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Bato insistentemente na tecla de que o Fluminense, sempre, em qualquer circunstância, contra qualquer um e aonde for, deve jogar como Fluminense.

Domingo jogou. Mal, com uma defesa claudicante, sofrendo com as escolhas estapafúrdias do Abel, mas jogou.

Porque jogar como Fluminense não significa jogar bem ou mal. Em mais de cem anos o Fluminense já jogou muito bem e muito mal. Aliás, o Fluminense e qualquer outro gigante centenário de qualquer país do planeta.

Jogar como Fluminense significa entrar na porcaria do campo para vencer como proposta de jogo e não esperar que a vitória venha numa bola vadia.

As partidas contra o Atlético que jogamos no Independência contaram com o Fluminense em campo. Um Fluminense limitado, frágil, capenga, sem confiança, mas ele estava lá, buscando os três pontos.

A primeira delas, o primeiro tempo, foi bem legal. Finalizamos mais que o adversário, impusemos nosso ritmo, pegamos firme e fizemos dois gols que poderiam ter sido três ou quatro. Também tomamos dois lá atrás e nem podemos dizer que foram culpa de um sistema mais exposto de jogo porque nos dois lances a defesa estava bem montada.

A segunda, o tempo complementar, foi terrível. Também porque o Galo melhorou, mas principalmente porque nosso treinador extrapolou no direito de fazer cagada. Acho que todos repararam a queda vertiginosa da equipe após a entrada daquele usina de beneficiamento em movimento. O time perdeu a pegada no meio de campo, deu espaços para um time mais forte que o nosso e sucumbiu à velocidade e técnica dos atacantes adversários. Abel colocou dois centroavantes mais estáticos e, para sacanear a lógica, tirou os laterais que poderiam municiá-los com bolas que deveriam chegar da linha de fundo. A carruagem virou abóbora instantaneamente e se o jogo tivesse mais cinco minutos, tomaríamos mais dois ou três gols.

Não consigo entender o que ele fez até agora. Empurrou o motor do time para uma lateral, colocou um beque quadradão na outra, manteve dois volantes e fez com que a intermediária dos mineiros fosse completamente despovoada.

Já disse aqui e repito. O Abel tem uma capacidade baixíssima de ler o jogo enquanto ele acontece. Leva nó tático dele mesmo em quase todo jogo. Mas ontem ao menos foi corajoso (dentro do que é possível para ele). Perdemos porque ele foi horroroso nas escolhas, mas também porque, convenhamos, o Atlético é melhor que a gente e jogava em casa.

Minha pergunta é: por que diabos não jogamos assim contra Paraná (um time limitadíssimo) e Flamengo (um clássico de caráter imprevisível)? Quem joga para ganhar tem mais chances de pontuar mais num campeonato de 38 rodadas do que quem joga para não perder. Isso não lhes soa óbvio? Nem todo time é forte como o Galo. Aliás, arrisco dizer que ao menos uns quinze times do brasileirão estão abaixo dos mineiros.

Querem saber, amigos? O meu lado tetracampeão brasileiro quer ver o Abel fazendo essas cagadas no Flamengo. O meu lado torcedor acostumado à Flusócio quer vê-lo com um contrato vitalício. Não tem saída boa. É aquela história do se correr o bicho pega, se ficar o bicho come.

E numa decisão dessas, o melhor a fazer é esquecer o DNA de vencedor de campeonatos e se segurar naquela vidinha sem vergonha de não cair de divisão. É, em outras palavras, aceitar que enquanto houver Flusócio não haverá Fluminense em essência, apenas uma camisa pesada que hiberna na leniência e incompetência dessa turminha de aventureiros com talento para politicagens paroquiais e para postagens vagabundas em redes sociais.

Abel fora do Fluminense é como uma roleta russa com quatro balas no revólver. Esse grupo de jogadores frágil que temos (um elenco que sente a falta do Marcos Jr e que vê o Douglas com a faixa de capitão), com salários atrasados, episódios recentes de desrespeito a antigos jogadores e uma interlocução impossível com Abad e companhia, esse grupo vai se segurar em quem? Vai acreditar nas palavras de quem? Do vice de futebol que ninguém conhece a cara? Do Marcelo Teixeira que já voltou para seu cantinho em Xerém quando o bicho pegou pro lado dele? Do Abad que fugiu dos conselheiros pela cozinha e que, lá atrás, largou o Abel à própria sorte enfrentando torcedores enfurecidos no aeroporto?

O Assis está no céu. Renato comanda o Grêmio. Fred foi expulso do clube pelo mentiroso do Peter. Deco já se aposentou.

Marcos Junior, Sornoza, Gilberto, Nathan e companhia não vão segurar esse rojão. O próprio Gum, que é firme, não pode fazê-lo sozinho.

O elenco que essa turma proporciona ao treinador é ridículo. As condições são ainda piores. Os caras fazem cagada atrás de cagada em todos os campos de governança possíveis. E no futebol não seria diferente. Pule de dez que nossos melhores jogadores serão vendidos como cacho de bananas para algum time europeu de segunda linha após a Copa.

Não. Eu não quero que o Abel saia. E por mais paradoxal que seja eu não aguento mais ver suas burradas.

Escolha de Sofia? Dúvida alguma.

Mas eu prefiro chutar minha TV até o fim do ano do que ver meu clube desmoronar pela incapacidade de raciocínio e execução dessa turma de inaptos que ludibriou o torcedor tricolor e se apoderou do clube.

O Abel não é maior que o Fluminense. Mas é muito maior que Abad e seus asseclas.

E como os jogadores sabem disso, é preciso que ele fique comandando esse arremedo de elenco que o “clube saneado pelo Peter” deixou para o presidente atual.

Do contrário, acreditem, sempre haverá espaço para que o poço seja escavado mais e mais fundo.

Um resumo? Que merda.

Abraços tricolores

44 anos,  é advogado, autor da Ação Popular que possibilitou a volta do Pó de Arroz aos estádios e escreveu sobre Fluminense no Blog do Torcedor do Globoesporte.com entre 2012 e 2018.