Você está lá acompanhando o jogo do Brasil contra a Sérvia, duelo escamado, jogadores saindo machucados, valendo o primeiro lugar do grupo. Entre um gole de cerveja e outro, dá aquela conferida no grupo de Whatsapp.

– Marcelo não vai fazer falta!
– Tem que colocar o Firmino.
– Thiago Silva é o melhor do mundo.
– Nathan Ribeiro foi emprestado.
– Queria pegar a Alemanha!
– O Tite tinha que…

OPA!!! Volta, volta, volta.

Como assim? Pois é. O Fluminense emprestou o Nathan Ribeiro no meio da balbúrdia de um jogo do Brasil na Copa do Mundo.
Se o timing já é inacreditável, o empréstimo em si é inaceitável. Primeiro, pelo jogador em si. Cercado de desconfiança da torcida e elogios maravilhados do Abel, o Nathan foi contratado, entrou e até que não foi mal. Mostrou alguma qualidade na saída de bola.

Com a saída do Luan Péres, já se vislumbrava um time com ele ali, em linha de três ou mesmo de dois zagueiros, já que o esquema pode mudar. Seria uma chance a menos de termos o Frazan em campo. Não é mais.

Em segundo lugar, no que transformaram o Fluminense? Abad e sua intrépida trupe imaginam que administram um clube ou uma incubadora? Porque é nisso que estão tornando o Fluminense. Uma barriga de aluguel (agora aguenta, coração!). O jogador aparece do nada, fica em exposição, faz dois ou três partidas razoáveis e logo é emprestado por qualquer merreca.

Agora, me digam: isso é esquema com empresário, má fé, incompetência ou desconhecimento da grandeza tricolor? Não serei leviano de fazer acusações sem prova. Cartas para a redação.

E de perda em perda, o Fluminense segue como aquele cachorro tresloucado, correndo, em vão, atrás do próprio rabo. O cenário para o pós-Copa vai se desenhando ruim, bem ruim.

Como a graça parece ser dar notícia ruim para dividir as atenções com a Copa do Mundo, o Fluminense anunciou há pouco o “reforço” de Digão. Sim. Aquele Digão. Quase dez anos depois, ele vai reviver uma gloriosa dupla com o Gum. Aguarda-se a chegada de Dalton a qualquer minuto.

Se Digão é a resposta, se Digão é o caminho, se Digão é a solução, eu já começo a ver Frazan com bons olhos.

Como disse um amigo, a Copa do Mundo virou uma espécie de droga que usamos para alienação. Se eu por acaso desse um bico na garrafa do gênio, pediria apenas que a Copa durasse até o fim de 2019, quando poderemos enfim dar uma renovada no comando do clube.

Até lá, ficaríamos vivendo apenas de Neymar, Messi, Cristiano Ronaldo e torcida do Panamá. Ao fim da Copa, reencontraríamos nosso grande Fluminense, cheios de saudade de voltar ao Maracanã.

Como ainda não encontrei porcaria de garrafa nenhuma, seremos obrigados a continuar abrindo os grupos de Whatsapp com muito cuidado durante os jogos da Seleção. Vai que contra o México eles vendem o Cartola e emprestam o Guerreirinho.

Não acaba, Copa!

– Marcelo Oliveira? Vem de péssimos trabalhos. A seu favor, o lastro de quem já foi campeão brasileiro. Para o que havia no cenário, não é de todo ruim. Uma aposta ou mesmo um gringo também não era boa ideia. A ver.

– Há quem diga tratar-se de um Levir Culpi 2. Prefiro esperar.

– Que Copa faz o Thiago Silva. Não adianta “uma turma aí” querer queimar o cara. Ele é realmente monstruoso.

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Jornalista e pitaqueiro, andou metendo o bedelho no GloboEsporte.com, LANCE! e no balcão mais próximo.