Eram quase pontas, numa das poucas coisas que funcionaram com Abel. Laterais possuem mais funções defensivas e, a não ser que o Fluminense marque alto, terão que correr mais metros para serem efetivos no ataque como vinham sendo. Precisamos ver jogar, mas se Marcelo encher Gilberto e Ayrton Lucas de preocupações defensivas perderemos o ótimo apoio que vinham tendo, sem compensação no setor defensivo, uma vez que, por característica, são apoiadores.

– A saída de Richard. Volto a repetir: Richard é um jogador comum e eu jamais teria investido nessa contratação. Mas Richard é um jogador comum de 24 anos, enquanto Airton é um jogador comum perto dos 30 anos e que não vem jogando. Se a ideia é manter Gilberto e Ayrton apoiando juntos (e acho que isso é muito importante pro nosso time) não há a menor condição da trinca Gum (sem jogar na sobra), Digão e Airton protegerem essas subidas. São 3 jogadores mais velhos, dois deles com longa inatividade. Richard é um jogador que arrisca pouco no passe, é verdade, mas se movimenta mais, pega mais, tem mais disposição, a juventude a seu favor e a possibilidade de evoluir se bem trabalhado. Não faz o menor sentido falar em experiência nesse caso, porque experiência não corre e nem cobre laterais. É algo meramente subjetivo. Airton não é, nunca foi, um grande meio campista, ajuda pouco na frente, não é um organizador, não chuta de fora da área, ou seja, é um Richard bem mais velho.

– A zaga. Assim como Airton, não dá nem pra pensar no Digão. O Fluminense acaba de subir o Ibanez e o garoto vai perder espaço pra outro trintão que nunca fez uma grande temporada na carreira. Se a contratação já é bizarra, a escalação como titular é ainda pior. Ainda mais fazendo dupla com Gum, também mais velho. Gum terá dificuldades demais nessa nova função, onde o combate direto com o adversário se tornará muito mais frequente, expondo sua fragilidade como zagueiro. Mas Gum, diferente de Digão, ainda tem uma bola alta muito forte e a tal experiência que Marcelo tá querendo, sendo um dos líderes desse elenco. E Renato Chaves está longe de ser o pior zagueiro do mundo. Tem boa recuperação, é rápido pra zagueiro, é o que mais chama a bola na saída, embora tenha evidentes limitações. É mais jogador que o Digão atualmente.

– Posicionamento do Jadson. Outra coisa que deu certo quando o Abel colocava o Jadson como segundo homem, fazendo transição em velocidade. Com essa escalação, junto com Douglas, Jadson deve jogar mais adiantado, o que já foi tentado com o Abel e não funcionou.

– Robinho. Vou evitar aqui desrespeitar o jogador e chamá-lo de sem sangue. Robinho está tendo a oportunidade da vida ao jogar no Fluminense. E duvido que esteja fazendo de sacanagem. Quem errou foi o scout do clube. Robinho foi contratado pra fazer a função do Richarlison. Mas não tem pulmão, força, velocidade e saúde pra fazê-lo. Robinho, por característica, não é veloz, fisiologicamente é impossível exigir dele corredor de lado de campo de uma área a outra. Como Robinho jogava e que fez o Flu ter interesse no seu futebol? Pela esquerda, sem voltar muito, vindo por dentro, pra cortar pro meio e bater. É isso. Não adianta achar que o cara é ponta e o Abel colocou ele por vários jogos abertos na direita. Robinho tem boa técnica, pode e deve ser utilizado corretamente. E o corretamente é mais pelo lado esquerdo.

– A barração do Marcos Junior. Marcos Junior é o único jogador do meio pra frente que faz lado de campo e joga centralizado. Não é acima da média em nenhuma função, mas é capaz de cumprir múltiplas funções ao longo do jogo e com bastante intensidade, o que é fundamental no futebol atual.

O futebol moderno bem jogado é um mix de talento e intensidade. Mas se um dos fatores tiver que ser mais determinante para os resultados, este é a intensidade, uma vez que os grandes talentos não jogam no Brasil.

Intensidade, velocidade, marcação no cangote dos caras e inteligência coletiva pra ocupar espaços. Marcelo tem essa possibilidade, mas irá naufragar ao envelhecer demais um time, sem ter a correspondência em foram de talento. Envelhecer e tirar velocidade de um time pra escalar um Deco ou um Fred  é uma coisa, pra jogar Digão e Airton é outra.

Meu time: Julio, Gilberto, Gum, Ibanez (Chaves é o primeiro reserva dos dois) e Ayrton Lucas. Richard, Jadson, Sornoza, Marcos junior, Luciano e Pedro.

É um time ofensivo, mas capaz de ocupar espaços, veloz e mais agudo. Afinal, a vitória vale 3 pontos né?

Enquanto Luciano (boa contratação, embora empréstimo de 3 anos mostra que vamos apenas vitrinar) estiver fora. Marcelo pode optar pela entrada do Douglas ou do próprio Robinho, dependendo do jogo e do adversário.

No banco a molecada pra colocar velocidade se o jogo pedir e zagueiros pra fazer linha de 5 e segurar um resultado quando for necessário (usando o que Abel usou até bem em alguns jogos).

O futebol não tem modelos únicos, tem sucesso que consegue se adaptar e prever os diversos cenários que encontrará pela frente.

Tomara que seja o caso do nosso novo treinador.

 

Dedé Moreira avatar

Blog do torcedor do flu no Globoesporte, Futebolzinho.com. Gestão Técnica de Futebol e Análise de Desempenho pela Universidade do Futebol.